Arquivo da categoria: Crescimento Espiritual

DEVOCIONAL 40

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Leitura: Êxodo 23:1-5 “Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio, para serem testemunha maldosa”
Êxodo 23:1

FAKE NEWS

Eu não sei vocês, mas, não são raras as vezes que estou lendo algum trecho bíblico, e alguma cena da minha vida vêm a mente. Comecei a namorar muito cedo com a minha esposa. Tínhamos à época, eu 14 e ela 13 anos. A bem da verdade, os 3 primeiros anos foram só o que chamamos de “namoro de corte”. Morávamos perto um do outro, mais ainda assim, nos falávamos apenas por meio de cartas (as temos até hoje!). Não sei se já contei em algum dos devocionais, que, durante minha adolescência toda, era de uma igreja extremamente legalista.

E nesse ambiente, nascem como ervas daninhas, “santarrões” metidos a 007; que fazem do propósito de suas vidas, investigarem os “pecados” alheios pra entregarem para os pastores. E entre esses agentes, havia um, que tinha um prazer especial em me investigar. Estou falando sério! Não foram poucas vezes que, o percebi me seguindo andando pela avenida, se escondendo atrás das barracas de camelôs!

Num tardezinha, estava passeando com a minha irmã mais velha, quando percebemos que ele estava nos seguindo. Dai armamos o plano: passei o braço pela cintura dela e lhe dei um beijo no rosto! A noite, chegando na Igreja, o então pastor me chamou ao gabinete pra dizer que “alguem” havia me visto “de safadeza” na rua.

Bom, resumindo, pedi que chamasse o tal agente na sala, que veio envergonhado, primeiro por que agora ele sabia que eu sabia que ele me vigiava, e também por que revelei que a garota que estava abraçado não era minha namorada, mais sim, minha irmã (que curiosamente havia recusado um pedido de namoro dele – fato que não tinha relação com essas atitudes que ele tomava. Acho…)

Infelizmente, não são poucas as pessoas, que sentem um prazer mórbido na fofoca, e em espalhar as notícias mais fantasiosas possíveis! E como isso é detestável perante o Santo Deus! Conselho do tio Lipe: não seja essa pessoa! Lute contra esse ídolo que tem dominado sua vida (e língua) até hoje! Da mesma boca que entoa louvores a Deus,não pode sair tanta calúnia e difamação!

 

Felipe rocha

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DEVOCIONAL 39

Small Groups (people engaged)

Leitura: Êxodo 20. 26 “Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas e os teus bois; em todo lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti e te abençoarei”
Êxodo 20. 24

COMUNHÃO

Recentemente, nossa Igreja, após passar dois anos se reunindo em um auditório de um Centro Empresarial, alugou um imóvel para nossas celebrações e atividades. E obviamente, tivemos (e ainda temos) que fazer uma série de adaptações para transformar esse salão comum, num local de culto. Ele recebeu pintura, readequamos as salas, montamos um lounge, e várias outras adaptações menores. Mais uma coisa serviu de base pra cada coisa que fizemos: a comunhão!

Tivemos a oportunidade de ter pessoas da igreja, que antes não interagiam muito, passando o dia (vezes, os dias!) inteiro juntamente com outros irmãos. Laços fraternais foram estreitados, amizades construídas. Tive a oportunidade de ouvir histórias, conhecer mais a fundo a vida de pessoas que abraçava todos os domingos – mas, que não as conhecia suficientemente.

No deserto, lugar de salvação e caminho de processo que Deus levou seu povo, O Senhor estabelece leis que eles deveriam cumprir fielmente. E entre essas, estava a de construir um altar para oferecer seus sacrifícios. E nesse mesmo altar onde os sacrifícios pelos pecados deveriam ser oferecidos, também deveria ser posto diante de Deus, ofertas pacíficas (em outras traduções você pode ler “ofertas de comunhão”). Essa oferta devia ser feita de modo que uma parte fosse queimada pelo fogo – a Deus – e outra, dividida entre os adoradores e sacerdotes.

É interessante, que, a ordem de Deus fosse tão clara! A noção que o altar trazia, era de que estava num lugar santo e servia como ponto de encontro entre Deus e os homens. Cristo é o Cordeiro de Deus oferecido nesse altar, e Ele mesmo é o altar que nos liga a Deus. E Ele, a Ele e Nele, que baseia-se a comunhão! Pense nisso!

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 38

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Leitura: Êxodo 16.1 – 10 “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”
Êxodo 16.4

CONFIAR

Um dos meus filmes preferidos é o “Fomos Heróis” (We were soldiers) com Mel Gibson. Sem dúvida, a frase do então Coronel Hal Moore que mais me impactou foi: “Não posso prometer que trarei todos os vivos para casa, mas uma coisa eu juro, diante de vocês e do Deus Todo Poderoso: que quando formos para o combate eu serei o primeiro a por os pés em campo e serei o último a sair. Não deixarei ninguém para trás. Vivos ou mortos, voltaremos juntos para casa” Rodrigo Hilbert ainda é pra você padrão de “homão”? Mas a cena que quero usar para contextualizar esse trecho bíblico, é quando depois de combates intensos e desgastantes, as linhas de ataque americanas estavam todas desfaceladas, e uma das companhias estava isolada e pra ser destruída; e nesse ínterim o grande Hal Moore ordena que companhia “charlie” que ficasse bem quietos nas suas trincheiras, por que mandaria toda a artilharia pra lá!

Nesse trecho bíblico, Deus ordena ao povo que pegasse apenas o Maná suficiente pro dia. Embora não fizesse dois meses que o Senhor os tinha tirado do Egito, eles estavam no deserto. E é durante os desafios da vida, que nosso caráter e fidelidade é posto a prova. E mesmo depois de tantos milagres, eram ainda um povo propenso a duvidar. O objetivo de Deus era lhes ensinar algo precioso: deviam confiar Nele, na Sua provisão de cada dia. Deveriam descansar em Suas promessas. Ele estaria ali todos os dias (Mt 28.20)

Como a companhia Charlie, as vezes o “descansar em Deus”, é curvar a cabeça perante Ele, enquanto fogo cai bem a nossa frente. Deus nos livra através de meios que geralmente não entendemos. Eles foram salvos com bombas caindo sobre as trincheiras! E você, como Deus o tem salvo nas suas guerras diárias?
Felipe rocha

DEVOCIONAL 37

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Leitura: Êxodo 13. 17 – 22 “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não o levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao Egito”
Êxodo 13. 17

CAMINHO LONGO

Não acredito tenha alguem que nunca tenha visto uma das muitas propagandas evangélicas. Coisas do tipo:
• “Deixe de sofrer; venha para Jesus”. •”A vida está difícil? Entregue seu coração pro Senhor, que Ele fará tudo por você”.
• “Problemas de saúde? Familiares? Está desempregado? Venha pra campanha do manto sagrado na sexta feira 13….”. Apresentam Jesus, não o Salvador e Senhor de suas vidas, mais como um facilitador de sonhos! Alguém que tem como missão de vida, satisfazer todas as nossas vontades e desejos! E ensinam que Ele sempre nos apresentará o caminho mais curto entre nós e nossos sonhos!

Aqui, ao contrário, Deus – o próprio Deus – leva Seu povo por um caminho mais longo, tortuoso, difícil. O Senhor conhece Seu povo, e sabe o quão impressionável somos! Sabe que temos pontos fracos de mais – nossa natureza humana é toda assim. Ele sabe que a única forma de perseverarmos, é se Ele nos segurar firme em Suas mãos!
Deus leva o Seu povo – Seu povo! – por caminhos, que para aqueles que o trilham, são difícieis de mais, e carregam dentro de si, a convicção de que o “outro” caminho, o “outro” trajeto seria mais fácil, seguro e rápido! Os planos são de Deus! De Deus é o caminho e Dele é o destino!

Hoje, ao invés de reclamar pelas dificuldades que enfrenta, veja além delas, e nelas, observe as Mãos de Deus te guiando a um lugar seguro.
Mesmo que o caminho seja mais longo!

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 36

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Leitura: Êxodo 10.21-29 “Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações”
Êxodo 10.22, 23

ENTRE TREVAS, LUZ

A igreja que éramos na minha adolescência, não tinha gerador autônomo de luz. Na década de 90, eram muito comuns apagões. E muitas vezes (me parece que quase sempre) aconteciam durante os cultos. Uma noite, quando o pregador estava exatamente no momento apoteótico do sermão, um desses companheiros diários (conhecidos como apagões) chegou pra nos fazer uma visita!

A avenida toda ficou um breo!
Como plano emergencial, a igreja mantinha guardado alguns lampiões a gás. Mas como esses apagões estavam acontecendo com muita frequência, descobrirmos ali, que todos estavam com os botijões vazios!

Foi quando os únicos dois irmãos que tinham carro na igreja, tiveram a ideia de estacionarem seus veículos em cima na calçada, virados pra dentro, para a iluminarem com seus faróis! A igreja ficou visível à centenas de metros. Naquela noite escura, tornou-se até referencial geográfico.

Lembro-me de algumas pessoas que estavam no ponto de ônibus em frente, com medo – por causa da escuridão -, foram sentar-se na igreja. E ainda é nítida pra mim, a lembrança de uma dessas, ao final do sermão, ir a frente em lágrimas, reconhecendo Jesus como Salvador e Senhor!

Os israelitas, representaram ali, o que a Igreja deve ser aqui: um farol em meio a tanta escuridão! Assim como os egípcios ficaram, as pessoas hoje caminham por estradas espirituais tão escuras, que não podem enxergar um palmo diante de seus rostos!
Sua vida, sua família, sua casa, devem serem propagadores da luz de Cristo. Nunca se esqueça: o mundo não pode ver a Deus. Mas pode pode te ver; e através de você, ver o Senhor! Seja Luz!

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 35

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Leitura: Êxodo 7.14 – 9.35 “E assim Faraó, de coração endurecido, não deixou ir os filhos de Israel, como o SENHOR tinha dito a Moisés”

Êxodo 9.35

 

CORAÇÃO DURO

 

Quando garoto, minhas tardes eram divididas entre andar de bicicleta e ler. A princípio, mais bike, menos livros, até acontecer o que vou contar. Perto da casa dos meus pais, havia uma ladeira. Ah, que ladeira! Imensa, de paralelepípedos; íngreme a beça! E como gostávamos de desce-la na maior velocidade que fosse possível. Mas como a velocidade por si só, não nos dava emoção suficiente (!), tinhamos que incrementar! Ao final dela, obrigatoriamente, tínhamos que tomar a rua a direita. Imagine a cena: Depois de desce-la, fazíamos a curva a toda velocidade, raspando o guidão da bike no chão, pra ver as faíscas! Só isso!

 

É verdade que algumas vezes, tomei alguns tombos. Vários tombos. Muitos tombos na verdade. E como eu gostava de contar pros amigos sobre essas peripécias. Dava até um certo orgulho. Até que um dia, numa curva muito menor do que aquela, em uma rua quase plana, fui fazer a manobra. Só que não tinha visto que um caminhão estava subindo. Quando o vi, minha bike já estava com o guidão raspando no asfalto, e ainda não sei como, consegui joga-la pro outro lado. Não fui atropelado, mais sai rolando pela rua, preso a minha própria bike. Bati a cabeça no chão, e segundo meus amigos, fiquei algum tempo desacordado. Quando acordei, fui rápido pra casa, com a roupa rasgada, cheia de sangue, o corpo machucado e um galo gigante na cabeça. E nunca mais fiz aquela tolice. E os livros passaram a ser os meus principais companheiros!

 

Faraó recebeu de Deus tantos avisos. Tantos sinais de que deveria obedecer e mudar suas atitudes. Mas ele preferiu o caminho do confronto. Quantas vezes, isso não acontece em nossas vidas: Deus de forma tão clara fala a nossos corações sobre os erros menores que estamos praticando que infalivelmente nos levarão a consequências maiores.

 

Veja os sinais que o Senhor tem apresentado para você! “Se hoje ouvires a voz de Deus, não endureça o vosso coração” (SL 95.7,8)

 

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 34

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Leitura: Êxodo 5.1-14 “Estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus. Agrava-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não dêem ouvidos a palavras mentirosas”
Êxodo 5.8, 9

O CULTO

Tenho algumas boas lembranças da minha infância. Uma delas – a que sinto mais falta hoje – era ver as pessoas indo a pé pras suas igrejas. Em um determinado horário aos domingos (principalmente), viam-se saindo às ruas familias inteiras. Às vezes, no meio do caminho encontravam com outras famílias amigas que iam pra mesma igreja (ou não); ouvia-se cânticos, risadas – algumas broncas nas crianças que insistiam em correr e sujar a roupa. Uma cena linda. Hoje, as condições financeiras são outras, e a maioria das famílias têm seu veículo próprio; o perfil dos casais mais jovens também mudou, e a busca por igrejas que se adequem a esse perfil também surgiu: igrejas mais descoladas, distantes dos bairros. Não se ouve mais aquele cântico nem aquelas risadas. Os domingos parecem ser mais cinzas.

Dentro dessa mudança cultural, outra também teve lugar: aquela que prega, que o domingo já não é tão sagrado assim, e que pode-se usar-lo pra trabalhar um pouquinho mais, pode tirar-lo pra estudar um pouquinho mais, pode reserva-lo pra descansar um pouquinho mais. E a adoração comunitária? E a comunhão entre os santos?

Aqui nesse texto, quando os israelitas dizem que queriam ter um local e um tempo pra adorar a Deus, Faraó ordenou que tudo fosse dificultado, e a que opressão fosse ampliada. Porque pra ele o fato de que o povo querer ter tempo pra adoração era sinônimo de ociosidade. Quantas vezes nos tornamos escravos daquilo que deveria ser nossos servos: nosso trabalho, estudos e lazer. Erguemos a eles altares e os adoramos. E a mais breve menção de ir comungar, os faz aumentar sobre nós sua opressão!

Hoje, passamos tempo demais contabilizando no que avançamos e nos esquecemos de lembrar o que perdemos! É tempo de voltarmos a uma vida cristã mais simples e verdadeira!

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 33

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Leitura: Êxodo 3.1-12 “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito”
Êxodo 3.10

FAÇA A DIFERENÇA

Um dos meus filmes de guerra preferidos é o “Falcão Negro em Perigo” (Black Hawk Down). Nele, a famosa batalha de Mogadíscio é retratada: uma gigante operação militar pra desarticular a guerra civil na Somália e a prisão de seu principal líder a causador, Mohammed Farah Aidid. Conta com cenas de tirar o fôlego: tiros voando, helicópteros caindo, feridos e mortos as centenas.
O comboio que levava os prisioneiros segue por caminhos tortuosos, e é duramente atacado durante todo o trajeto. A cena mais icônica, talvez, é o revezamento de soldados na ponto 50 no Humvee comando. Um a um, vão sendo feridos! A primeira coluna de escolta que levava o primeiro ferido em batalha chega a base, quando recebem a notícia da queda do “Falcão 64”; o diálogo que segue é confrontador: – (Sgto Struecker) Tá legal!

Agrupem-se. O “meia-quatro” do Duran caiu. Nós vamos voltar pra pegá-lo!
– (soldados perto) Isso é loucura! Será que tem alguém vivo naquilo?
– (Sgto Struecker) Não importa! Ninguém fica pra trás!
– (Thomas) Eu não posso voltar lá!
– (Sgto Struecker) Todo mundo sente o que você está sentindo, tá legal; mas o que você fizer agora, fará a diferença!

Não sei qual batalha você acabou de enfrentar, ou de qual passado você acabou de fugir! Mas assim como Moisés, o Senhor te chama pra olhar de onde você saiu, pra levar salvação a quem ficou! Nessa caminhada, quantas pessoas acabam ficando pra trás: amigos, esposas, irmãos! Seja na busca frenética pelo sucesso, seja na corrida alucinante por abandonar o lugar de onde viemos! Sempre há alguém e algo a se resgatar!

O que você fizer, fará a diferença!

Felipe Rocha

DEVOCIONAL 32

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Leitura: Jó 42.1-6 “Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia”
Jó 42.3

QUANDO OS OLHOS VÊEM

Toda vez que preciso levar meu filho no médico, é um parto! Ele tem pavor só de passar em frente a um hospital! Há alguns meses, ele reclamou de uma dor muito forte nas costas. Colocamos compressa e melhorou. No dia seguinte, no meio do culto, ele começa a se retorcer de dor. Eu estava tocando aquele dia. Larguei meu contra-baixo, peguei minha esposa e ele, e fomos pro hospital. Ele tentou se mostrar forte e animado, até que ele ouviu o doutor chamar o seu nome; ali ele entrou em desespero. Mas o ato central desse drama, aconteceu quando as enfermeiras foram colher o sangue dele! Eu, e mais três enfermeiras mal dávamos conta de segura-lo. Com o sangue colhido, fomos aguardar o resultado.
A eficiência do sistema público de saúde é notável: derrepente a enfermeira nos chama, pra avisar que a mostra havia sido perdida, e que teríamos que colher novamente! A cena então repete-se. Só que dessa vez, ele já estava cansado fisicamente de tanto chorar, e ali na maca deitado chorando, ele diz pra mim: “por favor papai, não deixar ela chegar perto de mim!” Como doeu ouvir isso, mesmo sabendo que era necessário e para o bem dele. Às vezes, quando alguma dor nos acomete, agimos como o meu Gabriel: choramos , gritamos, pedimos pra que aquele mal não encoste na gente! Jó reconhece que havia falado de coisas que ele não entendia – e nem podia entender; estavam muito acima da sua capacidade!

Mas todo o processo que passamos tem um único objetivo, o qual o nossos amigo Jó descobriu só ao final: deixarmos de conhecer a Deus na teoria, e passarmos a a experimentar a Sua presença viva, conhecê-lo como Salvador e amigo; mas sobretudo, como Pai!
Felipe Rocha

 

 

 

Como as igrejas podem criar uma cultura de adoção

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Ainda tinha aquele cheiro, como uma mistura de tapete novo e velha senhora.

Maria e eu olhamos uma para a outra enquanto nos levantávamos neste auditório familiar. Foi o primeiro lugar que nós já vimos um ao outro – de pé bem aqui, enquanto eu corria da chuva e ela estava dobrando um guarda-chuva encharcado. Eu andei por esta porta milhares de vezes.

Meus pais me carregaram nessas portas algumas semanas depois do meu nascimento. Eu passei por eles todos os domingos de manhã da minha infância, com uma Bíblia e um envelope de oferta na mão. Todo verão eu caminhava por essas portas – carregando uma bandeira ou uma Bíblia para a rodada de compromissos da Escola Bíblica de Férias, as coisas mais próximas que tínhamos de uma liturgia ou de um calendário do ano cristão.

Eu olhei para a janela, bem ao lado das grandes portas de vidro. Esse foi o filho do pregador que quebrou com uma pedra, e nós todos nos espalhamos, sabendo que ele iria conseguir. Esta foi a minha igreja em casa. Fazia muito tempo desde que entramos neste auditório, e agora tínhamos duas pequenas mãos segurando nossos dedos.

Nossos garotos tinham, eu tenho certeza, nenhuma ideia de quão grande era para nós tê-los aqui conosco. Para eles, era apenas outra igreja em algum lugar. Mas para mim, foi tudo.

Para a maioria das igrejas, a adoção não é uma prioridade, e isso não é porque os membros da igreja são anti-adoção. É porque a adoção parece estranha para alguns deles e irrelevante para os outros. Torna-se um foco apenas quando um membro da igreja enfrenta pessoalmente infertilidade, ou conhece crianças particulares sem pais. Até então, para a maioria de nós, a adoção raramente cruza nossas mentes.

 

É por isso que o primeiro passo para uma igreja amiga da adoção deve ser o púlpito. Isso parece óbvio, mas é menos óbvio do que parece. Ao dizer que os pastores deveriam pregar sobre adoção, não estou falando primariamente de “conscientizar” sobre a adoção, da mesma forma que um diretor do ensino médio pode “aumentar a conscientização” em um discurso sobre uma campanha de arrecadação de fundos para o novo estádio de futebol.

A pregação não é simplesmente um meio de transmitir informações. O ato de pregar, então, carrega consigo, se é a pregação bíblica fiel do evangelho, a autoridade do próprio Jesus. Essa é a diferença entre o ato de pregar e o ato de dar palestras – a diferença entre “Assim diz o Senhor” e “Parece para mim”.

O pregador, além disso, deveria pregar sobre adoção com especificidade.

O pastor não sabe exatamente como uma prioridade de adoção funciona em cada vida ou família individual, mas ele pode promover a causa provocando perguntas. Ele pode perguntar, por exemplo, em uma mensagem sobre a pobreza ou a santidade da vida humana, se Deus pode estar chamando alguns na congregação naquele dia para adotar, se Deus está chamando alguém para dar dinheiro para financiar uma adoção. Ele pode chamar seu povo para orar por como Deus os usaria para servir os órfãos, seguido por informações sobre como eles podem cumprir qualquer compromisso que Deus ponha em seus corações com informações de contato sobre grupos dentro da igreja capazes de ajudar.

Pastores e líderes da igreja também podem criar uma prioridade para adoção, destacando as adoções dentro da igreja. Esta não é uma maneira de “elogiar” os pais adotivos, mas sim de fazer com que a adoção pareça menos “estranha” para o resto da congregação.

Em quase todos os cultos da igreja, há aqueles que começariam a pensar se deveriam ou não adotá-los se apenas virem alguém que tenha feito isso. Quando as pessoas vêem e conhecem crianças que foram adotadas, de repente, a realidade não é abstrata para elas. Quando eles ouvem a palavra “órfão”, eles param de pensar em um rosto triste em um filme e começam a pensar em “Caleb” ou “Chloe”, que se senta no banco na frente deles.

Algumas igrejas têm um tempo de “dedicação do bebê” ou “dedicação de pais e filhos”, em que oram por recém-chegados dentro da congregação. Algumas congregações são de um tamanho tão grande, que esse tipo de celebração anual é o que é prático. Para outras igrejas, no entanto, pode haver um tempo no final do culto sempre que um bebê nasce ou uma criança é adotada por uma família dentro da igreja.

Isso poderia levar apenas três ou quatro minutos com reconhecimento e uma oração de agradecimento. Em igrejas maiores, isso poderia ser feito via vídeo. O objetivo seria contrapor-se à crescente visão utilitarista da cultura sobre as crianças, acolher as crianças como bênçãos de Deus e encorajar as famílias a considerarem a adoção de órfãos em suas casas.

Um pastor-herói meu costumava concluir cada batismo permanecendo no batistério, mergulhando as mãos na água e anunciando: “E ainda há espaço para mais.” Era a maneira dele de convidar aqueles que ouviam entrar na comunhão de Cristo sem demora. Um pastor poderia ter grande efeito se realizasse um tempo de oração por adotar famílias, seguido da declaração ao seu povo: “E ainda há mais crianças lá fora que precisam de pais piedosos”.

Outro aspecto chave do ministério da igreja local em direção à adoção é o da administração econômica.

Se os apóstolos lembram até mesmo o próprio Paulo de “lembrar-se dos pobres” (Gl 2,10), então certamente o restante de nós precisa de tal lembrança. O pastor pode se levantar e dizer: “Temos um casal sem nome em nossa congregação que está orando pelo dinheiro que será necessário para adotar uma criança, imagino se o Senhor está chamando alguém aqui para ajudar a fazer isso acontecer”. ao permitir que os doadores o façam anonimamente, sabendo que serão recompensados ​​integralmente no Tribunal.

Os pastores podem encorajar a adoção também à medida que enfatizam continuamente a santidade (e dignidade) da vida humana, incluindo a vida dos deficientes, os “ilegítimos” e os que ainda não nasceram.

Algumas das mulheres da sua congregação são vulneráveis ​​à propaganda abortista precisamente porque ela sente que perderá sua igreja se as pessoas da igreja souberem da vergonha de sua gravidez. Fale com essa mulher do púlpito – e para seu marido ou namorado ou pai. Fale diretamente com o abortista, que pode ter escorregado pela porta dos fundos ou pode se deparar com uma gravação da mensagem. Fale diretamente do horror do julgamento que virá por aqueles que derramam sangue inocente. Mas fale também diretamente que o julgamento caiu sobre o corpo trêmulo de um Jesus crucificado. Avise do inferno, mas ofereça misericórdia – misericórdia não apenas no Tribunal, mas misericórdia nas células/grupos e nos corredores de sua igreja.

Sua congregação pode incentivar e equipar a adoção de bebês e crianças. Sua igreja pode pregar o evangelho e cuidar dos vulneráveis. Você pode fornecer os fundos e o incentivo e o apoio de oração para um número incontável de famílias da Grande Comissão. Se a adoção for uma prioridade, as congregações precisarão se mobilizar para isso. Afinal, é preciso mais do que uma aldeia para adotar uma criança, pelo menos para aqueles de nós em Cristo. É preciso uma igreja.

 

Este artigo é adaptado da nova edição do meu livro Adoptado para a Vida: A Prioridade da Adoção para Famílias e Igrejas Cristãs.

 

Autor: Dr. Russell D. Moore

Traduzido por Filipe Paulo Christian

Fonte Original:

https://www.russellmoore.com/2015/11/23/how-churches-can-create-a-culture-of-adoption/