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Como ter certeza que todos são pastoreados em uma igreja grande?

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No último texto, eu tratei de como um pastor pode ter certeza de que está pastoreando regularmente todos em  sua igreja. Nele eu expliquei um sistema para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja em um mês. Isso é baseado nos esforços de pastoreio de uma igreja menor; logo, naturalmente, posso antecipar a pergunta:

 

“Isso é ótimo, mas e aqueles que são pastores de uma igreja maior?”

 

Bem, a resposta rápida a essa pergunta de como você pode realizar esse sistema em uma igreja maior é: você não pode. Pelo menos, não por si mesmo. Outros devem pastorear com você. Ainda assim, depois de passar algum tempo servindo na equipe de duas igrejas diferentes, cada uma com mais de 1.500 membros, estou convencido de que cada membro ainda pode ser cuidado, ser conhecido e ser motivo de oração de forma individual pelos pastores e líderes, bem como contatado de alguma forma a cada mês.

 

Penso que a tabela de 28 dias que eu propus anteriormente pode ser feita na proporção de 1:100. Um pastor/presbítero/equipe para cada 100 membros da igreja. Isso se resume a menos de 5 pessoas ou famílias por dia pelas quais é preciso orar e com as quais é preciso contatar. Assim, se você está em uma igreja de 500 membros, você só precisa de 5 pastores que estejam dispostos a dedicar cerca de 30 minutos por dia para realizar isso. Se você está em uma igreja de 1.200 membros, só precisa de 12 pastores para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja.

 

Lembre-se, você não vai simplesmente se precipitar nesse tipo de esforço intencional, especialmente em uma grande igreja. Na verdade, talvez seja necessário reestruturar o modo como sua equipe está formada e funciona. Mas se você fizer o compromisso e crer que é possível pastorear cada membro da igreja em algum nível em uma base regular, independentemente do tamanho, sua alegria aumentará e as almas do seu povo se sentirão mais fielmente cuidadas por seus líderes (Hebreus 13.17).

 

Pastores, não creio que nós seremos desculpados do nosso chamado para prestar contas de cada alma (Hebreus 13.17) apenas por causa do tamanho da nossa igreja. Peçam a Deus que lhes conceda graça e discernimento sobre como isso pode ser realizado em sua igreja através do serviço dos seus pastores, diáconos, equipe e outros líderes. Deus honrará seus esforços para serem fiéis nesse aspecto.

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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Brian Croft

Brian Croft é o pastor efetivo da Auburndale Baptist Church em Louisville, Kentucky. Ele também é autor de “Visit the Sick: Ministering…

 

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13 Sugestões Práticas para Pastores Treinarem Novos Líderes

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A maioria dos pastores está bem familiarizada com a tirania do urgente. Geralmente há tantas brechas a tapar que parece impossível diminuir o ritmo e gastar o tempo que é necessário para treinar uma tripulação – isto é, para levantar novos líderes de igreja.

 

Contudo, como pastor, há diversas razões pelas quais você deve estar regularmente discipulando homens que tenham o potencial para servir como presbíteros, seja na sua igreja ou em outra.

 

Por que pastores devem treinar líderes

 

1. A Escritura ordena.

 

Em 2 Timóteo 2.2, Paulo escreve: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Uma vez que 2 Timóteo não foi escrita somente para Timóteo, mas para todos nós (Romanos 15.4; 2 Timóteo 3.16-17), todo pastor de uma igreja local deve treinar outros homens para serem mestres na igreja.

 

2. Pastores são mais aptos para treinar outros pastores.

 

Homens em treinamento para o ministério aprenderão melhor com aqueles que estão envolvidos na obra em tempo integral. Eles obterão sabedoria prática, sensibilidades pessoais e um entendimento minucioso da obra que não teriam de nenhuma outra maneira.

 

3. A igreja precisa.

 

Como pastor, você precisa assumir a liderança de levantar líderes, quer esses líderes venham a servir na sua própria igreja como presbíteros, quer eles vão a outro lugar. Se você não discipular líderes, quem o fará?

 

4. Isso evangeliza futuras gerações.

 

Um pastor pode fazer uma “obra missionária” para o futuro ao levantar líderes no presente. Quem liderará a sua igreja e evangelizará a sua comunidade quando você se for? Levante líderes agora e você conseguirá anunciar o evangelho não apenas na sua comunidade, mas no futuro.

 

Como pastores podem treinar líderes

 

Mas como um pastor super-ocupado, com uma escassa margem de recursos, pode discipular homens para serem líderes de igreja? Aqui está um punhado de sugestões práticas.

 

1. Compartilhe o seu púlpito (com cautela). Procure maneiras de dar a jovens homens de sua congregação, que sejam doutrinária e pastoralmente confiáveis, oportunidades para pregar e ensinar, ainda que eles não tenham a prática de falar em público.

 

2. Ensine a sua congregação a cuidar de outras igrejas e dos propósitos mais amplos do reino de Deus.

O objetivo é que a igreja como um todo abrace a meta de levantar pastores tanto para si mesma como para outras igrejas. Encoraje-os a ver que isso lhes trará mais benefícios no longo prazo. O seu encorajamento e liderança irão ajudá-los a serem mais generosos, a orar e a ser mais pacientes com homens mais jovens e inexperientes.

 

3. Ore publicamente por outras igrejas e pastores, pelo nome.

 

4. Ore publicamente pela propagação do evangelho em outras nações, pelo nome.

 

5. Procure outras maneiras de oferecer oportunidades de ensino e evangelização a homens mais jovens, como classes de escola dominical, oração pública ou a direção do culto. Treine-os no processo. Faça avaliações construtivas.

 

6. Mantenha uma “revisão de culto” semanal. Convide quem esteja publicamente envolvido no ministério da igreja a recapitular os eventos do dia. Peça avaliações construtivas de sua pregação ou direção de culto. Seja um modelo de como dar e receber encorajamento e críticas piedosas. (Dicas: enfatize o que for bíblico, teológico, pastoral, em vez do que for de sua preferência pessoal. Seja honesto, mas não lance um monte de críticas sobre os jovens e inexperientes de uma só vez. Procure evidências da graça e certifique-se de que os participantes saiam sentindo-se encorajados e edificados.)

 

7. Estabeleça um exemplo pessoal de evangelização, amizades com não-cristãos e discipulado de cristãos mais jovens. Olhe para aqueles que começam a imitar seu exemplo e invista especificamente neles.

 

8. Considere desenvolver um estágio pastoral.

 

9. Dê grandes quantidades de bons livros. Convide líderes em formação para uma conversa sobre o livro que você lhes deu, uma vez que eles o tenham lido.

 

10. Convide homens mais jovens para a sua sala de estudos, para que eles leiam e produzam à medida que você faz o mesmo.

 

11. Convide líderes em formação para que participem do seu processo de preparação do sermão. Discuta o texto com um ou dois outros homens à medida que você estuda. Após obter o ponto principal do texto, convide alguém para pensar em aplicações do sermão com você.

 

12. Pense em quaisquer janelas em sua vida e ministério que você possa abrir para líderes em formação: refeições em sua casa, tarefas cotidianas, visitas pastorais, compromissos em outras igrejas, conferências.

 

13. Discuta questões pastorais (que não sejam delicadas) com homens mais jovens e peça-lhes sua contribuição. Isso os treinará a pensar teológica e pastoralmente, e pode até mesmo dar a você uma nova percepção do problema.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

 

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5 Prioridades para o seu Primeiro Dia como Pastor

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Ontem a congregação “instalou” você como o pastor da igreja. (Isso soa como algo que você faz a uma máquina de lavar louça, não é mesmo?). Houve orações, abraços, sorrisos, música, comida, fotos e agora é segunda-feira. Por onde você começa? Você sabe que precisa preparar excelentes sermões, discipular membros da igreja e fazer evangelismo. Mas como você de fato começa? O que você deveria fazer no seu primeiro dia?

Em certo sentido, você não deveria fazer absolutamente nada. Não, não fique em casa assistindo futebol. Só não pense que você precisa mudar tudo em três meses. Você pode ter o título, mas a posição de pastor é tanto conquistada quanto concedida. Há muito o que aprender a respeito da sua igreja antes de começar a fazer mudanças. Além do mais, Cristo prometeu que ele edificaria a sua igreja. Você não precisa tentar fabricar crescimento.

Com isso em mente, aqui estão cinco prioridades que você deve trazer para o seu primeiro dia de ministério.

Prioridade 1 – Aprenda tudo o que você puder sobre as suas ovelhas (Envolvimento – 1 Pedro 5.1-4).

Você é um pastor. Bons pastores são tão próximos às suas ovelhas, que cheiram a ovelhas, e eles as conhecem pelo nome. Sugestões: Leia as minutas de assembleias administrativas passadas. Aprenda tudo o que puder sobre a fundação da igreja. Qual era a declaração doutrinária original? Houve alguma revisão da declaração ou da confissão da igreja? Se sim, por quê? A igreja já sofreu divisão? Há alguma questão não resolvida?

Torne-se familiar dos “veteranos”. Eles podem dar a você grande ajuda. Questione-os sobre tradições, histórias, políticas, etc. Desenvolva perguntas para fazer a cada membro da congregação, a fim de avaliar a saúde espiritual deles. O envolvimento que você ganha — e a confiança que você conquista — pode até mesmo ser mais valioso do que a informação que você juntará.

Prioridade 2 – Gaste tempo com a sua liderança (Humildade – Filipenses 2.5-8).

Sugestões: Visite seus líderes em seus locais de trabalho. Descubra a respeito de suas famílias, sua história, seus dons e seus pontos fortes em liderança. Faça a eles as perguntas que você está planejando fazer à congregação. Pergunte a eles pelo que você pode orar, e como você pode melhor servir a igreja. Peça a avaliação deles sobre a saúde da congregação. Tenha uma lista de livros pronta para sugerir que eles leiam. Planeje um retiro com eles para que você aprenda mais sobre eles e eles sobre você. Diga a eles o que você espera aprender sobre a congregação. Discuta a história com eles. Quais eventos deveriam ser celebrados? Compartilhe as suas conversas evangelísticas. Envie e-mails para eles diariamente.

Servir os seus líderes servirá de modelo para eles sobre como servir a igreja. As primeiras pessoas que você tem de discipular são os seus líderes. Eles irão discipulá-lo também.

Prioridade 3 – Planeje a sua pregação (Os meios de Deus para o crescimento – Romanos 10.17).

Explicar e aplicar fielmente as Escrituras terá mais impacto na sua igreja do que qualquer outra coisa que você puder fazer. Pregar é a sua prioridade número 1, mas está listada aqui como número 3 por conta da progressão da linha de pensamento. A informação que você reunir influenciará no seu plano de pregação.

Visto que o evangelho é fundamental para louvor, evangelismo, discipulado, resolução de conflitos, casamentos e todas as outras situações com que a sua igreja lida, considere uma série inicial de exposições do Evangelho de Marcos ou 1 João. Esteja preparado todas as vezes que você pregar e pregue sermões excelentes.

Prioridade 4 – Encontre-se com pessoas que não estão na sua igreja (Considerar outros – Filipenses 2.4).

Encontre-se com pastores da região. Eles podem dar a você as impressões que têm da sua igreja e informações a respeito da comunidade. Considere orar publicamente por esse pastor e sua igreja no domingo seguinte.

Encontre-se com funcionários públicos da cidade. Quais mudanças estão acontecendo na comunidade? Quais são as necessidades que eles veem nela? Existe algo pelo que você possa orar? Existe algo que a sua igreja possa fazer?

Visite os vizinhos. Apresente-se às pessoas à sua volta. É impressionante o quanto você pode aprender, e ainda poderá conquistar muita confiança da qual vai precisar.

Embora as informações que você reunir desses indivíduos venham a ser úteis, procurá-los também proporcionará oportunidades evangelísticas.

Prioridade 5 – Plante uma árvore frutífera (ou um jardim) (Fidelidade – 1 Coríntios 4.2).

Coisas que produzem frutos precisam de cultivo e tempo, e observar uma árvore crescer lembrará você disso. Você começou uma maratona; mantenha o ritmo.

Exemplos:

Um pastor apresentou um plano ambicioso em seus primeiros dois meses para fazer a igreja crescer através de uma estratégia de alcance agressiva: mudar-se para um local mais visível e livrar o calendário de ministérios desgastados e inúteis. Nada do que ele propôs estava errado, mas sem conquistar a confiança para liderar, ele foi embora após nove meses. Por trás dele, estava um rebanho fraturado, ferido e castigado.

Outro pastor disse que não queria fazer nenhuma mudança por um ano enquanto não aprendesse o quanto pudesse sobre as pessoas. Agora, catorze anos mais tarde, ele os havia guiado por muitas mudanças que foram conquistadas por sua fidelidade publicamente no púlpito e, privadamente no ministério pessoal.

James Boice uma vez disse que normalmente superestimamos o que podemos fazer em um ano, mas subestimamos o que pode ser feito em dez. Se você é um pastor novinho em folha, defina agora as prioridades que, pela graça de Deus, darão frutos daqui a dez anos.

Tradução: Alan Cristie

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Autor
Bob Johnson
Robert “Bob” Johnson é pastor da Cornerstone Baptist Church em Roseville, Michigan

Existe alguém piedoso o bastante para ser um pastor?

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Quando avaliamos o chamado para o ministério pastoral, a primeira questão que um homem deve perguntar é: Eu sou piedoso?

 

Os requisitos morais para um pastor são claramente especificados em 1 Timóteo 1.1-7, que diz:

 

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.”

 

Se você é como a maioria das pessoas, a lista de qualidades pode parecer longe de ser alcançada. À primeira vista, essa passagem, juntamente com a passagem de Tito 1, parece deixar rapazes medianos fora de questão! Quem possivelmente consegue viver de acordo com tais requisitos?

 

Aqui estão duas coisas a considerar ao pensar sobre essa passagem. Primeiro, a maioria das qualidades que são listadas nessas passagens são, na verdade, mandamentos a todos os crentes, de certa maneira. Todo o cristão é chamado a ser “temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro” e “não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento”, e que governe bem a própria casa “criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito”. Não é como se pastores e presbíteros não podem se embebedar, enquanto outros crentes são livres para encher a cara como universitários na balada[1] !

 

Aqui está o meu ponto: o homem chamado ao ministério não é um tipo de super cristão que vive sob um código de conduta superior. Ele simplesmente é um homem chamado, dotado de dons que o capacitam a liderar o povo de Deus e com a graça que o permite ser um exemplo.

 

A segunda coisa a respeito dessa passagem é que o homem chamado pode acabar se aproximando dessas passagens com um padrão inflexível que demanda conformidade e pune desobediência. Se você se sente dessa maneira a respeito dessas passagens, você precisa entender algo muito importante: O chamado de Deus sobre um homem transmite a graça necessária para a piedade exigida.

 

Deixa-me explicar isso um pouco mais. Em 1 Timóteo 3 e Tito 1, nós vemos extraordinárias evidências da atividade de Deus precedendo toda clara evidência de chamado. Contudo considere o modo como Paulo usa o termo “seja” em 1 Timóteo 3.2. O bispo deve ser irrepreensível, temperante,  sóbrio, modesto etc. O tempo presente permanece por toda a lista. Paulo não está apresentando uma lista de alvos a serem alcançados. Pelo contrário, ele está falando de qualidades que já estão presentes. Elas são pré-condições para um presbítero, não eventuais resultados a serem aguardados.

 

O que isso quer dizer, então? Que a graça de Deus está operando em certos homens a produzir certos tipos de vida. Identificar um homem chamado é primariamente observar graça já operante na vida de um homem. A graça radiando através da vida de um homem é um indicador de que ele é chamado.

 

Pode alguém atingir as qualificações do ministério pastoral? Sim, porque o chamado de Deus transmite graça. Se você é chamado, pode confiar que Deus já começou a trabalhar em você.

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 [1]Literalmente, como garotos de fraternidade. Pensei em colocar “membros de DCE” ou “moradores de república estudantil”, mas ficaria ofensivo aos crentes que participam de DCE ou moram em repúblicas, num generalismo bobo. Preferi uma adaptação, já que não existem fraternidades no Brasil.

 

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 Autor    Dave Harvey

 

Dave Harvey é pastor na Convenant Fellowship Church, Pennsylvania (EUA), que faz parte da família de igrejas do ministério Sovereign Grace. Dave…

Todo cristão deve estar envolvido no “ministério da Palavra”

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Quando olhamos para o Novo Testamento e para o livro de Atos em particular, vemos que o evangelho se espalhou e a igreja cresceu através da proclamação e ensino da “Palavra de Deus” (Atos 6.7; 12.24; 19.20). Essa deve ser a base para todo e qualquer ministério em nossas congregações: devemos ser “baseados na Palavra”. Esse é o ponto de partida. Mas observe o que era o “ministério da Palavra” no Novo Testamento:

(1) algo feito por todos os crentes (Atos 8.4) e (2) era em grande parte (embora não exclusivamente) feito através de uma rede de relações informais e amizades (Atos 10.2, 24; 16.15, 31).

Em harmonia com isso, também observamos no livro de Atos que o “ministério da Palavra” na igreja primitiva tinha um propósito encorajador (crente com crente) e uma vertente evangelística (crente com incrédulos).

A questão é que todo cristão deve estar envolvido no “ministério da Palavra” em uma dessas formas. Alguns de nós são encorajadores e podem se aproximar de crentes jovens ou em dificuldades e conectar a Palavra de Deus, fazendo com que ela seja aplicada em suas vidas.

Alguns de nós somos melhores com os incrédulos e podemos conectar a Palavra de Deus, aplicando-a às suas vidas. Um dos sinais de um cristão saudável (na verdade, de uma igreja saudável) é que este “ministério da Palavra” está operando em uma série de diferentes níveis e em diferentes contextos em uma base regular. Aqui estão algumas maneiras em que este ministério poderia e deveria estar acontecendo:

1. Espontaneamente: Trata-se de quando nos envolvemos com alguém (ou mais de uma pessoa) completamente de modo voluntário e fora do “programa” normal da igreja. Por exemplo, encontramos alguém nas lojas e acabamos conversando. Isso, por sua vez, termina em um estudo bíblico não planejado. Em outras palavras, não é uma “reunião marcada” ou um “evento específico”, mas uma oportunidade dada por Deus que intuitivamente aproveitamos.

É claro que isso exige flexibilidade da nossa parte, bem como uma abertura ao Espírito Santo e às necessidades das pessoas ao nosso redor. Significa ser menos “focado na tarefa” em nossos dias e deixar espaço para o que eu chamo de “espontaneidade organizada”. Peça ao Senhor para intervir em seu dia e esteja preparado para ser espontâneo quando necessário. Algumas das minhas maiores oportunidades vêm por essa abordagem à vida e às pessoas.

2. Relações pré-existentes: Há algum crente que conhecemos que se beneficiaria de reunir-se conosco e estudar as Escrituras? Existe um crente maduro que você conhece do qual você poderia se aproximar para que ele o ajudasse em sua caminhada cristã e melhorasse a sua compreensão bíblica? Existe um incrédulo que você conhece que poderia ativamente conhecer melhor? Às vezes, só precisamos arriscar.

3. Propositadamente: Devemos aprender a tomar mais a iniciativa em nossos relacionamentos com as pessoas. Eu, 99% das vezes, tomarei a iniciativa com alguém para ir jogar bilhar, ou levá-lo para tirar documentos, ou fazer um estudo, pois eu sinto que tenho o dever de fazê-lo, mas também porque as pessoas sempre assumem que o outro está “muito ocupado” para eles.

Nós vivemos em uma época maravilhosa agora. Sim, há muitos céticos e aborrecedores lá fora, mas também há muitos que estão curiosos e abertos a descobrir mais. Há pessoas deprimidas e solitárias ao nosso redor, marginalizadas pela nossa cultura tecnológica com seus mundos virtuais e amizades online. Há uma grande quantidade de material disponível para os cristãos usarem, tanto internamente, dentro das nossas igrejas, quanto externamente, com o mundo incrédulo.

Recentemente, li um relatório que sugere que muitos cristãos não estão conseguindo alcançar as pessoas com o evangelho por uma das três razões:

(1) Nós não temos alegria em nossa vida (nenhum poder).

(2) Nós não temos humildade e respeito pelos incrédulos. Simplesmente não conseguimos nos preocupar com eles.

(3) Nós não temos coragem. Nós tememos o que as pessoas pensarão ou como reagirão a nós.

Descubra qual é o seu problema persistente e leve-o ao Senhor em arrependimento. Vamos nos envolver no ministério da sua Palavra.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silvo

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Autor
Mez McConnell
É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes.

Uma biografia de John Huss

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“Se ele fosse profético, deve ter se referido a Martinho Lutero, que surgiu cerca de cem anos depois”. Assim escreveu John Foxe em seu Livro dos Mártires do século XVI, referindo-se a uma declaração atribuída ao reformador boêmio João Huss por ocasião de sua morte. Condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança, Huss — de acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato — voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: “Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar”.

 

Por que Huss se identificou como “um ganso”? E por que os comentaristas posteriores — nada menos que o próprio Lutero — acreditavam que a lendária profecia de Huss se referia ao monge alemão cujo protesto contra as indulgências iniciou a Reforma um século depois?

 

A primeira pergunta é mais fácil de responder do que a segunda. Huss, nascido por volta de 1372, era proveniente da cidade do sul da Boêmia, Husinec (literalmente, “Goosetown” [Cidade do ganso]), onde agora é a República Checa. Seu sobrenome, derivado do seu lugar de nascimento, significa “ganso” em tcheco. Compreender por que Lutero e os Protestantes mais tarde criam que Huss tinha antecipado, se não previsto, a Reforma é mais difícil e requer alguma consideração sobre a vida, doutrina e morte de Huss.

 

A vida de Huss

 

Em 1390, Huss, cujos primeiros anos permanecem desconhecidos, matriculou-se na Universidade de Praga com a intenção de treinar para o sacerdócio. Posteriormente, ele confessou que o ministério ordenado o atraiu por sua promessa de proporcionar uma vida confortável e estima mundana. Apesar de dedicar, por sua própria confissão, muito tempo para jogar xadrez, Huss se destacou em seus estudos e após receber o seu mestrado em 1396, vinculou-se à faculdade de filosofia da universidade.

 

Pouco depois de começar a ensinar, Huss experimentou, nas palavras de um biógrafo, uma “mudança radical e fundamental”, resultando em um compromisso mais profundo com Cristo. Essa “mudança” pode ter se originado da exposição ao pensamento de John Wycliffe, cujas ideias estavam começando a criar uma comoção em Praga. O programa de reforma de Wycliffe — que incluía críticas estridentes à imoralidade clerical, rejeição da doutrina medieval da transubstanciação e insistência sobre o acesso leigo à Escritura na língua vernácula — chegou à Boêmia graças, em grande parte, aos estudantes tchecos que estudaram na própria Universidade de Oxford de Wycliffe e voltaram para casa com as mentes repletas das ideias de Wycliffe e as mochilas cheias de livros de Wycliffe.

 

Em 1403, o conflito sobre as ideias de Wycliffe chegou ao ponto alto na Universidade de Praga. Embora Huss se opusesse à rejeição da transubstanciação de Wycliffe, concordou com muito do que o reformador inglês havia dito, e passou a defender o partido reformista pró-Wycliffe. Apenas um ano antes, Huss fora nomeado pregador da Capela de Belém, no centro de Praga. Seus sermões no púlpito de Belém refletiam cada vez mais a preocupação de Wycliffe com a corrupção no interior da igreja.

 

A pregação do “pequeno ganso de Deus”, como Huss veio a ser chamado, era imensamente popular, atraindo multidões de vários milhares. Huss estava desejoso de tornar as Escrituras e sua mensagem reformadora acessíveis ao povo. Ele não só pregou em tcheco, mas traduziu partes da liturgia, assim como vários hinos latinos para a língua vernácula. Ele mesmo aproveitou o espaço vazio na capela para promover a sua mensagem, colocando murais que contrastavam a humildade e simplicidade de Cristo com a vaidade e a ganância dos sacerdotes contemporâneos.

 

Em 1409, o papado, perturbado pela crescente fama de Huss, ordenou ao arcebispo de Praga que proibisse qualquer outra pregação na Capela de Belém. Huss se recusou a abandonar seu púlpito. No ano seguinte, o arcebispo excomungou Huss com base em heresia e logo depois fugiu da cidade por medo de represálias populares. Huss continuou pregando. Em 1411, o papado, que tinha então emitido uma segunda excomunhão de Huss (sem efeito), colocou toda a cidade de Praga sob interdito, proibindo, assim, o clero de Praga de oferecer sermões, casamentos, a eucaristia, ou outros serviços religiosos ao povo.

 

Inicialmente, o interdito do papa teve pouca força graças ao rei Wenceslaus IV, da Boêmia. Wenceslau (cujo nome desde o século décimo se tornaria depois o tema de um hino de Natal) apoiou Huss e ordenou ao clero de Praga que ignorasse o interdito. Em 1412, no entanto, as circunstâncias colocaram Huss e Wenceslau um contra o outro. O papado começou a vender indulgências na Boêmia para arrecadar dinheiro para uma campanha militar. Wenceslau não fez nenhuma objeção a isso, em grande medida porque recebeu uma parte dos ganhos. Mas Huss, que via a venda das indulgências como sinal da corrupção da igreja, protestou tanto do púlpito quanto da tribuna. O rei, ansioso para manter a sua renda recém-descoberta, proibiu a crítica das indulgências. Ele reforçou essa proibição ao decapitar vários homens que falaram contra as indulgências. A fim de enfraquecer ainda mais Huss, o rei agora mandou ao clero de Praga que cumprissem o interdito do papa.

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Huss, relutante em ver as pessoas privadas da Palavra e do sacramento, saiu de Praga em 1412. Passou os dois anos seguintes em exílio auto-imposto no sul da Boêmia, escrevendo obras que aprofundaram seus ideais reformadores. Em 1414, foi citado para comparecer perante o Concílio de Constança, para responder às acusações de heresia, e lhe foi prometido um retorno seguro do concílio pelo imperador Sigismundo, irmão do rei Wenceslaus. Huss concordou em participar do concílio, consciente de que ele não retornaria, mas esperançoso de que poderia ter oportunidade de promover sua visão para a reforma da igreja. Ao chegar em Constança, em novembro de 1414, ele foi aprisionado e permaneceu preso até o seu julgamento e execução no verão seguinte.

 

A teologia de Huss

 

Huss não era mero imitador de Wycliffe, como alguns estudiosos têm sugerido. Nem, como outros têm indicado, ele antecipou o protestantismo em todos os aspectos. Contra ambos, Wycliffe e os reformadores, ele defendeu a doutrina da transubstanciação, embora negasse que os sacerdotes por si mesmos têm o poder de realizar a transformação do pão no corpo de Cristo. Contra a doutrina protestante de sola fide, ele cria que a caridade desempenha um papel instrumental na justificação dos pecadores.

 

Contudo, Huss antecipou uma série de convicções-chave do protestantismo. Ele criticou a veneração idólatra dos seus contemporâneos de Maria e dos santos. Ele também criticou a prática medieval de reter o cálice do povo comum (por temor, ostensivamente, para que não lidassem de modo indevido com o sangue de Cristo) e oferecer-lhes apenas o pão na eucaristia. A insistência de Huss de que os leigos recebessem pão e vinho veio a marcar os seus seguidores de modo que, quando forçados a se defenderem militarmente após a morte de Huss, incorporaram um cálice no brasão.

 

Ele também antecipou os reformadores — e revelou a extensão de sua dívida com Wycliffe — em sua doutrina da igreja. Huss identificou a verdadeira igreja com aquele corpo invisível de crentes no passado, presente e futuro que foram eternamente eleitos por Deus para a salvação e incorporados em Cristo como a sua cabeça. Nem todos os membros da igreja visível, argumentou ele, pertencem à igreja invisível, e quando o clero em particular prova ser reprovado por suas ações, sua autoridade é suspeita. Essa doutrina baseou as severas críticas de Huss a sacerdotes e papas como “anticristo” e sua disposição em desconsiderar as bulas papais quando claramente contradiziam as Escrituras.

 

 

 

Intimamente relacionada com sua doutrina da igreja, estava a doutrina de Huss sobre as Escrituras. Huss rejeitou qualquer alegação de que a igreja visível, que em qualquer momento poderia ser mais povoada pelos réprobos do que pelos eleitos, exercia a infalibilidade em suas decisões ou interpretações da Escritura. Ele mantinha as vozes tradicionais na igreja, especialmente os pais da igreja, em alta consideração; na verdade, ele privilegiava a interpretação das Escrituras por parte dos pais da igreja sobre a interpretação de qualquer indivíduo, incluindo a sua própria. Mas Huss admitiu que até os pais poderiam errar. Assim, ele reconheceu a Sagrada Escritura como a única regra infalível da fé e prática cristã, uma visão que os reformadores expressariam com o slogan sola Scriptura.

 

A morte de Huss

 

Huss teve oportunidade limitada de defender sua doutrina no Concílio de Constança, e ele acabou sendo condenado por uma mistura de afirmações legítimas e espúrias sobre suas crenças. Ele foi chamado a negar os ensinamentos falsamente atribuídos a ele. Huss recusou-se a fazê-lo, embora selasse seu destino, porque não queria perjurar-se admitindo crenças que não possuía.

 

Em 6 de julho de 1415, Huss foi despojado das suas vestes clericais, enfeitado com um chapéu de burro com desenhos de demônios, amarrado a uma estaca, e queimado até a morte. De acordo com um relato de testemunhas oculares, ele confiou a sua alma a Deus e cantou um hino a Cristo enquanto as chamas o envolviam. Uma vez morto, as autoridades trituraram seus restos mortais e os jogaram no rio Reno para impedir que fossem venerados por seus seguidores. Ironicamente, Huss provavelmente teria apreciado esse gesto final.

 

Huss nunca pronunciou realmente a famosa profecia atribuída a ele na ocasião de sua morte. Ele expressou, numa carta que escreveu durante a sua prisão, a esperança de que “pássaros” mais fortes do que ele surgiriam para continuar seu trabalho. De fato, foi Lutero, em escritos da década de 1530, que transformou as palavras de Huss em um oráculo que encontrou sua realização nele. Seja como for, acredita-se que Huss se alegraria ao ver o dia de Lutero e ficaria feliz em reconhecer a obra de Lutero e os subsequentes esforços para reformar a igreja de acordo com a Palavra de Deus como uma continuação digna dos seus próprios labores.

 

 

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: The Goose

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

 

Aaron Denlinger

Dr. Aaron C. Denlinger é diretor de departamento em latim na Academia Arma Dei em Highlands Ranch, Colo., Professor adjunto de história da igreja.

Material complementar (Com Podcast e Filme)

http://bibotalk.com/podcast/btcast-033-john-huss/

 

Discipulado: o que é, o que fazer e como começar

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Texto de Bobby Jamieson

Nota do editor: Este é um folheto que a liderança da Capitol Hill Baptist Church distribui a novos membros. Pensamos que pode ser útil também a outras igrejas, embora você precise alterar os detalhes necessários.

 

Novos membros de igreja têm muitas perguntas. Uma muito comum é: Como eu me envolvo em um relacionamento de discipulado?

 

Que importante pergunta! Discipulado é crucial para o nosso crescimento cristão enquanto indivíduos, assim como para tornar o evangelho visível em nossa vida comunitária como igreja. Assim, nós fazemos todo o possível para cultivar uma cultura de discipulado em nossa igreja.

 

  1. O que queremos dizer por “discipulado”?

 

Em certo sentido, quase tudo o que fazemos como igreja local é sobre ser e fazer discípulos. Os cânticos cantados, as orações oradas e, certamente, os sermões pregados todos almejam nos edificar para sermos discípulos que glorifiquem a Deus.

 

Mas, neste folheto, temos algo mais específico em mente ao usarmos a palavra “discipulado”. Estamos pensando particularmente em relacionamentos individuais. Mais formalmente, estamos falando sobre o encorajamento intencional e o treinamento de discípulos de Jesus com base em relacionamentos deliberadamente amorosos.

 

Jesus nos diz para acompanharmos uns aos outros deste modo: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15.12). Como Jesus amou os seus discípulos de maneiras que possam ser imitadas? Ele os amou intencional, propositada, humilde, alegre e normalmente. Vamos pensar nessas descrições.

 

Intencional: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros […]” (João 15.16a). Jesus não simplesmente esbarrou em seus discípulos; ele tomou uma amorosa iniciativa. Ele os escolheu. O amor semelhante ao de Cristo não é passivo; ele toma iniciativa. Amar outros cristãos como Cristo nos amou significa tomar a iniciativa.

 

Propositado: “e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15.16b). O amor de Cristo por seus discípulos é propositado. Ele os chamou a darem fruto para a glória de Deus. Em outras palavras, o seu amor não é meramente sentimental, mas tem o compromisso maravilhoso de glorificar a Deus. Se havemos de amar uns aos outros como Cristo nos amou, certamente iremos compartilhar os objetivos de Jesus para conosco, isto é, o bem espiritual dos nossos amigos e a glória de Deus por meio da alegria deles no evangelho.

 

Humilde: Jesus diz: “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (João 15.9) e “Já não vos chamo servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (João 15.15a). Jesus condescende em ser nosso amigo, muito embora esteja ele infinitamente acima e além de nós em majestade, santidade e honra. Certamente, então, nós devemos nos relacionar com toda a humildade com nossos irmãos e irmãs com quem compartilhamos a queda. Nós os tratamos como amigos a quem amamos, não como “projetos” ou “inferiores”. Nós não nos colocamos por cima, antes honramos e cuidamos.

 

Alegre: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós” (João 15.11, ARC). Jesus nos ordena a amarmos uns aos outros a fim de conhecermos a sua alegria. Cuidar de outros cristãos e encorajar o seu crescimento na graça pode ser trabalho árduo. Mas é um trabalho maravilhoso e Jesus diz que é um trabalho que traz alegria!

 

Normal: Jesus torna esse tipo de discipulado amoroso o seu mandamento básico para todo o seu povo e, assim, algo normal para todos os cristãos. Ouça novamente: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Não é surpreendente que você encontre essa conversa sobre o discipulado cristão básico ao longo da Palavra de Deus:

 

“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3.13).

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10).

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1 Tessalonicenses 5.11).

O Novo Testamento está cheio de tais exortações. Jesus e os apóstolos não desejavam que o discipulado entre cristãos fosse excepcional, e sim normal.

 

Como um membro de nossa igreja, nós desejamos que você seja

 

intencional,

proposital,

humilde

e alegre

à medida que nós trabalhamos juntos para tornar normal esse tipo de relacionamento entre indivíduos.

 

Faça isso deixando que as pessoas o conheçam. Faça isso trabalhando para conhecê-las. De fato, todo o nosso trabalho consiste em cultivar uma cultura de discipulado neste lugar.

 

  1. O que queremos dizer por uma “cultura de discipulado”?

 

Você provavelmente ouvirá bastante essa expressão entre nós. A maioria dos dicionários define “cultura” mais ou menos como “os valores, objetivos e práticas compartilhados que caracterizam um grupo”. É basicamente isso o que temos em mente no que se refere ao discipulado em nossa igreja. Nós não queremos apenas um programa, queremos que o amor e o encorajamento mútuos sejam um valor, um objetivo e uma prática que caracterizem cada um de nós de maneira crescente.

 

Programas formais não são necessariamente ruins, mas nós queremos ter certeza de que não nos desviamos do ideal bíblico. E o ideal bíblico, como dissemos, é nos tornarmos um lugar em que seja normal tomar a iniciativa de fazer o bem espiritual uns aos outros. Nós não precisamos nos inscrever em nada nem obter permissão alguma para começarmos a amar nossos companheiros de membresia dessa maneira. Tampouco você deseja uma igreja na qual o discipulado ocorre apenas quando sustentado pela liderança. Essa não é uma igreja saudável! Não, nós queremos que você ore e pense em como pode se envolver. E então converse com um presbítero ou algum outro membro sobre suas oportunidades e mordomias peculiares.

 

  1. O que eu devo fazer em um relacionamento de discipulado?

 

O aspecto mais significativo de qualquer relacionamento de discipulado, com frequência, não é exatamente o que vocês fazem ao se encontrarem, mas o fato de vocês edificarem um relacionamento que tenha a verdade bíblica em seu âmago. Desse modo, não há um “programa estabelecido” para relacionamentos de discipulado em nossa igreja. Os membros fazem uma variedade de coisas:

 

Reúnem-se semanalmente para discutir o sermão de domingo, um livro cristão ou um livro da Bíblia.

Participam juntos de um Seminário Essencial[1] e discutem aplicações específicas para a vida uns dos outros.

Convidam membros solteiros para se ajuntarem às devoções familiares.

Acompanham mães com crianças pequenas em suas caminhadas.

Ajudam pais no trabalho de jardinagem e buscam conselhos.

Agendam “dias de jogos” para as crianças e conversam sobre o sermão dominical da noite.

Os exemplos abundam e os locais de encontro são flexíveis. O que é importante, de novo, é que você busque uma ocasião na qual tenha tempo para se relacionar com outro membro com o alvo intencional de encorajar e ser encorajado pela verdade da Palavra de Deus.

 

Então, seja criativo! Mas seja intencional com respeito a amar uns aos outros do melhor modo, o mais elevado e mais bíblico – almejando fazer o bem espiritual a outra pessoa.

 

Se você necessitar de ainda mais ajuda para pensar em relacionamentos de discipulado, nós temos um Seminário Essencial de treze semanas a respeito de discipulado. Participe dele na próxima vez que for oferecido, nas manhãs de domingo, às 9h30min. Ou baixe a apostila da aula sobre discipulado em www.capitolhillbaptist.org.[2]

 

  1. Como eu posso entrar em um relacionamento de discipulado?

 

Há três maneiras de estabelecer um relacionamento de discipulado em nossa igreja. Primeiro, tome a iniciativa pessoal de tentar construir um relacionamento de discipulado com qualquer outro membro (do mesmo gênero seu, por favor). Não é preciso nenhuma permissão da liderança! Em vez disso, chegue cedo à igreja. Fique até tarde. Participe das refeições após os cultos nas noites de domingo. E comece a conhecer outras pessoas. Com o tempo, esperamos que você começará a construir o tipo de relacionamento no qual essas coisas acontecem naturalmente.

 

Segundo, peça ao líder do seu pequeno grupo sugestões e auxílio, se você participar de um pequeno grupo (o que não é obrigatório). Eles podem não estar livres para se encontrar com você regularmente, mas, à medida que o conhecerem melhor, possivelmente eles poderão ajudá-lo a se conectar com outro membro que possa fazê-lo.

 

Terceiro, se nenhum desses caminhos resultarem num relacionamento de discipulado regular, sinta-se livre para contatar um dos líderes da igreja para obter ajuda. Sempre há um número de membros que, por causa da agenda, da geografia ou de outras razões, têm dificuldade em se conectarem individualmente a outros membros. Nesses casos, a liderança da igreja tem o prazer de ajudar. Apenas ligue para o gabinete e agende com um dos pastores auxiliares.

 

Nós o encorajamos, de fato, a começar por sua própria iniciativa. Isso pode levá-lo a alongar, ou até mesmo desenvolver, os músculos da disciplina e do evangelismo que irão servir a você mesmo e a outros por anos a fio. Você pode descobrir que fazer isso é uma das experiências mais satisfatórias em sua vida como cristão. E você pode se ver compreendendo mais claramente o que Jesus pretendia ao dizer: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

 

Notas:

[1] N.T.: Seminários Essenciais (Core Seminars) são classes de escola dominical para adultos, oferecidas na Capitol Hill Baptist Church, com o objetivo de ajudar os membros a compreenderem “as sutis complexidades e as abrangentes verdades do nosso Deus e da teologia, do ministério e da história que ele escreveu”.

[2] N.T.: Em inglês.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.