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Discipulado: o que é, o que fazer e como começar

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Texto de Bobby Jamieson

Nota do editor: Este é um folheto que a liderança da Capitol Hill Baptist Church distribui a novos membros. Pensamos que pode ser útil também a outras igrejas, embora você precise alterar os detalhes necessários.

 

Novos membros de igreja têm muitas perguntas. Uma muito comum é: Como eu me envolvo em um relacionamento de discipulado?

 

Que importante pergunta! Discipulado é crucial para o nosso crescimento cristão enquanto indivíduos, assim como para tornar o evangelho visível em nossa vida comunitária como igreja. Assim, nós fazemos todo o possível para cultivar uma cultura de discipulado em nossa igreja.

 

  1. O que queremos dizer por “discipulado”?

 

Em certo sentido, quase tudo o que fazemos como igreja local é sobre ser e fazer discípulos. Os cânticos cantados, as orações oradas e, certamente, os sermões pregados todos almejam nos edificar para sermos discípulos que glorifiquem a Deus.

 

Mas, neste folheto, temos algo mais específico em mente ao usarmos a palavra “discipulado”. Estamos pensando particularmente em relacionamentos individuais. Mais formalmente, estamos falando sobre o encorajamento intencional e o treinamento de discípulos de Jesus com base em relacionamentos deliberadamente amorosos.

 

Jesus nos diz para acompanharmos uns aos outros deste modo: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15.12). Como Jesus amou os seus discípulos de maneiras que possam ser imitadas? Ele os amou intencional, propositada, humilde, alegre e normalmente. Vamos pensar nessas descrições.

 

Intencional: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros […]” (João 15.16a). Jesus não simplesmente esbarrou em seus discípulos; ele tomou uma amorosa iniciativa. Ele os escolheu. O amor semelhante ao de Cristo não é passivo; ele toma iniciativa. Amar outros cristãos como Cristo nos amou significa tomar a iniciativa.

 

Propositado: “e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15.16b). O amor de Cristo por seus discípulos é propositado. Ele os chamou a darem fruto para a glória de Deus. Em outras palavras, o seu amor não é meramente sentimental, mas tem o compromisso maravilhoso de glorificar a Deus. Se havemos de amar uns aos outros como Cristo nos amou, certamente iremos compartilhar os objetivos de Jesus para conosco, isto é, o bem espiritual dos nossos amigos e a glória de Deus por meio da alegria deles no evangelho.

 

Humilde: Jesus diz: “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (João 15.9) e “Já não vos chamo servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (João 15.15a). Jesus condescende em ser nosso amigo, muito embora esteja ele infinitamente acima e além de nós em majestade, santidade e honra. Certamente, então, nós devemos nos relacionar com toda a humildade com nossos irmãos e irmãs com quem compartilhamos a queda. Nós os tratamos como amigos a quem amamos, não como “projetos” ou “inferiores”. Nós não nos colocamos por cima, antes honramos e cuidamos.

 

Alegre: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós” (João 15.11, ARC). Jesus nos ordena a amarmos uns aos outros a fim de conhecermos a sua alegria. Cuidar de outros cristãos e encorajar o seu crescimento na graça pode ser trabalho árduo. Mas é um trabalho maravilhoso e Jesus diz que é um trabalho que traz alegria!

 

Normal: Jesus torna esse tipo de discipulado amoroso o seu mandamento básico para todo o seu povo e, assim, algo normal para todos os cristãos. Ouça novamente: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Não é surpreendente que você encontre essa conversa sobre o discipulado cristão básico ao longo da Palavra de Deus:

 

“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3.13).

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10).

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1 Tessalonicenses 5.11).

O Novo Testamento está cheio de tais exortações. Jesus e os apóstolos não desejavam que o discipulado entre cristãos fosse excepcional, e sim normal.

 

Como um membro de nossa igreja, nós desejamos que você seja

 

intencional,

proposital,

humilde

e alegre

à medida que nós trabalhamos juntos para tornar normal esse tipo de relacionamento entre indivíduos.

 

Faça isso deixando que as pessoas o conheçam. Faça isso trabalhando para conhecê-las. De fato, todo o nosso trabalho consiste em cultivar uma cultura de discipulado neste lugar.

 

  1. O que queremos dizer por uma “cultura de discipulado”?

 

Você provavelmente ouvirá bastante essa expressão entre nós. A maioria dos dicionários define “cultura” mais ou menos como “os valores, objetivos e práticas compartilhados que caracterizam um grupo”. É basicamente isso o que temos em mente no que se refere ao discipulado em nossa igreja. Nós não queremos apenas um programa, queremos que o amor e o encorajamento mútuos sejam um valor, um objetivo e uma prática que caracterizem cada um de nós de maneira crescente.

 

Programas formais não são necessariamente ruins, mas nós queremos ter certeza de que não nos desviamos do ideal bíblico. E o ideal bíblico, como dissemos, é nos tornarmos um lugar em que seja normal tomar a iniciativa de fazer o bem espiritual uns aos outros. Nós não precisamos nos inscrever em nada nem obter permissão alguma para começarmos a amar nossos companheiros de membresia dessa maneira. Tampouco você deseja uma igreja na qual o discipulado ocorre apenas quando sustentado pela liderança. Essa não é uma igreja saudável! Não, nós queremos que você ore e pense em como pode se envolver. E então converse com um presbítero ou algum outro membro sobre suas oportunidades e mordomias peculiares.

 

  1. O que eu devo fazer em um relacionamento de discipulado?

 

O aspecto mais significativo de qualquer relacionamento de discipulado, com frequência, não é exatamente o que vocês fazem ao se encontrarem, mas o fato de vocês edificarem um relacionamento que tenha a verdade bíblica em seu âmago. Desse modo, não há um “programa estabelecido” para relacionamentos de discipulado em nossa igreja. Os membros fazem uma variedade de coisas:

 

Reúnem-se semanalmente para discutir o sermão de domingo, um livro cristão ou um livro da Bíblia.

Participam juntos de um Seminário Essencial[1] e discutem aplicações específicas para a vida uns dos outros.

Convidam membros solteiros para se ajuntarem às devoções familiares.

Acompanham mães com crianças pequenas em suas caminhadas.

Ajudam pais no trabalho de jardinagem e buscam conselhos.

Agendam “dias de jogos” para as crianças e conversam sobre o sermão dominical da noite.

Os exemplos abundam e os locais de encontro são flexíveis. O que é importante, de novo, é que você busque uma ocasião na qual tenha tempo para se relacionar com outro membro com o alvo intencional de encorajar e ser encorajado pela verdade da Palavra de Deus.

 

Então, seja criativo! Mas seja intencional com respeito a amar uns aos outros do melhor modo, o mais elevado e mais bíblico – almejando fazer o bem espiritual a outra pessoa.

 

Se você necessitar de ainda mais ajuda para pensar em relacionamentos de discipulado, nós temos um Seminário Essencial de treze semanas a respeito de discipulado. Participe dele na próxima vez que for oferecido, nas manhãs de domingo, às 9h30min. Ou baixe a apostila da aula sobre discipulado em www.capitolhillbaptist.org.[2]

 

  1. Como eu posso entrar em um relacionamento de discipulado?

 

Há três maneiras de estabelecer um relacionamento de discipulado em nossa igreja. Primeiro, tome a iniciativa pessoal de tentar construir um relacionamento de discipulado com qualquer outro membro (do mesmo gênero seu, por favor). Não é preciso nenhuma permissão da liderança! Em vez disso, chegue cedo à igreja. Fique até tarde. Participe das refeições após os cultos nas noites de domingo. E comece a conhecer outras pessoas. Com o tempo, esperamos que você começará a construir o tipo de relacionamento no qual essas coisas acontecem naturalmente.

 

Segundo, peça ao líder do seu pequeno grupo sugestões e auxílio, se você participar de um pequeno grupo (o que não é obrigatório). Eles podem não estar livres para se encontrar com você regularmente, mas, à medida que o conhecerem melhor, possivelmente eles poderão ajudá-lo a se conectar com outro membro que possa fazê-lo.

 

Terceiro, se nenhum desses caminhos resultarem num relacionamento de discipulado regular, sinta-se livre para contatar um dos líderes da igreja para obter ajuda. Sempre há um número de membros que, por causa da agenda, da geografia ou de outras razões, têm dificuldade em se conectarem individualmente a outros membros. Nesses casos, a liderança da igreja tem o prazer de ajudar. Apenas ligue para o gabinete e agende com um dos pastores auxiliares.

 

Nós o encorajamos, de fato, a começar por sua própria iniciativa. Isso pode levá-lo a alongar, ou até mesmo desenvolver, os músculos da disciplina e do evangelismo que irão servir a você mesmo e a outros por anos a fio. Você pode descobrir que fazer isso é uma das experiências mais satisfatórias em sua vida como cristão. E você pode se ver compreendendo mais claramente o que Jesus pretendia ao dizer: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

 

Notas:

[1] N.T.: Seminários Essenciais (Core Seminars) são classes de escola dominical para adultos, oferecidas na Capitol Hill Baptist Church, com o objetivo de ajudar os membros a compreenderem “as sutis complexidades e as abrangentes verdades do nosso Deus e da teologia, do ministério e da história que ele escreveu”.

[2] N.T.: Em inglês.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Levando seu trabalho para o exterior em prol do evangelho

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Texto de Andy Johnson

Você já pensou em realizar negócios em prol de missões? Você deveria. Permita-me dar-lhe duas ilustrações do que é isso.

Recentemente eu estava sentado em um restaurante asiático em Londres, conversando com um ex-membro da igreja cujo pastor eu ajudei em Washington. Ele e sua jovem família tinham se mudado um ano antes para Londres, especificamente para ajudar uma igreja em dificuldades nas proximidades. Ele faria isso como um membro fiel da igreja com um trabalho comum. Recentemente, ele se tornou um presbítero na congregação, e seu pastor (também um amigo meu) confidenciou-me depois que a presença dessa família fiel ajudou a mantê-lo trabalhando no solo rochoso da Londres pós-cristã.

 

Essa é uma ilustração. Aqui está outra. Exatamente um mês antes, eu estava sentado em um restaurante de espetinhos menos elegante em uma região problemática da Ásia Central. Estava visitando outra jovem família da nossa igreja em Washington. Eles também haviam se mudado recentemente com seus empregos para uma cidade a poucos quilômetros das linhas de frente do Estado Islâmico (ISIS). Eles estavam se unindo a um casal missionário de tempo integral enviado um ano antes. Eles não se viam como missionários plantadores de igrejas em tempo integral. Simplesmente amavam fazer o seu trabalho educativo sem fins lucrativos com os refugiados. Mas, rapidamente, eles estavam se tornando úteis para a sua pequena igreja internacional. Certamente, havia lutas espirituais no entorno deles, mas essa família parecia animada com o seu futuro.

 

Tem sido uma alegria ver esses tipos de situações se refletindo com frequência por duas décadas. Pessoas comuns descobrem como usar as suas habilidades e vocações para apoiar a obra do evangelho em lugares difíceis, não como plantadores de igrejas ou “missionários”, mas como cristãos comuns e fiéis.

 

As pessoas chamam esse tipo de atividade por muitos nomes diferentes: Negócios como Missões, Fazedores de tendas[1] e Profissionais de Mercado Móvel. Alguns termos são melhores do que outros. Alguns carregam um pouco de bagagem teológica desnecessária. Mas todos os termos são variações da mesma ideia: cristãos que se inserem em uma cultura por meio do mercado podem usufruir de acesso, bem como de vantagens financeiras e relacionais, que as pessoas no ministério vocacional não podem. Além disso, eles serão capazes de ajudar as pessoas no ministério de tempo integral em lugares difíceis.

 

Se você nunca pensou em levar o seu trabalho para o exterior em prol do evangelho, pense nisso. Aqui estão algumas coisas que tenho observado nos últimos 20 anos de encorajamento desse tipo de atividade.

 

  1. Reconheça a sua necessidade para a comunidade.

 

Quando as pessoas começam a pensar em se mudar para o exterior com seus empregos para os propósitos do evangelho, alguns imaginam um trabalho pioneiro em lugares não-alcançados. Em vez disso, a maioria deve pensar em se unir a igrejas já estabelecidas no exterior, e não em fazer experimentos novos entre os não-alcançados. Todos precisam da comunidade, de prestação de contas e de ajuda no ministério. Estruturas de apoio da comunidade há 16.000 quilômetros de distância não são exatamente ideais. Em vez disso, você deve ir a um lugar onde haja uma boa igreja local em uma língua que você entende, ou pelo menos uma equipe missionária local muito forte que possa preencher essa lacuna. É uma raridade que alguém consiga trabalhar mais de 40 horas por semana, em uma nova cultura, e sustentar a si mesmo e sua família sem uma igreja.

 

  1. Reconheça que uma igreja local é uma plataforma para o ministério em todos os lugares.

 

Você não somente deveria considerar mudar para um lugar com uma igreja local saudável em uma língua que você entende, mas ainda melhor, você deveria apoiar essa igreja como o foco principal do seu ministério. Os profissionais cristãos mais nitidamente frutíferos que tenho observado fazem exatamente isso.

 

Muitas vezes, é difícil ver como tanto ministério frutífero vem pela comunhão, cooperação e testemunho de uma congregação local de crentes. Mas esses frutos podem se tornar evidentes em uma nova cultura. O ensino, as interações e o testemunho público coletivo de uma congregação local é uma representação do evangelho ainda mais poderosa do que a nossa conduta privada no trabalho. É verdade que pode haver lugares onde ainda não exista uma igreja com a qual vincular-se, e pode haver lugares onde os profissionais cristãos precisarão se reunir com algumas famílias missionárias. Porém, a maioria das pessoas florescem espiritualmente quando há uma igreja local que funciona como o centro de suas vidas e ministério. E há pequenas igrejas assim em todo o mundo.

 

  1. Tenha expectativas otimistas e realistas.

 

A maioria dos cristãos não deseja ou se sente capacitada para ser um membro da equipe de tempo integral de uma igreja local. E a maioria deles está muito feliz no estilo de vida e relacionamentos que Deus lhes deu. Eu, pessoalmente, passei quase 20 anos da minha vida como um empresário ou um empregado e encontrei uma grande alegria como um cristão naquela época. E, no entanto, essas pessoas geralmente terão muito menos tempo livre para oferecer ao ministério do que uma pessoa em tempo integral na equipe da igreja.

 

O mesmo é verdade quanto às pessoas que se mudam para o exterior com um trabalho paralelo à obra do evangelho. Eles não terão a mesma quantidade de tempo para estudar a língua ou para apoiar muitos aspectos do ministério, como um missionário de tempo integral terá. A boa notícia é que o que eles fazem pode ser mais estratégico se estiverem em um lugar onde os cristãos bíblicos são poucos e infrequentes.

 

  1. Entenda por que isso não é o mesmo que ser enviado como missionário.

 

Em 3 João, o apóstolo João descreve o tipo de pessoa a quem os cristãos têm se referido historicamente como missionário. Trata-se de alguém que foi enviado por uma igreja para fazer o nome de Cristo conhecido, e ele ou ela confia na igreja (não nos pagãos) para o seu apoio. E João ordena aos cristãos (ele usa a insistente palavra “devemos”) para apoiar essas pessoas e se associar a elas na verdade do evangelho.

 

Em outras palavras, mudar-se para o exterior com um trabalho para estar ao lado de uma igreja ou de uma equipe missionária não é a mesma coisa que ser um missionário, mas é absolutamente valioso. Percebo que algumas pessoas ficarão ofendidas por essa distinção. Mas eu acho que a maioria de nós entende isso. Nem todos são mestres ou presbíteros na igreja, mas cada um ainda tem um papel valioso a desempenhar (1 Coríntios 12.12-31). “Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve”. Você não precisa ter um título ou um cargo específico para ser uma bênção para a obra de Cristo.

 

  1. Entenda por que negócios em prol de missões é algo tão bom.

 

A maioria de nós precisa se sustentar com um trabalho. A maioria de nós nunca desfrutará dos benefícios (e fardos) de trabalhar em tempo integral na obra do evangelho. Tanto 1 como 2 Tessalonicenses retratam muito claramente a normalidade e bondade da vida cristã comum e que se autossustenta. Porém, muitos de nós podem escolher onde vivem. E aqui, a liberdade cristã nos dá uma grande variedade de escolhas. Alguns podem escolher deixar uma igreja que amam para ajudar na plantação de uma igreja no outro lado da sua cidade. Alguns se enraizarão profundamente e permanecerão na mesma igreja, mesmo à custa de novos e estimulantes empregos ou oportunidades. E alguns podem optar por desarraigar sua vida e mudar-se para um país diferente para incentivar a obra do evangelho onde os trabalhadores são poucos. Todas são ótimas opções. Todas são partes dos modos normais pelos quais Deus pretende que suas igrejas cresçam em maturidade e seu evangelho seja propagado. Então, pense sobre o que seria possível para você e onde sua vida poderia ser gasta de modo mais frutífero.

 

  1. Obtenha ajuda para avaliar a si mesmo e analisar opções.

 

Os cristãos devem pensar muito cuidadosamente antes de mudarem de emprego e se afastarem de uma igreja onde estão prosperando atualmente. A saúde espiritual não é algo a ser tratado tão levemente. Mas isso é especialmente verdadeiro para os cristãos que pensam em se mudar especificamente para se unirem a um testemunho local em outra cultura. Nem todo mundo deve fazer isso. Precisamos estar abertos para ouvirmos amigos de confiança nos dizerem para ficarmos. Os bons candidatos para se mudar para o exterior são os cristãos que serão ajudadores do ministério, não os cristãos cujas necessidades ou desafios exigem muito cuidado pastoral. É necessária muita humildade para ouvir esse tipo de opinião. Alguns de nós podem ser mais estratégicos ao permanecerem e continuarem a crescer, por enquanto.

 

Para aqueles que consideram mudança focada no evangelho, a humildade pode significar obter ajuda pensando em poucos lugares em vez de ver o mundo inteiro como sua ostra. Comece por considerar os locais no exterior onde sua igreja já está envolvida. Existe uma igreja internacional ou uma equipe missionária firme em uma cidade onde você pode considerar se mudar? Como você poderia unir-se e encorajar os líderes como um membro daquela congregação? Essa pode não ser a sua primeira escolha, mas eventualmente você perceberá que trabalhar com as pessoas certas é quase sempre mais importante do que encontrar o lugar perfeito.

 

Considere também qualquer organização missionária com a qual sua igreja coopere e se eles têm algum recurso. Minha própria igreja trabalha com o Conselho Internacional de Missões da Convenção Batista do Sul. Essa organização missionária tem uma Iniciativa Global de Cidades destinada a ajudar as igrejas a considerarem como ajudar os membros a usarem seus empregos para ajudar missionários de tempo integral em algumas cidades específicas. Seus próprios missionários ou organizações podem ser capazes de fornecer suporte semelhante.

 

  1. Negócios em prol de missões não é uma “chave de ouro”; mas o que é?

 

Muitos que começam o processo de mudança de lugar logo descobrem que encontrar um emprego e atravessar o mundo dá muito trabalho! E uma vez lá, as pessoas ficam, por vezes, decepcionadas por descobrir quão semelhante é a sua vida em relação ao que era em seu país de origem. Você cuida das crianças, vai para o trabalho, conhece os vizinhos, fala sobre o evangelho quando pode, ajuda o ministério de uma igreja local, continua semeando e espera com esperança. Mas, agora, as barreiras da linguagem e da cultura podem tornar tudo mais lento do que em casa.

 

Negócios em prol de missões não são uma “chave de ouro” para as missões, como se essa estratégia revolucionasse as missões e tornasse tudo mais fácil.

 

Mas apenas porque algo não garante um caminho para o fruto evangélico rápido e fácil, isso não o torna ruim. Em vez disso, apenas o torna real, normal e algo que, segundo a Bíblia, devemos esperar.

 

Enquanto manifestamos a Palavra e valorizamos o evangelho, enquanto vivemos vidas de santidade e amor, enquanto proclamamos o evangelho ao mundo e discipulamos pessoas na igreja, enquanto treinamos pastores e enviamos missionários e plantamos novas igrejas e incentivamos vidas fiéis entre todos, Deus promete que nossos esforços comuns resultarão em um fim extraordinário. Na mão de Deus, a fidelidade pequena e comum alcança a eternidade.

 

Então, talvez você ou alguém em sua igreja seja capaz de viver a vida comum entre os irmãos em um lugar onde cristãos fiéis são um em um milhão, em vez de um em cada dez. O que você acha?

 

Seus dons e talentos comuns podem ser um tesouro para uma congregação na Malásia, Londres, Istambul ou Dubai. Sim, ainda haverá uma enorme necessidade de missionários pioneiros em tempo integral e enviados pela igreja. Sim, essa não será a única ferramenta para abrir o mundo para Cristo. Certamente, essa não é a estratégia para lugares totalmente não-alcançados ou longínquos. Mas pode ser uma maneira maravilhosa de muitos cristãos aproveitarem as suas vidas como uma parte pequena e gloriosa do sábio plano que Cristo tem de usar a fidelidade simples, comum e mesmo secular do seu povo para mostrar a sua glória ao universo (Efésios 3.10). E esse não é um modo ruim de fazer o seu trabalho e gastar a sua vida.

 

 

 

#1: N.T.: O termo original, “Tentmakers”, provavelmente faz uma referência ao apóstolo Paulo e aos seus cooperadores, Priscila e Áquila, que faziam tendas enquanto tinham como o seu principal objetivo propagar o evangelho de Jesus Cristo (Atos 18.1-5).

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: Take Your Job Overseas—Introducing Business for Missions

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Dica para complementar

http://sepal.org.br/blog-sepal/podcast-sepal-17-negocios-em-missao/

Podcast sobre Negócios em Missões

 

O feminismo me ensinou que os homens eram o problema

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O texto abaixo foi extraído do livro Feminilidade Radical, de Carolyn McCulley

A primeira vez que você ouve um garoto dizer isto, pode ser muito ruim.

“Você joga a bola como uma menina!”

“Ele gritou exatamente como uma menina!”

“Eca… Isso é  nojento. É  rosa. Isso é  coisa   de menina.”

 

O conteúdo desses insultos geralmente não carrega um motivo sério, mas a implicação é clara: meninas são diferentes. Diferentes no sentido de piores. Inferiores. Se um menino não tem certa habilidade, força ou velocidade, ele não é melhor que… uma menina.

Do fundo do coração feminino, um protesto importante surge: Isso não é justo!

Não sei quando me dei conta disso, mas deve ter sido durante os primeiros anos de escola. Tenho lembranças de competir em corridas e de garantir que os times das meninas se saíssem bem contra os times dos meninos. A certa altura, os garotos tinham algumas liberdades durante o recreio que não eram dadas às meninas — talvez de jogar algum esporte com contato físico. Então nós, meninas, rodeávamos a professora durante o recreio e, de maneira sarcástica, brincávamos os jogos de crianças bem pequenas, como forma de demonstrar nosso argumento.

No ensino médio, a divisão entre os gêneros se tornou mais ameaçadora — e, de maneira bizarra, mais sedutora. Todas as meninas queriam a atenção tradicionalmente dada às líderes de torcida e às rainhas dos bailes, mas havia sempre o risco das fofocas de vestiário. Meninas no ensino médio não eram mais acusadas de ter piolhos ou apenas de serem “nojentas”. Nessa fase, os insultos masculinos tinham um viés ameaçador e desrespeitoso, frequentemente combinados a difamações sexuais. Mesmo assim, alguns meninos eram bonitos. Nós queríamos a atenção e o tempo deles. Nós apenas não sabíamos se podíamos confiar neles. E, algumas vezes, nós não podíamos.

Grosso modo, isso resume meu entendimento sobre a “política sexual” até o tempo de faculdade — nada traumático tampouco minimamente dramático. Minha família era intacta e estável. Meu pai era amável e presente em minha vida, assim como minha mãe. Eu me envolvi em várias atividades escolares. Meus pais compareceram a todos os concertos e apresentações da banda marcial, às peças teatrais e às reuniões de pais e mestres. Eu circulava bem perto do grupo popular — não fazia parte do seleto grupo de líderes de torcida e dos jogadores de futebol americano, mas era próxima o suficiente para ser convidada para as festas eventuais.

Nada disso realmente explica por que eu acabei entrando naquele primeiro módulo de Estudos Femininos na faculdade. Provavelmente, pensei que seria uma matéria eletiva mais fácil que Ciências Políticas ou Economia. Mas a razão por que eu me matriculei no segundo módulo foi bem mais intencional: através do feminismo, eu recebi uma visão de mundo que tratava do sexismo dissimulado do qual suspeitei todos aqueles anos. As coisas começaram a fazer sentido. O problema eram… os homens! O “patriarcalismo” e sua opressão contra as mulheres eram os verdadeiros culpados. (Ou melhor, womyn1.) Como estudante de Jornalismo, eu precisava de algum tema no qual eu me especializasse, uma causa para advogar. Encontrei a minha no feminismo. Fiz minha missão de vida espalhar a causa do feminismo nas revistas e rádios em que trabalhei.

Houve alguns contratempos pelo caminho. Certa vez durante a faculdade, segundo me lembro, meu feminismo crescente arruinou o Dia de Ação de Graças. No jantar, meu tio, um homem pragmático formado na Academia Naval, fez algum comentário — agora já esquecido e provavelmente mais benigno do que eu percebi ser — que me ofendeu muito. Comecei um longo discurso sobre estupro, patriarcalismo, a opressão das “womyn” e os papéis sufocantes de esposas e mães. (Nenhum dos quais, exceto o patriarcalismo, eu havia experimentado pessoalmente.) Qualquer refutação das minhas vastas conclusões era respondida com crescentes volume e paixão da minha parte. Eu havia vivido apenas duas décadas, mas, em minha opinião, possuía a sabedoria de muitos anos.

Também houve o tempo em que choquei meu pai com o anúncio de que, se um dia me cassasse, não mudaria meu sobrenome. Naquela época, eu pensava que essa era uma tradição opressiva e desnecessária e não via qualquer motivo para mudar minha identidade apenas porque havia obtido um esposo. Eu honestamente pensei que meu pai concordaria comigo, porque ele era pai de três filhas, e, se todas nós mudássemos nosso sobrenome, o nome da família morreria com ele. Mas ele não pareceu muito feliz, o que genuinamente me surpreendeu. Em retrospectiva, eu sinceramente não sei se foi a informação ou o meu comportamento que provocou essa reação dele.

Aprendi muito da teoria nas aulas de Estudos Femininos, mas, surpreendentemente, não aprendi muito  sobre a história real. Nós aprendemos sobre o movimento de libertação feminina das décadas de 1960 e 1970, mas nada anterior a isso. Eu não me lembro de estudar coisa alguma escrita antes do influente livro de Betty Friedan, da década de 1960, A Mística Feminina, ou seja, nada anterior ao meu próprio nascimento. Levaria anos até que aprendesse sobre o movimento sufragista que precedeu o feminismo moderno, os diferentes impactos da Reforma Protestante e do Iluminismo sobre os papéis de cada gênero, e, finalmente, a respeito do que a Bíblia diz sobre homens e mulheres.

O feminismo me ensinou que os homens eram o problema, mas, no fim das contas, a política feminista me deixou entediada. Embora eu não tivesse problemas em concordar que os homens eram o problema, eu não tinha nada contra algum homem em específico, e alguns pareciam agradáveis e, até mesmo, atraentes para mim. Depois de um tempo, a vitimização estridente do feminismo perdeu seu apelo. Embora uma das minhas colegas tenha ido trabalhar para grupos feministas de ação política — a National Organization for Women [Organização Nacional pelas Mulheres] e depois a Feminist Majority [Maioria Feminista] —, eu peguei meu diploma em Jornalismo e meu certificado em Estudos Femininos e busquei uma carreira na mídia.

Não demorou muito para que a minha definição e prática do feminismo se tornassem tão genéricas quanto as de uma mulher carregando a revista Cosmopolitan. Construções sociais e teorias de gênero eram agora lembranças distantes. Restaram-me um senso de moda andrógeno do tipo “vista-se objetivando o sucesso”, uma percepção exagerada de abuso sexual e discriminação no ambiente de trabalho e uma caricatura da sexualidade masculina como o modelo de liberdade para ambos os sexos. Agressão no trabalho e em encontros românticos foi o legado da minha educação.

Quando eu tinha vinte e nove anos, examinei minha vida e percebi um vazio. Um insistente foco em mim mesma não havia gerado muita felicidade.

A Psique Feminina Fragmentada

Durante esse tempo, uma amiga me emprestou um livro, dizendo o quão útil ele havia sido para “reaver uma psique feminina completa”. A premissa do livro era de que as mulheres poderiam ser restauradas pelo estudo das fraquezas e forças das deusas da mitologia grega e pela busca por reconciliação desses arquétipos numa mulher completa.

Eu fiz o teste do livro e descobri que meu resultado era muito próximo ao de Atenas, a deusa-guerreira que surgiu completamente formada da cabeça de Zeus. Este é um trecho da descrição que anotei em meu diário àquele tempo:

É fácil identificar Atenas no mundo moderno. Ela está lá fora, em todos os sentidos da palavra. Editando revistas, dirigindo departamentos de Estudos Femininos em faculdades, apresentando programas de entrevistas, fazendo turismo educacional na Nicarágua, produzindo filmes, desafiando o parlamento local.

A mulher “Atenas” é muito visível porque ela é extrovertida, prática e inteligente. Os homens geralmente são um pouco intimidados por ela no início, porque ela não responde às táticas sexuais comuns, e ela os colocará contra a parede em qualquer discussão intelectual. Quando eles ganham o respeito dela, ela se torna a mais leal das companheiras, uma amiga para toda a vida e uma fonte generosa de inspiração […].

Apesar de sua força, genialidade e independência, há um paradoxo na imagem tradicional de uma dama de armadura. Parece-nos que quanto mais energia a mulher “Atenas” coloca em desenvolver seu eu de sucesso, secular e bem armado, tanto mais ela esconde sua vulnerabilidade feminina. Assim, com sua androgenia, Atenas esconde um conflito, uma tensão não resolvida entre seu eu exterior inflexível e seu eu oculto, não expressado, que pode ser uma fonte de grande insegurança no tocante a encontrar uma identidade feminina integral. Nós chamamos isso de “a ferida de Atenas” […].

Ela  disputará  [com  seu  companheiro],  competirá  com  ele  e  frequentemente o desprezará por não ser tão  firme quanto ela.

Esse era um retrato bastante exato da minha vida naquela época. Eu realmente não sabia o que fazer com a minha identidade feminina, mas certamente sabia como discutir com homens. Agora, ao citar aquele livro, não o estou endossando de forma alguma. Mas eu olho para trás e me maravilho com o quão criativo Deus é quando ele começa a trabalhar em nossos corações. Já que eu não estava nem um pouco perto de uma Bíblia naquele tempo, Deus usou aquele livro e sua premissa teológica defeituosa para despertar a minha mente. Aquela citação foi a última coisa que escrevi em meu diário antes de embarcar no voo para a África do Sul. Eu saí para aquelas férias pensando que precisava fazer alguma coisa em relação à minha psique feminina fragmentada. Eu vi o problema — ou pelo menos parte dele —, mas não tinha certeza sobre como resolvê-lo.

Foi durante minhas viagens na África do Sul que Deus revelou para mim mais sobre esse dilema e ofereceu sua solução preciosa. Eu estava indo visitar minha irmã e meu cunhado, que estavam morando lá temporariamente para estudar em um Instituto Bíblico. Meu plano era desfrutar de umas férias exóticas, nada mais. Mas no domingo de Páscoa, numa igreja lutando pela reconciliação racial em uma nação ferida pelo apartheid, eu escutei a maior mensagem de redenção e perdão que já alcançou os ouvidos humanos.

Lá, sentada entre pessoas que certa vez se desprezavam por causa da cor de suas peles, eu aprendi que a esperança da mudança se encontrava na vida e na morte de Jesus Cristo. Depois de explicar a evidência histórica para a veracidade da vida de Jesus, o pastor nos falou sobre a importância de sua morte. Ele começou com o problema do pecado — nossa rebelião contra as leis de Deus e os padrões santos. Num lugar como a África do Sul, marcada pelo preconceito e pelo derramamento de sangue, o pecado é claramente evidente. Mas mesmo se nunca tivéssemos discriminado nem assassinado alguém, nós não seríamos inocentes. Desde o momento em que gritamos “não!” enquanto bebês, passando pelo tempo em que traímos, mentimos e roubamos quando adultos, até as inúmeras horas que gastamos consumidos pela nossa autoimagem e avaliação própria às custas dos outros, nós acumulamos um peso de culpa e pecado que nos esmaga diante de um Deus santo.

O pastor nos explicou que a Bíblia diz que a morte é a consequência do pecado. Cada um de nós enfrenta a morte por causa de nossos pecados individuais, mas também vivemos num mundo caído por causa de nossa pecaminosidade coletiva. Mas Deus nos oferece uma solução chocante. Para quebrar o ciclo de pecado e morte, ele enviou seu Filho, Jesus Cristo, para ser nosso substituto — para viver a vida perfeita que não podemos viver a fim de pagar pela punição de nossos pecados que não podemos pagar. Jesus morreu na cruz para que pudéssemos viver. Sua ressurreição, três dias depois, era prova de que seu sacrifício foi suficiente para quebrar o ciclo da maldição do pecado e da morte. Deus não ignora o pecado nem tolera a injustiça. Ele derramou toda a justa ira por nossos pecados sobre seu Filho para que pudéssemos receber perdão. O pecado não ficou impune, mas na cruz de Cristo a misericórdia triunfa sobre o juízo. Esse é o evangelho — ou as boas-novas — da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo.

Naquele domingo de Páscoa, eu finalmente ouvi e entendi a gravidade dessa mensagem. Eu vi a raiva, o duro julgamento de outros e o egoísmo na minha vida, tais quais eles eram: pecado contra Deus e contra os outros. E eu caí em lágrimas à medida que as boas-novas do sacrifício salvador de Jesus foram reveladas e oferecidas a mim.

Pela primeira vez, eu tinha esperança real por mudança. Mas a mudança era um processo. Eu ainda era hesitante em algumas áreas, cínica quanto à subcultura evangélica, aos escândalos dos pregadores da TV, aos milagres falsificados e à divisão denominacional. Ao longo daquela viagem, fiz várias perguntas difíceis à minha irmã e ao meu cunhado. Eles responderam graciosamente com as palavras da Escritura, mas não tentaram me forçar a aceitar a visão deles. Eu me maravilhei com a moderação deles e ponderei sobre suas palavras à medida que as estradas empoeiradas da África do Sul passavam sob as rodas do carro.

No terceiro domingo na África do Sul, visitamos uma igreja na Cidade do Cabo para ouvir o antigo pastor do meu cunhado. Um americano chamado C. J. Mahaney pregou uma mensagem sobre a honestidade e a variedade das emoções humanas registradas no livro de Salmos. C. J. aliviou minhas preocupações quanto a pôr um sorriso falso no rosto por causa de Jesus. A Bíblia não se evadiu da realidade de nossos sentimentos instáveis. Ela também não nos deixou chafurdando neles. Nossas emoções foram planejadas por Deus para nos impelir em direção à verdade e à fé — uma progressão modelada para nós em quase todos os salmos.

 

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Ministrando a um convertido e ex-abusador sexual

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Texto de Brian Croft

Recebi muitas perguntas difíceis no workshop na noite de segunda-feira. Mas essa continua sendo especialmente difícil para mim. Aqui estava a natureza da pergunta de um pastor:

Como eu e nossa igreja ministramos a um homem que aparenta ser radicalmente convertido, deseja vir à nossa igreja, mas foi um pedófilo condenado e abusador sexual de longa data?

Aqui estão alguns pensamentos:

Devemos tentar ministrar a um homem como esse, especialmente se ele é convertido. Ninguém deve ser afastado das nossas portas, desde que Jesus foi visto com o mais vil dos pecadores. O evangelho é todo sobre isso! No entanto, você não pode ignorar o “elefante na sala”. Aqui estão algumas sugestões, tendo lidado com isso de maneiras comparáveis ??antes:

1) Nomeie um “anfitrião” para ele enquanto estiver na igreja. Escolha um homem muito confiável cuja única tarefa naquele dia seja encontrá-lo no estacionamento, caminhar com ele e ficar junto a esse homem. Escolha um anfitrião que seja espiritualmente maduro, gracioso, que entenda a importância da sua função, mas que não o fará se sentir como um preso na igreja.

Explique ao ofensor em questão que esse é o papel do homem e que deve ser visto com ele o tempo todo. Escolha um anfitrião que o levará a conversar com os outros e essa será uma boa maneira para esse visitante conhecer e conversar com pessoas que, de outro modo, ele poderia não se sentir confortável e vice-versa.

2) Informe de alguma forma e com antecedência à igreja sobre o que está acontecendo (e-mail, reunião de membros, etc.), para que eles saibam que você está tomando precauções estritas para proteger a segurança das pessoas, e especialmente das crianças. Isso permite que a igreja como um todo “mantenha a vigilância” de uma forma amorosa.

3) Informe semanalmente sobre a situação todos aqueles que trabalham com as crianças e informe quem é o “anfitrião” do homem para a semana atual. Dê-lhes a liberdade de fazerem perguntas, já que sentem ter a responsabilidade de proteger seus próprios filhos, bem como as crianças em sua classe nessa semana.

4) Uma falha e você o retira. Não há período de graça para esse homem. Se ele for encontrado sozinho sem seu “anfitrião” uma vez… é o suficiente. Ele precisa ser colocado em uma posição de ser amado pelo povo, mas ele deve estar ciente da sua responsabilidade como um pastor diante de Deus de proteger as ovelhas, em primeiro lugar.

5) Lembre ao seu povo que esse é o objetivo do evangelho. Jesus morreu pelos mais miseráveis ??dos pecadores e nós merecíamos o mesmo castigo por nossos pecados da parte de nosso Deus justo e santo que esse homem merece por sua rebelião contra Deus e crimes contra os outros. Se ele realmente é convertido, você deseja que o seu povo se alegre na esperança do evangelho mais do tenha medo por seus filhos, quando eles virem esse homem chegando. Pastorear através do ensino e exemplo é como Deus, pelo seu Espírito, formará essa cultura em sua igreja local ao longo do tempo.

Eu louvo a Deus pela oportunidade que você tem de lembrar o seu povo do evangelho e de quão suficiente, poderosa e gloriosa a misericórdia de Deus é em Cristo! Mas seja sábio também, querido irmão. Saiba com certeza que o inimigo está rondando como um leão em seu meio, desejando usar essa situação para dividir a sua igreja… ou pior. Eu peço ao Senhor que lhe dê grande sabedoria, discernimento e graça ao tentar cuidar desse homem e do seu povo através da chegada dele.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: How does a church minister to a coverted, sex offender?

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Cara, Onde Está Sua Noiva?

 

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Quando prego em diferentes lugares, uma das perguntas geralmente feita por mulheres, jovens em particular, é mais ou menos esta: “O que acontece com os homens?”

Não são mulheres zangadas. Sua pergunta é mais triste do que petulante. Não tenho muita certeza por que elas fazem essa pergunta. Talvez porque acabaram de ler meu livro, Faça Alguma Coisa (Just Do Something), e imaginam que as entendo, ou talvez pensem que eu posso ajudar. Geralmente logo depois fazem outro comentário para me exortar: “Por favor, fale aos homens da nossa geração e diga-lhes que sejam homens.”

Elas estão se referindo ao casamento. Conheci dezenas de jovens mulheres, tementes a Deus, em diversos lugares, que perguntam: “Para onde foram os homens ‘casáveis’?” Muitos comentaristas — cristãos e outros — percebem uma tendência entre os homens jovens; isto é, que eles não estão amadurecendo. Recentemente o artigo de William Bennett na CNN “Por que os Homens Têm Problemas” (Why Men Are in Trouble) chamou muita atenção. O ponto alto está resumido na sentença final: “Chegou a hora dos homens serem homens.” Parecem até palavras bíblicas (1 Coríntios 16.13).

Virtualmente cada pessoa solteira que eu conheço quer se casar. E mesmo assim, leva cada vez mais tempo o adiamento do casamento. Os padrões culturais têm algo a ver com isso. A economia ruim também não ajuda. Mas existe mais alguma coisa que confunde. Visite qualquer igreja e você vai conhecer mulheres cristãs atraentes, inteligentes, maduras que querem se casar e praticamente nenhum homem para cortejá-las. Geralmente essas mulheres estão em cursos de pós-graduação e podem até estar iniciando uma carreira. Mas não são feministas. Estão ansiosas para abraçar o papel de esposa e mãe. A maioria das mulheres que conheci não despreza o papel de ajudadora. Parece que simplesmente não existem muitos candidatos por aí.

 

O que está acontecendo? Por que existem tantas jovens mulheres solteiras, com formação universitária, que levam a sério o cristianismo, comprometidas com a igreja, mulheres bem resolvidas que não encontraram um companheiro, e não vêem quaisquer possibilidades no horizonte?

Talvez as mulheres tenham padrões inatingíveis. É uma possibilidade em algumas circunstâncias. Tenho certeza de que há alguns rapazes lendo isto e dizendo: “Eu tenho cortejado essas jovens, Kevin! E elas me desprezaram.” Algumas mulheres talvez estejam esperando um Príncipe Encantado. Mas na minha experiência esse não é o grande problema. Padrões exagerados? Não geralmente. Alguns padrões? Com certeza!

Em outros casos, algumas mulheres talvez estejam tão ansiosas para se casar que tornam nervosos os candidatos que demonstram algum interesse. Existe uma linha tênue entre antecipação e desespero. Os homens não dispostos a discutir detalhes do casamento após o primeiro encontro… Eles entram em pânico — e ficam bem assustados.

Esse caminho de solteirice prolongada é um caminho de duas mãos. Mas penso que o problema reside principalmente nos homens. Ou pelo menos, sendo homem posso identificar os problemas dos homens mais depressa. Vejo duas situações.

Primeira, os homens cristãos que são “bons rapazes” precisam ter um pouco de — qual é a palavra que estou procurando — de ambição. Os pastores, em algum ponto, têm ralhado contra o vídeo games. Mas o problema não está realmente nisso, mas o que isso pode representar (mas nem sempre). É o quadro de um rapaz com 20 e poucos ou 30 e poucos anos que não parece querer nada da vida. Talvez tenha um emprego. Talvez more ainda com seus pais. Essas coisas estão fora de controle. Há uma diferença entre um indivíduo que está se esforçando para conseguir alguma coisa e outro que parece satisfeito em assistir filmes, comer pizzas congeladas em um minúsculo apartamento, assistir futebol 12 horas no sábado, aparecer na igreja durante uma hora no domingo e, então, voltar para casa a fim de assistir mais futebol.

Não acho que as mulheres jovens estejam esperando um “Príncipe Encantado”,  que já tenha duas casas, três carros e uma personalidade como a de Dale Carneggie. Simplesmente querem um homem com alguma substância. Um homem que tenha planos. Um homem com alguma profundidade intelectual. Um homem que tome iniciativas e saiba conversar. Um homem que tenha consistência. Um homem que leve a serio o seu trabalho e não brinque com a sua fé. Um homem com um pouco de vontade de ter sucesso na vida. Um homem que possam imaginar sustentando uma família, orando com os filhos na hora de dormir, cortando a grama no sábado, e disposto a levar a família à igreja aos domingos. Onde estão os garotos que querem se transformar em homens?

A segunda situação talvez seja simplesmente que não tenhamos bastante homens na igreja. Talvez o problema maior não seja com os simpáticos rapazes cristãos que não têm ambição, nem maturidade e compromisso. Talvez tenhamos muitos homens assim na igreja, mas estejam todos casados e não têm muitos irmãos andando por aí. Não sei qual é o problema maior, a falta de homens bons ou a falta de homens em geral. Talvez haja uma combinação das duas coisas. A igreja precisa educar os rapazes que tem. E com “educar” não quero dizer “dar um polimento” e integrá-los em um ministério para solteiros para escolher uma companheira. Eu não creio que a maioria dos cristãos solteiros esteja à procura de uma comunidade cristã cheia de intrometidos. Mas uma igreja cheia de homens piedosos, envolvidos, respeitáveis e respeitados, maduros. É um projeto que vale à pena iniciar.

Portanto, o que se pode fazer a respeito de um grupo cada vez maior de mulheres solteiras? Quatro coisas me vêm à mente.

Todos devem orar. Orar para receber o cuidado providencial de Deus, crendo que a piedade com alegria é um dom. Se você é solteira, ore mais por um tipo de cônjuge que você deve ser do que o tipo de cônjuge que você quer ter. Ore também pelos casais e famílias da sua igreja. Se você é casada, ore pelas pessoas solteiras de sua igreja, pelos que nunca se casaram e aqueles que estão divorciados ou viúvos. Todas as pessoas devem orar para começar a servir o Senhor agora, não importa qual seja o estágio da vida em que se encontra ou deseja estar.

Mulheres, não se fixem na busca de um compromisso cristão sólido no casamento, mas certifique-se que sua lista de exigências não exclua a todos os homens, exceto o “Sr. Perfeito”.

Igrejas, não transformem a igreja numa imensa caverna de homens ou de machismo, mas pensem por que sua igreja foi desnecessariamente emasculada. Vocês desafiam e exortam? Vocês cantam hinos a Jesus que os homens possam cantar com sinceridade? A “comunhão” na sua igreja sempre focaliza atividades nas quais os homens tipicamente não se qualificam como ficar sentado e falar sobre seus sentimentos: Sua igreja pretende especificamente discípular os homens — particularmente homens jovens no colegial ou na faculdade? Agarre-os enquanto jovens e os faça crescer na adolescência e não mais tarde.

Homens, vocês não precisam ser ricos e não precisam escalar posições de liderança. Vocês não precisam ter carros e deixar a barba crescer. Mas chegou a hora de tomar uma pequena iniciativa — na igreja, na sua carreira e com as mulheres. Parem de dar voltas e procurem um alvo. Provavelmente é uma boa idéia parecer um pouco mais com o seu avô e um pouco menos com o Capitão Jack Sparrow. Menos ainda com o Peter Pan. Dêem provas de ambição piedosa. Assumam alguns riscos. Parem de namoricar e — se Deus não o estiver chamando para um serviço celibatário — comecem a procurar uma esposa.

 

Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin

Do original em inglês: Dude, Where’s Your Bride?.

Autor Kevin DeYoung

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