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Série Referenciais: Adauto Lourenço

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Adauto J. B. Lourenço é formado em Física pela Bob Jones University (1990), Carolina do Sul, EUA. Possui mestrado em Física, obtido na Clemson University (1994), Carolina do Sul, EUA, onde defendeu a tese intitulada “Inelastic Scattering of Helium from Rhodium” . Realizou pesquisas no Max Planck Institut für Strömungsfurchung, em Göttingen, Alemanha, em conjunto com Dr. J. R. Manson e Dr. J. P. Toenies (1992), no Oak Ridge National Laboratory (1990-1993), em conjunto com Dr. R. J. Warmack e Dr. T. L. Ferrell e também coordenou, em conjunto com o engenheiro Ary Biazotto Corte Jr., a pesquisa do equipamento OX-FREE, de anticorrosão, financiada pela FAPESP, durante os anos de 2003-2005.

 

Adauto J. B. Lourenço recebeu o seu Grau de Bacharelado em Física – Maio 1990. Minors: Matemática e Ciência da Computação. Tem também mestrado em Física, na área de matéria condensada (interações de energia entre superfícies metálicas e gases), através da Clemson University, Carolina do Sul, EUA, em Dezembro de 1994.Durante os seus estudos de mestrado, o Prof. Lourenço planejou, dirigiu e executou mais de 450 horas de pesquisas no Max Planck Insitut für Strömungsforchung, Alemanha.

Também realizou pesquisa cooperativa com o departamento Submicrom do Oak Ridge National Laboratory (E.U.A.), onde planejou, dirigiu e executou mais de 350 horas de pesquisa na área de nano tecnologia (microscopia de força atômica, STM e AFM) em conjunto com equipe da NASA.O Prof. Lourenço é membro da American Physics Society e da Sigma-Pi-Sigma Society of Physics.

Também lecionou por três anos em Física Aplicada na Clemson University (Clemson, EUA), três anos em cursos de Computação Gráfica no Greenville Technical College (Greenville, EUA) e quatro anos na área de Informática Aplicada no Centro Unisal Dom Bosco (Americana, SP).

 

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Entre 2003-2005 Adauto trabalhou na pesquisa para avaliação de equipamento OX-FREE anticorrosão, financiado pela FAPESP.
Artigos
Atomic Force Microscopy of deoxyribonucleic acid stants adsorbed on mica: The effect of humidity on apparent width and image contrast. Jornal of Vacuum Science and Technology A 10(4), Jul/Aug 1992.
Livros
2007 – Como Tudo Começou – Uma Introdução ao Criacionismo.
2011 – Gênesis 1 e 2:A Mão de Deus na Criação.
2011 – A Igreja e o Criacionismo.
DVDs
Criação ou Evolução – Como Tudo Começou. 4 DVDs.
Vida pessoal

Adauto é filho de Jaime e Zoraide. Adauto é casado com Sueli e tem três filhas, Quézia, Joyce e Sarah. O casal residiu nos Estados Unidos por 13 anos.

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ENTREVISTA COM O TEÓLOGO E FÍSICO ADAUTO LOURENÇO / REVISTA COMUNHÃO

“É estranho um físico que não lê a Bíblia, assim como é estranho um pastor que não estuda Ciências”

Mestre em Física pela Clemson University, nos EUA, matemático e teólogo, Adauto J. B. Lourenço, 53 anos, mora em São Paulo, onde congrega na Igreja Presbiteriana Central de Limeira. É casado com Sueli Lourenço e tem três filhas. Morou nos EUA e Alemanha para pesquisar e retornou ao Brasil para atuar como pesquisador independente na área de Matéria Condensada e Física de Superfície.

Ele presta consultoria na área de novas tecnologias anticorrosivas. Seu ministério é ensinar o Criacionismo Científico, apresentando palestras em igrejas sobre a importância de mostrar que processos naturais, ou seja, as leis da natureza, não teriam trazido à existência a complexidade encontrada no universo e na vida.
Quando perguntado sobre a razão de ter cursado Teologia e Física, a resposta é rápida: “Porque Deus sabia que um dia elas me seriam necessárias. Como sempre fui muito curioso, conhecer o universo também foi um plano de Deus na minha vida”.
Comunhão esteve presente a uma de suas palestras, realizada na Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, e obteve essa entrevista, exclusiva. Confira.

Comunhão – Como se deu sua conversão?

Adauto: O Senhor Deus veio ao meu encontro quando eu tinha 10 anos. Pude entender o que Ele pensava a meu respeito e que a minha única opção era aquela que Ele me oferecia através de Cristo Jesus.

Por que decidiu cursar Teologia e Física?

Porque Deus sabia que um dia elas me seriam necessárias. Como sempre fui muito curioso, conhecer o universo também foi um plano de Deus na minha vida.
Como saber se a narrativa bíblica sobre a criação aconteceu como está escrito?

Na verdade, é impossível provar que a Criação não ocorreu como está escrito. Gênesis 1 e 2 falam da criação dos céus e da terra. Apocalipse 21 e 22 fala da criação de novos céus e nova terra. Existe uma simetria muito grande entre esses textos. Se Gênesis 1 e 2 são mentiras, então Apocalipse 21 e 22 também o são. Fomos planejados. Esta é a maior descoberta científica de todos os tempos.
Podemos utilizar a Ciência para provar que as revelações bíblicas são verdadeiras?

A Ciência não prova que as revelações bíblicas são verdadeiras porque, se fosse assim, a Ciência seria maior que a Bíblia. Na verdade, a Ciência apenas constata a verdade bíblica.

Como o senhor avalia a postura da igreja e dos pastores em relação ao estudo da Ciência?

A Igreja já não é como foi no passado. Os pastores dos idos de 1800 tinham que estudar Teologia e Física Natural como parte de seu currículo. Hoje, cursam só Teologia, por isso não sabem fazer a conexão da Bíblia com o resto das coisas. É estranho um físico que não lê a Bíblia, assim como é estranho um pastor que não estuda Ciências.

O que dizem as leis do Brasil e dos Estados Unidos sobre ensino da teoria Criacionista nas escolas?

Em ambos os países, as leis promulgadas não favorecem o ensino do criacionismo científico, sob a alegação de que se estaria ensinando religião, e não ciência. Isso é colocado considerando-se o Estado laico, ou seja, secular, sem a influência ou controle por parte da igreja. Dizer-se que ensinar o criacionismo estaria sendo ensinar religião somente seria verdade se fosse ensinado o criacionismo bíblico, ou o criacionismo religioso, em lugar do criacionismo científico.
Apenas para esclarecimento, o Criacionismo científico defende a tese de que processos naturais e leis da natureza não teriam trazido à existência a complexidade encontrada no universo e na vida. Por exemplo,se eu lhe perguntasse: “O laptop que utilizo veio à existência espontaneamente ou foi criado? Em outras palavras, processos naturais e leis da natureza, teriam trazido o meu laptop à existência?” A resposta é, obviamente, um NÃO muito enfático. Se processos naturais e leis da natureza não conseguem trazer à existência um simples laptop, o que dizer a respeito do cérebro humano, que é quase que infinitamente mais complexo? Teria o cérebro humano vindo à existência por meio de processos naturais? A resposta é óbvia.
O Criacionismo científico é perfeitamente compatível com o ensino científico proposto pelas leis que regem a educação nesses dois países. Falta apenas conhecimento das lideranças dos departamentos de ensino de ambos os países para que essa disciplina possa ser ensinada nas escolas.

 

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Como confrontar Criacionismo e Evolucionismo?

Sob o ponto de vista da Ciência, o Criacionismo procura demonstrar que leis da natureza, os processos naturais, não teriam trazido a vida à existência. Isso é mostrado em laboratório, onde estão as bases do Criacionismo científico. Os evolucionistas dizem que em bilhões de anos tudo poderia acontecer. Na verdade, evolucionistas e criacionistas possuem exatamente o mesmo dado, a mesma informação. Um fóssil, ou um raio, por exemplo. Mas as perspectivas de cada um é que darão a devida interpretação, do ponto de vista individual.

 

Como explicar o início da existência de Deus dentro do tempo, do espaço e da matéria?

Deus trouxe tudo à existência quando trouxe o tempo, o espaço e a matéria, mas Deus não está neles e nem precisa deles, pois os criou.O Criador não é a criação, mas está em cada metro cúbico dela. Nós é que estamos presos no tempo e no espaço.Se não houvesse nada mudando, como saberíamos que o tempo já passou? A ideia de tempo implica a de mudança. Portanto, antes de criar tudo não havia mudança, por isso não havia tempo. Então, não há razão para perguntar quando Deus começou a existir, isso não faz sentido. Deus não vê o futuro porque Ele não está no tempo, está fora do tempo, mas vê tudo de uma vez só. Enfim, não podemos provar a existência de Deus pela Física, conforme está escrito em Hebreus 11:6. Se fosse possível provar, isso não seria fé, pois o que se prova não tem necessidade da fé.

 

Como associar milagre e Ciência no advento da abertura do Mar Vermelho?

Por meio de leis físicas, estranhas e desconhecidas o mar se abriu, porque por leis normais e conhecidas isso não seria possível. Por isso o nome é milagre. E do ponto de vista de um matemático, é mais fácil crer no mar que se abriu do que na explosão do big bang,que teria originado toda a criação, porque no primeiro caso tinha dois milhões de testemunhas e no outro, nenhuma.

 

Há uma explicação científica para o fato de Deus ter feito Eva da costela de Adão, e não de outra parte do corpo?

Sim. Primeiro Deus aplicou-lhe uma anestesia geral, que foi um pesado sono. Em seguida, Deus retirou uma de suas costelas porque nela tem medula óssea vermelha, onde encontramos células-tronco. É nelas que está o material genético para a clonagem. Eva foi criada de uma clonagem. Após a cirurgia, Deus fechou a carne de Adão fazendo de Eva um clone alterado geneticamente.

 

Por que Deus começou a criação pelo homem, e não pela mulher? 

Porque eles (os homens) são de cromossomos XY e a mulher, XX,e no processo de clonagem, é só duplicar o X. Mas,se houvesse começado pela mulher, como iria duplicar o Y?

 

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Por que temos medo de estudar e confrontar Ciências? Seria um sinal de incredulidade estudar essas coisas?

Essas duas questões estão relacionadas com o nosso entendimento do que é Ciência. Ciência nada mais é que uma busca por conhecimento. Nenhum cristão verdadeiro deveria temer a Ciência, ou mesmo não querer confrontá-la sabiamente, pois nós somos convidados por Deus a buscar conhecimento (Prov. 2:1-5).

Deus disse: “Dominai a terra”, ou seja, saiba com funciona, conheça, estude Ciências. Infelizmente, nem tudo o que é ensinado “em nome da Ciência” é verdadeiro. E por isso muitos cristãos não se sentem motivados a estudar Ciências. A reação deveria ser exatamente a oposta. Por Deus ter nos libertado para conhecer a verdade – e conhecê-la em todas as áreas, não somente na área espiritual – é que deveríamos ter muitos cristãos envolvidos com a Ciência.

Precisamos entender que a multiforme sabedoria de Deus, como nos é dito em Efésios 3:10, expressa-se em todas as áreas do conhecimento humano, inclusive na Ciência. Essa é uma das principais razões de o mundo incrédulo achar que Deus só entende de coisas espirituais, o que é um erro muito grosseiro. Sinal de incredulidade é não querer conhecer as obras das mãos de Deus, reveladas na natureza e estudadas pela verdadeira Ciência.

 

A Ciência e a fé se contradizem ou se misturam?

Depende de como se vê a Ciência e a fé. Toda ciência devidamente estabelecida e toda Bíblia corretamente interpretada nunca entrarão em contradição.
Exemplifique essa sua afirmação.

Em Jó 6:7 temos uma afirmação científica. Nosso norte sideral existe, é o espaço vazio. Isso foi provado por cientistas em 1989 e confirmado em 2007.

 

Qual teria sido o sinal colocado em Caim depois que matou Abel?

A Bíblia não diz qual foi o sinal colocado em Caim. E não há como descobrir. Existem pessoas que dizem que foi a cor negra da pele. Isso é pura heresia. A Bíblia não ensina isso. E podemos perceber muito facilmente que esse não é o caso. Se Caim fosse negro, todos os seus descendentes, que por sinal não entraram na Arca de Noé, teriam morrido no dilúvio. Portanto, não deveria haver nenhuma pessoa de pele negra após o dilúvio.

 

Satanás é criação de Deus?

Satanás é criação de Deus, mas Deus não está lutando com Satanás, pois este não é páreo para Ele. Assim que quiser, poderá desfazê-lo num piscar de olhos. É o arcanjo Miguel quem luta com Satanás.
A Bíblia é mais avançada que as descobertas científicas?

Para exemplificar esta verdade, cito Gênesis 1:9, onde a Bíblia fala da parte seca criada e não das partes secas, ou seja, havia um único continente. A Bíblia diz que a ciência é tão ignorante que chegou a essa conclusão quatro mil anos depois.E em Jó 40:15 temos a descrição completa do dinossauro, de 40×24 metros de altura e 100 toneladas. O osso era de 30 cm de diâmetro.
Qual a melhor estratégia de evangelização de crianças?

A Igreja tem que parar de ensinar Gênesis como se fosse um gibi. É história com H, e não com e, de estória. Temos que ensinar Genealogia, que é a ideia de falar dos personagens bíblicos dentro do tempo e do espaço. Por exemplo, Abraão tinha 58 anos quando Noé existia e podia perguntar tudo o que quisesse para ele. Na minha infância, muitas coisas, pela maneira como me foram ensinadas, reforçavam as ideias evolucionistas que eu recebia na escola. Uma dessas coisas ensinadas na igreja foi que Noé não teria levado os dinossauros na arca porque eles já estariam extintos há muito tempo. Eu queria colocar os dinossauros na arca, mas o professor disse que eles já haviam desaparecido. Então, eu fiz automaticamente uma separação dos tempos que reforçaram a ideia evolucionista que aprendi na escola.
O que responder para quem defende que a Bíblia é apenas papel e não serve como prova da verdade sobre Deus e sua criação?

Pergunte a idade da pessoa. Quando ela responder, peça que prove sua idade. Ela apresentará um documento com sua data de nascimento. Ao final, pergunte por que ela acredita num pedaço de papel e conclua dizendo que ninguém sabe de fato sua própria idade, apenas cremos num pedaço de papel e no que as pessoas dizem a nosso respeito. Por que insistem em usar esse argumento somente para a Bíblia?

 

Algumas palestras disponíveis no Youtube:

 

 

 

 

 

Fontes:

http://creationwiki.org/

http://apaixonadopormissoes.blogspot.com.br/2014/07/adauto-lourenco-biografia-mensagens.html

http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/176/Adauto%20Louren%C3%A7o

http://bibotalk.com/podcast/btcast184/

 

 

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Perguntas a fazer antes de postar sobre política nas redes sociais

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Discussões políticas têm dominado as redes sociais por vários anos e agora parecem estar ficando mais aquecidas. Cada ordem executiva emitida pelo Presidente Trump ou protesto destinado a mudar uma prática atual, farão as redes sociais gerarem uma infinidade de links e opiniões. Essas opiniões geralmente levam a debates nas seções dos comentários que geram mais calor do que luz.

Como cristãos, o modo como nos envolvemos em discussões políticas nas redes pode ser especialmente complicado. De um lado, nossa fé toca cada área da nossa vida, portanto, política é importante. Por outro lado, sabemos que cada pessoa neste mundo deverá estar diante de Jesus um dia e a última questão não será se eles tinham a posição correta sobre questões de segurança nacional.

Quando você considera quão causadora de divisões a política pode ser e como geralmente nós dizemos coisas no calor do momento que podem influenciar o modo como as pessoas veem Jesus e o evangelho, cristãos devem gastar tempo em reflexões antes de publicarem sobre política nas redes sociais.

Na verdade, eu gostaria de sugerir sete perguntas que você deve fazer a si mesmo antes de publicar sobre política ou compartilhar um link de um artigo sobre alguma questão política.

Tenho os fatos corretos?

“O tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos” [NVI]. Embora o rei Salomão não pudesse ver o advento das redes sociais, ele conhecia o coração humano. Provérbios 18.2 nos lembra a importância de ouvir e entender uma questão antes de começar a falar sobre ela. Quanto mais divisiva a questão, mais tempo precisamos gastar para entendê-la.

A Bíblia fala sobre essa questão? Se eu acho que sim, tenho certeza que entendo a passagem bíblica em seu próprio contexto e que estou aplicando-a corretamente à situação? Há outros textos que falam sobre isso que eu não considerei?

Eu gostaria de sugerir que você leia uma ampla variedade de recursos sobre um assunto antes de opiniar a respeito dele nas redes sociais. Leia o artigo que mais se baseia em fatos que você puder encontrar. Por exemplo, Joe Carter postou um conjunto de perguntas frequentes sobre a ordem executiva do Presidente Trump a respeito dos imigrantes e refugiados. Ler esse tipo de arquivo pode lhe ajudar a obter um entendimento dos principais fatos. Depois, leia vários artigos de publicações mais liberais e outros de publicações mais conservadoras. Leia o The Atlantic, The New York Times, The Wall Street Journal e The National Review. Observe os argumentos de cada lado e veja como cada lado responde a eles. Através desse tipo de leitura cuidadosa, você pode obter uma compreensão melhor da questão antes de falar sobre ela.

Isso precisa ser dito?

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Quando eu era mais jovem, o versículo que mais ouvia sobre não xingar era Efésios 4.29. Embora possa falar disso, também tem algo a dizer sobre nossas interações nas redes sociais.

“E, assim, transmita graça aos que ouvem”. O que você tem a dizer vai trazer graça aos que ouvem? Eles aumentarão seu entendimento e obterão um discernimento maior da perspectiva bíblica sobre esse assunto? Suas palavras mostrarão Cristo a eles? Ou o que você vai dizer é apenas mero vento? Você vai trazer luz ou vai trazer apenas calor?

O que você tem a dizer pode ser correto, mas isso não necessariamente deve ser dito.

Porque eu preciso ser a pessoa a dizer isso?

Vamos imaginar que o que você tem a dizer sobre política nas redes deveria ser dito. Agora você precisa considerar se você é a pessoa certa para dizê-lo. Você tem um discernimento sobre essa questão que não tenha visto em outro lugar, ou você está meramente repetindo um argumento que leu em algum lugar? Você tem um papel ou uma responsabilidade onde pessoas estão procurando por sua liderança? Por que você deveria ser a pessoa a dizer o que está prestes a dizer?

Estou dizendo isso de uma forma que representa Cristo?

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” [Colossenses 4.6]. Pessoas que experimentaram a graça devem falar de modo que exibam a graça. Geralmente, nós publicamos a primeira coisa que vem à nossa mente sobre certa questão, não lemos para perceber como pode ser percebido e acabamostrazendo vergonha sobre Cristo e sua igreja através do nosso discurso imprudente. Emitir opiniões impensadas e que ofendem os outros é um sinal de tremenda tolice, isso demonstra falta de amor pelos nossos próximos e não honra a Jesus.

Antes de postar algo, leia o texto três ou quatro vezes. Printe a tela do texto e envie a um amigo. Está bom? Está correto? Está elaborado para o bem dos outros? Irá impactar negativamente o que as pessoas pensam sobre Jesus?

Paralelamente, se você precisa pensar duas vezes antes de postar sobre a política americana, então precisa pensar dez vezes antes de postar sobre políticas denominacionais. Na verdade, não consigo pensar em nenhuma boa razão para disputas denominacionais serem compartilhadas diante de um mundo observador nas redes sociais. Debata-as em grupos ou nas seções de comentários dos blogs, mas não as leve a público e traga desonra à causa de Cristo.

Como posso ser mal-interpretado?Eu aprendi uma lição em agosto passado no Facebook. Publiquei o que eu cria sobre ser uma falta de compromisso de Donald Trump sobre questões pró-vida e disse que era um terrível erro nomeá-lo. Quase imediatamente, meus amigos e família perceberam que minhas preocupações sobre Trump estavam apoiando Hillary Clinton.

A lição que aprendi disso foi que não havia nada a ser ganho por questionar a nomeação de Donald Trump, que no momento já era algo passado. A corrida presidencial era primariamente entre Donald Trump e Hillary Clinton. Eu falhei em pensar como as pessoas interpretariam minhas preocupações sobre um dos candidatos como se fosse apoio ao outro. Minha publicação não trouxe luz ou graça à situação e somente trouxe confusão.

Pare e pense antes de publicar. Você está se comunicando claramente ou há a possibilidade de um número significativo de pessoas lhe interpretarem de forma errada?Quais são meus motivos para dizer isso?

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus”.

Embora a questão dos nossos motivos esteja subjacente a várias outras questões, devemos fazer esse questionamento em si: Você pode honestamente dizer que está dizendo o que está dizendo para a glória de Deus e o bem de outros?Devemos estar cientes dos nossos motivos, pois eles irão determinar o que nós dizemos, como dizemos, quando dizemos e como responderemos às pessoas que discordarão de nós. Se o nosso motivo é divulgar algo porque estamos bravos, iremos falar brusca, precipitada e imediatamente, e feriremos aqueles que discordam de nós. Por outro lado, se os nossos motivos refletirem o ensino de Paulo em 1 Coríntios 10.31-32, então falaremos graciosa, gentil e racionalmente, e responderemos pacientemente àqueles que discordam.

Posso esperar até amanhã para dizer isso?

Quando Abraham Lincoln ficava bravo com alguém, ele escrevia o que chamava de “carta quente”. Ele colocaria a carta de lado até que suas emoções esfriassem. Daí então, leria a carta com a cabeça fria. Ele deixou de assinar e de enviar muitas cartas.

Embora Abraham Lincoln escrevesse cartas ao invés de posts nas redes sociais, seu hábito nos dá um exemplo útil para hoje. Se sua publicação lida com um tema particularmente sensível, ela pode esperar até amanhã? Se puder esperar um dia, salve-a como rascunho e revise amanhã. Ao ler novamente você pode descobrir que não deveria publica-la. Ou pode perceber que seria útil para as pessoas e clicar em “publicar”. De qualquer forma, quanto mais tempo puder esperar antes de entrar em uma discussão, melhor.

Cristãos, precisamos lembrar que somos cristãos em primeiro lugar. Nós representamos o Rei Jesus e sua igreja. Quando falamos, nossa fala deveria refletir as prioridades e o caráter do nosso Rei e de seu reino. Essa preocupação significa que precisamos tomar cuidados extras e considerar as palavras que dizemos online.

Tradução: Anderson Alcides

Revisão: William Teixeira

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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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Scott Slayton (M.Div., SBTS) serve como pastor principal na Chelsea Village Baptist Church in Chelsea, Alabama. Scott e sua esposa Beth têm quatro filhos:…

Como ter certeza que todos são pastoreados em uma igreja grande?

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No último texto, eu tratei de como um pastor pode ter certeza de que está pastoreando regularmente todos em  sua igreja. Nele eu expliquei um sistema para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja em um mês. Isso é baseado nos esforços de pastoreio de uma igreja menor; logo, naturalmente, posso antecipar a pergunta:

 

“Isso é ótimo, mas e aqueles que são pastores de uma igreja maior?”

 

Bem, a resposta rápida a essa pergunta de como você pode realizar esse sistema em uma igreja maior é: você não pode. Pelo menos, não por si mesmo. Outros devem pastorear com você. Ainda assim, depois de passar algum tempo servindo na equipe de duas igrejas diferentes, cada uma com mais de 1.500 membros, estou convencido de que cada membro ainda pode ser cuidado, ser conhecido e ser motivo de oração de forma individual pelos pastores e líderes, bem como contatado de alguma forma a cada mês.

 

Penso que a tabela de 28 dias que eu propus anteriormente pode ser feita na proporção de 1:100. Um pastor/presbítero/equipe para cada 100 membros da igreja. Isso se resume a menos de 5 pessoas ou famílias por dia pelas quais é preciso orar e com as quais é preciso contatar. Assim, se você está em uma igreja de 500 membros, você só precisa de 5 pastores que estejam dispostos a dedicar cerca de 30 minutos por dia para realizar isso. Se você está em uma igreja de 1.200 membros, só precisa de 12 pastores para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja.

 

Lembre-se, você não vai simplesmente se precipitar nesse tipo de esforço intencional, especialmente em uma grande igreja. Na verdade, talvez seja necessário reestruturar o modo como sua equipe está formada e funciona. Mas se você fizer o compromisso e crer que é possível pastorear cada membro da igreja em algum nível em uma base regular, independentemente do tamanho, sua alegria aumentará e as almas do seu povo se sentirão mais fielmente cuidadas por seus líderes (Hebreus 13.17).

 

Pastores, não creio que nós seremos desculpados do nosso chamado para prestar contas de cada alma (Hebreus 13.17) apenas por causa do tamanho da nossa igreja. Peçam a Deus que lhes conceda graça e discernimento sobre como isso pode ser realizado em sua igreja através do serviço dos seus pastores, diáconos, equipe e outros líderes. Deus honrará seus esforços para serem fiéis nesse aspecto.

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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

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Brian Croft é o pastor efetivo da Auburndale Baptist Church em Louisville, Kentucky. Ele também é autor de “Visit the Sick: Ministering…

 

13 Sugestões Práticas para Pastores Treinarem Novos Líderes

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A maioria dos pastores está bem familiarizada com a tirania do urgente. Geralmente há tantas brechas a tapar que parece impossível diminuir o ritmo e gastar o tempo que é necessário para treinar uma tripulação – isto é, para levantar novos líderes de igreja.

 

Contudo, como pastor, há diversas razões pelas quais você deve estar regularmente discipulando homens que tenham o potencial para servir como presbíteros, seja na sua igreja ou em outra.

 

Por que pastores devem treinar líderes

 

1. A Escritura ordena.

 

Em 2 Timóteo 2.2, Paulo escreve: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Uma vez que 2 Timóteo não foi escrita somente para Timóteo, mas para todos nós (Romanos 15.4; 2 Timóteo 3.16-17), todo pastor de uma igreja local deve treinar outros homens para serem mestres na igreja.

 

2. Pastores são mais aptos para treinar outros pastores.

 

Homens em treinamento para o ministério aprenderão melhor com aqueles que estão envolvidos na obra em tempo integral. Eles obterão sabedoria prática, sensibilidades pessoais e um entendimento minucioso da obra que não teriam de nenhuma outra maneira.

 

3. A igreja precisa.

 

Como pastor, você precisa assumir a liderança de levantar líderes, quer esses líderes venham a servir na sua própria igreja como presbíteros, quer eles vão a outro lugar. Se você não discipular líderes, quem o fará?

 

4. Isso evangeliza futuras gerações.

 

Um pastor pode fazer uma “obra missionária” para o futuro ao levantar líderes no presente. Quem liderará a sua igreja e evangelizará a sua comunidade quando você se for? Levante líderes agora e você conseguirá anunciar o evangelho não apenas na sua comunidade, mas no futuro.

 

Como pastores podem treinar líderes

 

Mas como um pastor super-ocupado, com uma escassa margem de recursos, pode discipular homens para serem líderes de igreja? Aqui está um punhado de sugestões práticas.

 

1. Compartilhe o seu púlpito (com cautela). Procure maneiras de dar a jovens homens de sua congregação, que sejam doutrinária e pastoralmente confiáveis, oportunidades para pregar e ensinar, ainda que eles não tenham a prática de falar em público.

 

2. Ensine a sua congregação a cuidar de outras igrejas e dos propósitos mais amplos do reino de Deus.

O objetivo é que a igreja como um todo abrace a meta de levantar pastores tanto para si mesma como para outras igrejas. Encoraje-os a ver que isso lhes trará mais benefícios no longo prazo. O seu encorajamento e liderança irão ajudá-los a serem mais generosos, a orar e a ser mais pacientes com homens mais jovens e inexperientes.

 

3. Ore publicamente por outras igrejas e pastores, pelo nome.

 

4. Ore publicamente pela propagação do evangelho em outras nações, pelo nome.

 

5. Procure outras maneiras de oferecer oportunidades de ensino e evangelização a homens mais jovens, como classes de escola dominical, oração pública ou a direção do culto. Treine-os no processo. Faça avaliações construtivas.

 

6. Mantenha uma “revisão de culto” semanal. Convide quem esteja publicamente envolvido no ministério da igreja a recapitular os eventos do dia. Peça avaliações construtivas de sua pregação ou direção de culto. Seja um modelo de como dar e receber encorajamento e críticas piedosas. (Dicas: enfatize o que for bíblico, teológico, pastoral, em vez do que for de sua preferência pessoal. Seja honesto, mas não lance um monte de críticas sobre os jovens e inexperientes de uma só vez. Procure evidências da graça e certifique-se de que os participantes saiam sentindo-se encorajados e edificados.)

 

7. Estabeleça um exemplo pessoal de evangelização, amizades com não-cristãos e discipulado de cristãos mais jovens. Olhe para aqueles que começam a imitar seu exemplo e invista especificamente neles.

 

8. Considere desenvolver um estágio pastoral.

 

9. Dê grandes quantidades de bons livros. Convide líderes em formação para uma conversa sobre o livro que você lhes deu, uma vez que eles o tenham lido.

 

10. Convide homens mais jovens para a sua sala de estudos, para que eles leiam e produzam à medida que você faz o mesmo.

 

11. Convide líderes em formação para que participem do seu processo de preparação do sermão. Discuta o texto com um ou dois outros homens à medida que você estuda. Após obter o ponto principal do texto, convide alguém para pensar em aplicações do sermão com você.

 

12. Pense em quaisquer janelas em sua vida e ministério que você possa abrir para líderes em formação: refeições em sua casa, tarefas cotidianas, visitas pastorais, compromissos em outras igrejas, conferências.

 

13. Discuta questões pastorais (que não sejam delicadas) com homens mais jovens e peça-lhes sua contribuição. Isso os treinará a pensar teológica e pastoralmente, e pode até mesmo dar a você uma nova percepção do problema.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

 

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel

5 Prioridades para o seu Primeiro Dia como Pastor

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Ontem a congregação “instalou” você como o pastor da igreja. (Isso soa como algo que você faz a uma máquina de lavar louça, não é mesmo?). Houve orações, abraços, sorrisos, música, comida, fotos e agora é segunda-feira. Por onde você começa? Você sabe que precisa preparar excelentes sermões, discipular membros da igreja e fazer evangelismo. Mas como você de fato começa? O que você deveria fazer no seu primeiro dia?

Em certo sentido, você não deveria fazer absolutamente nada. Não, não fique em casa assistindo futebol. Só não pense que você precisa mudar tudo em três meses. Você pode ter o título, mas a posição de pastor é tanto conquistada quanto concedida. Há muito o que aprender a respeito da sua igreja antes de começar a fazer mudanças. Além do mais, Cristo prometeu que ele edificaria a sua igreja. Você não precisa tentar fabricar crescimento.

Com isso em mente, aqui estão cinco prioridades que você deve trazer para o seu primeiro dia de ministério.

Prioridade 1 – Aprenda tudo o que você puder sobre as suas ovelhas (Envolvimento – 1 Pedro 5.1-4).

Você é um pastor. Bons pastores são tão próximos às suas ovelhas, que cheiram a ovelhas, e eles as conhecem pelo nome. Sugestões: Leia as minutas de assembleias administrativas passadas. Aprenda tudo o que puder sobre a fundação da igreja. Qual era a declaração doutrinária original? Houve alguma revisão da declaração ou da confissão da igreja? Se sim, por quê? A igreja já sofreu divisão? Há alguma questão não resolvida?

Torne-se familiar dos “veteranos”. Eles podem dar a você grande ajuda. Questione-os sobre tradições, histórias, políticas, etc. Desenvolva perguntas para fazer a cada membro da congregação, a fim de avaliar a saúde espiritual deles. O envolvimento que você ganha — e a confiança que você conquista — pode até mesmo ser mais valioso do que a informação que você juntará.

Prioridade 2 – Gaste tempo com a sua liderança (Humildade – Filipenses 2.5-8).

Sugestões: Visite seus líderes em seus locais de trabalho. Descubra a respeito de suas famílias, sua história, seus dons e seus pontos fortes em liderança. Faça a eles as perguntas que você está planejando fazer à congregação. Pergunte a eles pelo que você pode orar, e como você pode melhor servir a igreja. Peça a avaliação deles sobre a saúde da congregação. Tenha uma lista de livros pronta para sugerir que eles leiam. Planeje um retiro com eles para que você aprenda mais sobre eles e eles sobre você. Diga a eles o que você espera aprender sobre a congregação. Discuta a história com eles. Quais eventos deveriam ser celebrados? Compartilhe as suas conversas evangelísticas. Envie e-mails para eles diariamente.

Servir os seus líderes servirá de modelo para eles sobre como servir a igreja. As primeiras pessoas que você tem de discipular são os seus líderes. Eles irão discipulá-lo também.

Prioridade 3 – Planeje a sua pregação (Os meios de Deus para o crescimento – Romanos 10.17).

Explicar e aplicar fielmente as Escrituras terá mais impacto na sua igreja do que qualquer outra coisa que você puder fazer. Pregar é a sua prioridade número 1, mas está listada aqui como número 3 por conta da progressão da linha de pensamento. A informação que você reunir influenciará no seu plano de pregação.

Visto que o evangelho é fundamental para louvor, evangelismo, discipulado, resolução de conflitos, casamentos e todas as outras situações com que a sua igreja lida, considere uma série inicial de exposições do Evangelho de Marcos ou 1 João. Esteja preparado todas as vezes que você pregar e pregue sermões excelentes.

Prioridade 4 – Encontre-se com pessoas que não estão na sua igreja (Considerar outros – Filipenses 2.4).

Encontre-se com pastores da região. Eles podem dar a você as impressões que têm da sua igreja e informações a respeito da comunidade. Considere orar publicamente por esse pastor e sua igreja no domingo seguinte.

Encontre-se com funcionários públicos da cidade. Quais mudanças estão acontecendo na comunidade? Quais são as necessidades que eles veem nela? Existe algo pelo que você possa orar? Existe algo que a sua igreja possa fazer?

Visite os vizinhos. Apresente-se às pessoas à sua volta. É impressionante o quanto você pode aprender, e ainda poderá conquistar muita confiança da qual vai precisar.

Embora as informações que você reunir desses indivíduos venham a ser úteis, procurá-los também proporcionará oportunidades evangelísticas.

Prioridade 5 – Plante uma árvore frutífera (ou um jardim) (Fidelidade – 1 Coríntios 4.2).

Coisas que produzem frutos precisam de cultivo e tempo, e observar uma árvore crescer lembrará você disso. Você começou uma maratona; mantenha o ritmo.

Exemplos:

Um pastor apresentou um plano ambicioso em seus primeiros dois meses para fazer a igreja crescer através de uma estratégia de alcance agressiva: mudar-se para um local mais visível e livrar o calendário de ministérios desgastados e inúteis. Nada do que ele propôs estava errado, mas sem conquistar a confiança para liderar, ele foi embora após nove meses. Por trás dele, estava um rebanho fraturado, ferido e castigado.

Outro pastor disse que não queria fazer nenhuma mudança por um ano enquanto não aprendesse o quanto pudesse sobre as pessoas. Agora, catorze anos mais tarde, ele os havia guiado por muitas mudanças que foram conquistadas por sua fidelidade publicamente no púlpito e, privadamente no ministério pessoal.

James Boice uma vez disse que normalmente superestimamos o que podemos fazer em um ano, mas subestimamos o que pode ser feito em dez. Se você é um pastor novinho em folha, defina agora as prioridades que, pela graça de Deus, darão frutos daqui a dez anos.

Tradução: Alan Cristie

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Autor
Bob Johnson
Robert “Bob” Johnson é pastor da Cornerstone Baptist Church em Roseville, Michigan

Existe alguém piedoso o bastante para ser um pastor?

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Quando avaliamos o chamado para o ministério pastoral, a primeira questão que um homem deve perguntar é: Eu sou piedoso?

 

Os requisitos morais para um pastor são claramente especificados em 1 Timóteo 1.1-7, que diz:

 

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.”

 

Se você é como a maioria das pessoas, a lista de qualidades pode parecer longe de ser alcançada. À primeira vista, essa passagem, juntamente com a passagem de Tito 1, parece deixar rapazes medianos fora de questão! Quem possivelmente consegue viver de acordo com tais requisitos?

 

Aqui estão duas coisas a considerar ao pensar sobre essa passagem. Primeiro, a maioria das qualidades que são listadas nessas passagens são, na verdade, mandamentos a todos os crentes, de certa maneira. Todo o cristão é chamado a ser “temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro” e “não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento”, e que governe bem a própria casa “criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito”. Não é como se pastores e presbíteros não podem se embebedar, enquanto outros crentes são livres para encher a cara como universitários na balada[1] !

 

Aqui está o meu ponto: o homem chamado ao ministério não é um tipo de super cristão que vive sob um código de conduta superior. Ele simplesmente é um homem chamado, dotado de dons que o capacitam a liderar o povo de Deus e com a graça que o permite ser um exemplo.

 

A segunda coisa a respeito dessa passagem é que o homem chamado pode acabar se aproximando dessas passagens com um padrão inflexível que demanda conformidade e pune desobediência. Se você se sente dessa maneira a respeito dessas passagens, você precisa entender algo muito importante: O chamado de Deus sobre um homem transmite a graça necessária para a piedade exigida.

 

Deixa-me explicar isso um pouco mais. Em 1 Timóteo 3 e Tito 1, nós vemos extraordinárias evidências da atividade de Deus precedendo toda clara evidência de chamado. Contudo considere o modo como Paulo usa o termo “seja” em 1 Timóteo 3.2. O bispo deve ser irrepreensível, temperante,  sóbrio, modesto etc. O tempo presente permanece por toda a lista. Paulo não está apresentando uma lista de alvos a serem alcançados. Pelo contrário, ele está falando de qualidades que já estão presentes. Elas são pré-condições para um presbítero, não eventuais resultados a serem aguardados.

 

O que isso quer dizer, então? Que a graça de Deus está operando em certos homens a produzir certos tipos de vida. Identificar um homem chamado é primariamente observar graça já operante na vida de um homem. A graça radiando através da vida de um homem é um indicador de que ele é chamado.

 

Pode alguém atingir as qualificações do ministério pastoral? Sim, porque o chamado de Deus transmite graça. Se você é chamado, pode confiar que Deus já começou a trabalhar em você.

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 [1]Literalmente, como garotos de fraternidade. Pensei em colocar “membros de DCE” ou “moradores de república estudantil”, mas ficaria ofensivo aos crentes que participam de DCE ou moram em repúblicas, num generalismo bobo. Preferi uma adaptação, já que não existem fraternidades no Brasil.

 

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

 Autor    Dave Harvey

 

Dave Harvey é pastor na Convenant Fellowship Church, Pennsylvania (EUA), que faz parte da família de igrejas do ministério Sovereign Grace. Dave…

Todo cristão deve estar envolvido no “ministério da Palavra”

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Quando olhamos para o Novo Testamento e para o livro de Atos em particular, vemos que o evangelho se espalhou e a igreja cresceu através da proclamação e ensino da “Palavra de Deus” (Atos 6.7; 12.24; 19.20). Essa deve ser a base para todo e qualquer ministério em nossas congregações: devemos ser “baseados na Palavra”. Esse é o ponto de partida. Mas observe o que era o “ministério da Palavra” no Novo Testamento:

(1) algo feito por todos os crentes (Atos 8.4) e (2) era em grande parte (embora não exclusivamente) feito através de uma rede de relações informais e amizades (Atos 10.2, 24; 16.15, 31).

Em harmonia com isso, também observamos no livro de Atos que o “ministério da Palavra” na igreja primitiva tinha um propósito encorajador (crente com crente) e uma vertente evangelística (crente com incrédulos).

A questão é que todo cristão deve estar envolvido no “ministério da Palavra” em uma dessas formas. Alguns de nós são encorajadores e podem se aproximar de crentes jovens ou em dificuldades e conectar a Palavra de Deus, fazendo com que ela seja aplicada em suas vidas.

Alguns de nós somos melhores com os incrédulos e podemos conectar a Palavra de Deus, aplicando-a às suas vidas. Um dos sinais de um cristão saudável (na verdade, de uma igreja saudável) é que este “ministério da Palavra” está operando em uma série de diferentes níveis e em diferentes contextos em uma base regular. Aqui estão algumas maneiras em que este ministério poderia e deveria estar acontecendo:

1. Espontaneamente: Trata-se de quando nos envolvemos com alguém (ou mais de uma pessoa) completamente de modo voluntário e fora do “programa” normal da igreja. Por exemplo, encontramos alguém nas lojas e acabamos conversando. Isso, por sua vez, termina em um estudo bíblico não planejado. Em outras palavras, não é uma “reunião marcada” ou um “evento específico”, mas uma oportunidade dada por Deus que intuitivamente aproveitamos.

É claro que isso exige flexibilidade da nossa parte, bem como uma abertura ao Espírito Santo e às necessidades das pessoas ao nosso redor. Significa ser menos “focado na tarefa” em nossos dias e deixar espaço para o que eu chamo de “espontaneidade organizada”. Peça ao Senhor para intervir em seu dia e esteja preparado para ser espontâneo quando necessário. Algumas das minhas maiores oportunidades vêm por essa abordagem à vida e às pessoas.

2. Relações pré-existentes: Há algum crente que conhecemos que se beneficiaria de reunir-se conosco e estudar as Escrituras? Existe um crente maduro que você conhece do qual você poderia se aproximar para que ele o ajudasse em sua caminhada cristã e melhorasse a sua compreensão bíblica? Existe um incrédulo que você conhece que poderia ativamente conhecer melhor? Às vezes, só precisamos arriscar.

3. Propositadamente: Devemos aprender a tomar mais a iniciativa em nossos relacionamentos com as pessoas. Eu, 99% das vezes, tomarei a iniciativa com alguém para ir jogar bilhar, ou levá-lo para tirar documentos, ou fazer um estudo, pois eu sinto que tenho o dever de fazê-lo, mas também porque as pessoas sempre assumem que o outro está “muito ocupado” para eles.

Nós vivemos em uma época maravilhosa agora. Sim, há muitos céticos e aborrecedores lá fora, mas também há muitos que estão curiosos e abertos a descobrir mais. Há pessoas deprimidas e solitárias ao nosso redor, marginalizadas pela nossa cultura tecnológica com seus mundos virtuais e amizades online. Há uma grande quantidade de material disponível para os cristãos usarem, tanto internamente, dentro das nossas igrejas, quanto externamente, com o mundo incrédulo.

Recentemente, li um relatório que sugere que muitos cristãos não estão conseguindo alcançar as pessoas com o evangelho por uma das três razões:

(1) Nós não temos alegria em nossa vida (nenhum poder).

(2) Nós não temos humildade e respeito pelos incrédulos. Simplesmente não conseguimos nos preocupar com eles.

(3) Nós não temos coragem. Nós tememos o que as pessoas pensarão ou como reagirão a nós.

Descubra qual é o seu problema persistente e leve-o ao Senhor em arrependimento. Vamos nos envolver no ministério da sua Palavra.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silvo

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Autor
Mez McConnell
É pastor sênior da Niddrie Community Church, Edimburgo, Escócia. É fundador do 20schemes.

Uma biografia de John Huss

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“Se ele fosse profético, deve ter se referido a Martinho Lutero, que surgiu cerca de cem anos depois”. Assim escreveu John Foxe em seu Livro dos Mártires do século XVI, referindo-se a uma declaração atribuída ao reformador boêmio João Huss por ocasião de sua morte. Condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança, Huss — de acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato — voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: “Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar”.

 

Por que Huss se identificou como “um ganso”? E por que os comentaristas posteriores — nada menos que o próprio Lutero — acreditavam que a lendária profecia de Huss se referia ao monge alemão cujo protesto contra as indulgências iniciou a Reforma um século depois?

 

A primeira pergunta é mais fácil de responder do que a segunda. Huss, nascido por volta de 1372, era proveniente da cidade do sul da Boêmia, Husinec (literalmente, “Goosetown” [Cidade do ganso]), onde agora é a República Checa. Seu sobrenome, derivado do seu lugar de nascimento, significa “ganso” em tcheco. Compreender por que Lutero e os Protestantes mais tarde criam que Huss tinha antecipado, se não previsto, a Reforma é mais difícil e requer alguma consideração sobre a vida, doutrina e morte de Huss.

 

A vida de Huss

 

Em 1390, Huss, cujos primeiros anos permanecem desconhecidos, matriculou-se na Universidade de Praga com a intenção de treinar para o sacerdócio. Posteriormente, ele confessou que o ministério ordenado o atraiu por sua promessa de proporcionar uma vida confortável e estima mundana. Apesar de dedicar, por sua própria confissão, muito tempo para jogar xadrez, Huss se destacou em seus estudos e após receber o seu mestrado em 1396, vinculou-se à faculdade de filosofia da universidade.

 

Pouco depois de começar a ensinar, Huss experimentou, nas palavras de um biógrafo, uma “mudança radical e fundamental”, resultando em um compromisso mais profundo com Cristo. Essa “mudança” pode ter se originado da exposição ao pensamento de John Wycliffe, cujas ideias estavam começando a criar uma comoção em Praga. O programa de reforma de Wycliffe — que incluía críticas estridentes à imoralidade clerical, rejeição da doutrina medieval da transubstanciação e insistência sobre o acesso leigo à Escritura na língua vernácula — chegou à Boêmia graças, em grande parte, aos estudantes tchecos que estudaram na própria Universidade de Oxford de Wycliffe e voltaram para casa com as mentes repletas das ideias de Wycliffe e as mochilas cheias de livros de Wycliffe.

 

Em 1403, o conflito sobre as ideias de Wycliffe chegou ao ponto alto na Universidade de Praga. Embora Huss se opusesse à rejeição da transubstanciação de Wycliffe, concordou com muito do que o reformador inglês havia dito, e passou a defender o partido reformista pró-Wycliffe. Apenas um ano antes, Huss fora nomeado pregador da Capela de Belém, no centro de Praga. Seus sermões no púlpito de Belém refletiam cada vez mais a preocupação de Wycliffe com a corrupção no interior da igreja.

 

A pregação do “pequeno ganso de Deus”, como Huss veio a ser chamado, era imensamente popular, atraindo multidões de vários milhares. Huss estava desejoso de tornar as Escrituras e sua mensagem reformadora acessíveis ao povo. Ele não só pregou em tcheco, mas traduziu partes da liturgia, assim como vários hinos latinos para a língua vernácula. Ele mesmo aproveitou o espaço vazio na capela para promover a sua mensagem, colocando murais que contrastavam a humildade e simplicidade de Cristo com a vaidade e a ganância dos sacerdotes contemporâneos.

 

Em 1409, o papado, perturbado pela crescente fama de Huss, ordenou ao arcebispo de Praga que proibisse qualquer outra pregação na Capela de Belém. Huss se recusou a abandonar seu púlpito. No ano seguinte, o arcebispo excomungou Huss com base em heresia e logo depois fugiu da cidade por medo de represálias populares. Huss continuou pregando. Em 1411, o papado, que tinha então emitido uma segunda excomunhão de Huss (sem efeito), colocou toda a cidade de Praga sob interdito, proibindo, assim, o clero de Praga de oferecer sermões, casamentos, a eucaristia, ou outros serviços religiosos ao povo.

 

Inicialmente, o interdito do papa teve pouca força graças ao rei Wenceslaus IV, da Boêmia. Wenceslau (cujo nome desde o século décimo se tornaria depois o tema de um hino de Natal) apoiou Huss e ordenou ao clero de Praga que ignorasse o interdito. Em 1412, no entanto, as circunstâncias colocaram Huss e Wenceslau um contra o outro. O papado começou a vender indulgências na Boêmia para arrecadar dinheiro para uma campanha militar. Wenceslau não fez nenhuma objeção a isso, em grande medida porque recebeu uma parte dos ganhos. Mas Huss, que via a venda das indulgências como sinal da corrupção da igreja, protestou tanto do púlpito quanto da tribuna. O rei, ansioso para manter a sua renda recém-descoberta, proibiu a crítica das indulgências. Ele reforçou essa proibição ao decapitar vários homens que falaram contra as indulgências. A fim de enfraquecer ainda mais Huss, o rei agora mandou ao clero de Praga que cumprissem o interdito do papa.

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Huss, relutante em ver as pessoas privadas da Palavra e do sacramento, saiu de Praga em 1412. Passou os dois anos seguintes em exílio auto-imposto no sul da Boêmia, escrevendo obras que aprofundaram seus ideais reformadores. Em 1414, foi citado para comparecer perante o Concílio de Constança, para responder às acusações de heresia, e lhe foi prometido um retorno seguro do concílio pelo imperador Sigismundo, irmão do rei Wenceslaus. Huss concordou em participar do concílio, consciente de que ele não retornaria, mas esperançoso de que poderia ter oportunidade de promover sua visão para a reforma da igreja. Ao chegar em Constança, em novembro de 1414, ele foi aprisionado e permaneceu preso até o seu julgamento e execução no verão seguinte.

 

A teologia de Huss

 

Huss não era mero imitador de Wycliffe, como alguns estudiosos têm sugerido. Nem, como outros têm indicado, ele antecipou o protestantismo em todos os aspectos. Contra ambos, Wycliffe e os reformadores, ele defendeu a doutrina da transubstanciação, embora negasse que os sacerdotes por si mesmos têm o poder de realizar a transformação do pão no corpo de Cristo. Contra a doutrina protestante de sola fide, ele cria que a caridade desempenha um papel instrumental na justificação dos pecadores.

 

Contudo, Huss antecipou uma série de convicções-chave do protestantismo. Ele criticou a veneração idólatra dos seus contemporâneos de Maria e dos santos. Ele também criticou a prática medieval de reter o cálice do povo comum (por temor, ostensivamente, para que não lidassem de modo indevido com o sangue de Cristo) e oferecer-lhes apenas o pão na eucaristia. A insistência de Huss de que os leigos recebessem pão e vinho veio a marcar os seus seguidores de modo que, quando forçados a se defenderem militarmente após a morte de Huss, incorporaram um cálice no brasão.

 

Ele também antecipou os reformadores — e revelou a extensão de sua dívida com Wycliffe — em sua doutrina da igreja. Huss identificou a verdadeira igreja com aquele corpo invisível de crentes no passado, presente e futuro que foram eternamente eleitos por Deus para a salvação e incorporados em Cristo como a sua cabeça. Nem todos os membros da igreja visível, argumentou ele, pertencem à igreja invisível, e quando o clero em particular prova ser reprovado por suas ações, sua autoridade é suspeita. Essa doutrina baseou as severas críticas de Huss a sacerdotes e papas como “anticristo” e sua disposição em desconsiderar as bulas papais quando claramente contradiziam as Escrituras.

 

 

 

Intimamente relacionada com sua doutrina da igreja, estava a doutrina de Huss sobre as Escrituras. Huss rejeitou qualquer alegação de que a igreja visível, que em qualquer momento poderia ser mais povoada pelos réprobos do que pelos eleitos, exercia a infalibilidade em suas decisões ou interpretações da Escritura. Ele mantinha as vozes tradicionais na igreja, especialmente os pais da igreja, em alta consideração; na verdade, ele privilegiava a interpretação das Escrituras por parte dos pais da igreja sobre a interpretação de qualquer indivíduo, incluindo a sua própria. Mas Huss admitiu que até os pais poderiam errar. Assim, ele reconheceu a Sagrada Escritura como a única regra infalível da fé e prática cristã, uma visão que os reformadores expressariam com o slogan sola Scriptura.

 

A morte de Huss

 

Huss teve oportunidade limitada de defender sua doutrina no Concílio de Constança, e ele acabou sendo condenado por uma mistura de afirmações legítimas e espúrias sobre suas crenças. Ele foi chamado a negar os ensinamentos falsamente atribuídos a ele. Huss recusou-se a fazê-lo, embora selasse seu destino, porque não queria perjurar-se admitindo crenças que não possuía.

 

Em 6 de julho de 1415, Huss foi despojado das suas vestes clericais, enfeitado com um chapéu de burro com desenhos de demônios, amarrado a uma estaca, e queimado até a morte. De acordo com um relato de testemunhas oculares, ele confiou a sua alma a Deus e cantou um hino a Cristo enquanto as chamas o envolviam. Uma vez morto, as autoridades trituraram seus restos mortais e os jogaram no rio Reno para impedir que fossem venerados por seus seguidores. Ironicamente, Huss provavelmente teria apreciado esse gesto final.

 

Huss nunca pronunciou realmente a famosa profecia atribuída a ele na ocasião de sua morte. Ele expressou, numa carta que escreveu durante a sua prisão, a esperança de que “pássaros” mais fortes do que ele surgiriam para continuar seu trabalho. De fato, foi Lutero, em escritos da década de 1530, que transformou as palavras de Huss em um oráculo que encontrou sua realização nele. Seja como for, acredita-se que Huss se alegraria ao ver o dia de Lutero e ficaria feliz em reconhecer a obra de Lutero e os subsequentes esforços para reformar a igreja de acordo com a Palavra de Deus como uma continuação digna dos seus próprios labores.

 

 

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: The Goose

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

 

Aaron Denlinger

Dr. Aaron C. Denlinger é diretor de departamento em latim na Academia Arma Dei em Highlands Ranch, Colo., Professor adjunto de história da igreja.

Material complementar (Com Podcast e Filme)

http://bibotalk.com/podcast/btcast-033-john-huss/

 

Discipulado: o que é, o que fazer e como começar

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Texto de Bobby Jamieson

Nota do editor: Este é um folheto que a liderança da Capitol Hill Baptist Church distribui a novos membros. Pensamos que pode ser útil também a outras igrejas, embora você precise alterar os detalhes necessários.

 

Novos membros de igreja têm muitas perguntas. Uma muito comum é: Como eu me envolvo em um relacionamento de discipulado?

 

Que importante pergunta! Discipulado é crucial para o nosso crescimento cristão enquanto indivíduos, assim como para tornar o evangelho visível em nossa vida comunitária como igreja. Assim, nós fazemos todo o possível para cultivar uma cultura de discipulado em nossa igreja.

 

  1. O que queremos dizer por “discipulado”?

 

Em certo sentido, quase tudo o que fazemos como igreja local é sobre ser e fazer discípulos. Os cânticos cantados, as orações oradas e, certamente, os sermões pregados todos almejam nos edificar para sermos discípulos que glorifiquem a Deus.

 

Mas, neste folheto, temos algo mais específico em mente ao usarmos a palavra “discipulado”. Estamos pensando particularmente em relacionamentos individuais. Mais formalmente, estamos falando sobre o encorajamento intencional e o treinamento de discípulos de Jesus com base em relacionamentos deliberadamente amorosos.

 

Jesus nos diz para acompanharmos uns aos outros deste modo: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15.12). Como Jesus amou os seus discípulos de maneiras que possam ser imitadas? Ele os amou intencional, propositada, humilde, alegre e normalmente. Vamos pensar nessas descrições.

 

Intencional: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros […]” (João 15.16a). Jesus não simplesmente esbarrou em seus discípulos; ele tomou uma amorosa iniciativa. Ele os escolheu. O amor semelhante ao de Cristo não é passivo; ele toma iniciativa. Amar outros cristãos como Cristo nos amou significa tomar a iniciativa.

 

Propositado: “e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15.16b). O amor de Cristo por seus discípulos é propositado. Ele os chamou a darem fruto para a glória de Deus. Em outras palavras, o seu amor não é meramente sentimental, mas tem o compromisso maravilhoso de glorificar a Deus. Se havemos de amar uns aos outros como Cristo nos amou, certamente iremos compartilhar os objetivos de Jesus para conosco, isto é, o bem espiritual dos nossos amigos e a glória de Deus por meio da alegria deles no evangelho.

 

Humilde: Jesus diz: “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (João 15.9) e “Já não vos chamo servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (João 15.15a). Jesus condescende em ser nosso amigo, muito embora esteja ele infinitamente acima e além de nós em majestade, santidade e honra. Certamente, então, nós devemos nos relacionar com toda a humildade com nossos irmãos e irmãs com quem compartilhamos a queda. Nós os tratamos como amigos a quem amamos, não como “projetos” ou “inferiores”. Nós não nos colocamos por cima, antes honramos e cuidamos.

 

Alegre: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós” (João 15.11, ARC). Jesus nos ordena a amarmos uns aos outros a fim de conhecermos a sua alegria. Cuidar de outros cristãos e encorajar o seu crescimento na graça pode ser trabalho árduo. Mas é um trabalho maravilhoso e Jesus diz que é um trabalho que traz alegria!

 

Normal: Jesus torna esse tipo de discipulado amoroso o seu mandamento básico para todo o seu povo e, assim, algo normal para todos os cristãos. Ouça novamente: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Não é surpreendente que você encontre essa conversa sobre o discipulado cristão básico ao longo da Palavra de Deus:

 

“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3.13).

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10).

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1 Tessalonicenses 5.11).

O Novo Testamento está cheio de tais exortações. Jesus e os apóstolos não desejavam que o discipulado entre cristãos fosse excepcional, e sim normal.

 

Como um membro de nossa igreja, nós desejamos que você seja

 

intencional,

proposital,

humilde

e alegre

à medida que nós trabalhamos juntos para tornar normal esse tipo de relacionamento entre indivíduos.

 

Faça isso deixando que as pessoas o conheçam. Faça isso trabalhando para conhecê-las. De fato, todo o nosso trabalho consiste em cultivar uma cultura de discipulado neste lugar.

 

  1. O que queremos dizer por uma “cultura de discipulado”?

 

Você provavelmente ouvirá bastante essa expressão entre nós. A maioria dos dicionários define “cultura” mais ou menos como “os valores, objetivos e práticas compartilhados que caracterizam um grupo”. É basicamente isso o que temos em mente no que se refere ao discipulado em nossa igreja. Nós não queremos apenas um programa, queremos que o amor e o encorajamento mútuos sejam um valor, um objetivo e uma prática que caracterizem cada um de nós de maneira crescente.

 

Programas formais não são necessariamente ruins, mas nós queremos ter certeza de que não nos desviamos do ideal bíblico. E o ideal bíblico, como dissemos, é nos tornarmos um lugar em que seja normal tomar a iniciativa de fazer o bem espiritual uns aos outros. Nós não precisamos nos inscrever em nada nem obter permissão alguma para começarmos a amar nossos companheiros de membresia dessa maneira. Tampouco você deseja uma igreja na qual o discipulado ocorre apenas quando sustentado pela liderança. Essa não é uma igreja saudável! Não, nós queremos que você ore e pense em como pode se envolver. E então converse com um presbítero ou algum outro membro sobre suas oportunidades e mordomias peculiares.

 

  1. O que eu devo fazer em um relacionamento de discipulado?

 

O aspecto mais significativo de qualquer relacionamento de discipulado, com frequência, não é exatamente o que vocês fazem ao se encontrarem, mas o fato de vocês edificarem um relacionamento que tenha a verdade bíblica em seu âmago. Desse modo, não há um “programa estabelecido” para relacionamentos de discipulado em nossa igreja. Os membros fazem uma variedade de coisas:

 

Reúnem-se semanalmente para discutir o sermão de domingo, um livro cristão ou um livro da Bíblia.

Participam juntos de um Seminário Essencial[1] e discutem aplicações específicas para a vida uns dos outros.

Convidam membros solteiros para se ajuntarem às devoções familiares.

Acompanham mães com crianças pequenas em suas caminhadas.

Ajudam pais no trabalho de jardinagem e buscam conselhos.

Agendam “dias de jogos” para as crianças e conversam sobre o sermão dominical da noite.

Os exemplos abundam e os locais de encontro são flexíveis. O que é importante, de novo, é que você busque uma ocasião na qual tenha tempo para se relacionar com outro membro com o alvo intencional de encorajar e ser encorajado pela verdade da Palavra de Deus.

 

Então, seja criativo! Mas seja intencional com respeito a amar uns aos outros do melhor modo, o mais elevado e mais bíblico – almejando fazer o bem espiritual a outra pessoa.

 

Se você necessitar de ainda mais ajuda para pensar em relacionamentos de discipulado, nós temos um Seminário Essencial de treze semanas a respeito de discipulado. Participe dele na próxima vez que for oferecido, nas manhãs de domingo, às 9h30min. Ou baixe a apostila da aula sobre discipulado em www.capitolhillbaptist.org.[2]

 

  1. Como eu posso entrar em um relacionamento de discipulado?

 

Há três maneiras de estabelecer um relacionamento de discipulado em nossa igreja. Primeiro, tome a iniciativa pessoal de tentar construir um relacionamento de discipulado com qualquer outro membro (do mesmo gênero seu, por favor). Não é preciso nenhuma permissão da liderança! Em vez disso, chegue cedo à igreja. Fique até tarde. Participe das refeições após os cultos nas noites de domingo. E comece a conhecer outras pessoas. Com o tempo, esperamos que você começará a construir o tipo de relacionamento no qual essas coisas acontecem naturalmente.

 

Segundo, peça ao líder do seu pequeno grupo sugestões e auxílio, se você participar de um pequeno grupo (o que não é obrigatório). Eles podem não estar livres para se encontrar com você regularmente, mas, à medida que o conhecerem melhor, possivelmente eles poderão ajudá-lo a se conectar com outro membro que possa fazê-lo.

 

Terceiro, se nenhum desses caminhos resultarem num relacionamento de discipulado regular, sinta-se livre para contatar um dos líderes da igreja para obter ajuda. Sempre há um número de membros que, por causa da agenda, da geografia ou de outras razões, têm dificuldade em se conectarem individualmente a outros membros. Nesses casos, a liderança da igreja tem o prazer de ajudar. Apenas ligue para o gabinete e agende com um dos pastores auxiliares.

 

Nós o encorajamos, de fato, a começar por sua própria iniciativa. Isso pode levá-lo a alongar, ou até mesmo desenvolver, os músculos da disciplina e do evangelismo que irão servir a você mesmo e a outros por anos a fio. Você pode descobrir que fazer isso é uma das experiências mais satisfatórias em sua vida como cristão. E você pode se ver compreendendo mais claramente o que Jesus pretendia ao dizer: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

 

Notas:

[1] N.T.: Seminários Essenciais (Core Seminars) são classes de escola dominical para adultos, oferecidas na Capitol Hill Baptist Church, com o objetivo de ajudar os membros a compreenderem “as sutis complexidades e as abrangentes verdades do nosso Deus e da teologia, do ministério e da história que ele escreveu”.

[2] N.T.: Em inglês.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Levando seu trabalho para o exterior em prol do evangelho

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Texto de Andy Johnson

Você já pensou em realizar negócios em prol de missões? Você deveria. Permita-me dar-lhe duas ilustrações do que é isso.

Recentemente eu estava sentado em um restaurante asiático em Londres, conversando com um ex-membro da igreja cujo pastor eu ajudei em Washington. Ele e sua jovem família tinham se mudado um ano antes para Londres, especificamente para ajudar uma igreja em dificuldades nas proximidades. Ele faria isso como um membro fiel da igreja com um trabalho comum. Recentemente, ele se tornou um presbítero na congregação, e seu pastor (também um amigo meu) confidenciou-me depois que a presença dessa família fiel ajudou a mantê-lo trabalhando no solo rochoso da Londres pós-cristã.

 

Essa é uma ilustração. Aqui está outra. Exatamente um mês antes, eu estava sentado em um restaurante de espetinhos menos elegante em uma região problemática da Ásia Central. Estava visitando outra jovem família da nossa igreja em Washington. Eles também haviam se mudado recentemente com seus empregos para uma cidade a poucos quilômetros das linhas de frente do Estado Islâmico (ISIS). Eles estavam se unindo a um casal missionário de tempo integral enviado um ano antes. Eles não se viam como missionários plantadores de igrejas em tempo integral. Simplesmente amavam fazer o seu trabalho educativo sem fins lucrativos com os refugiados. Mas, rapidamente, eles estavam se tornando úteis para a sua pequena igreja internacional. Certamente, havia lutas espirituais no entorno deles, mas essa família parecia animada com o seu futuro.

 

Tem sido uma alegria ver esses tipos de situações se refletindo com frequência por duas décadas. Pessoas comuns descobrem como usar as suas habilidades e vocações para apoiar a obra do evangelho em lugares difíceis, não como plantadores de igrejas ou “missionários”, mas como cristãos comuns e fiéis.

 

As pessoas chamam esse tipo de atividade por muitos nomes diferentes: Negócios como Missões, Fazedores de tendas[1] e Profissionais de Mercado Móvel. Alguns termos são melhores do que outros. Alguns carregam um pouco de bagagem teológica desnecessária. Mas todos os termos são variações da mesma ideia: cristãos que se inserem em uma cultura por meio do mercado podem usufruir de acesso, bem como de vantagens financeiras e relacionais, que as pessoas no ministério vocacional não podem. Além disso, eles serão capazes de ajudar as pessoas no ministério de tempo integral em lugares difíceis.

 

Se você nunca pensou em levar o seu trabalho para o exterior em prol do evangelho, pense nisso. Aqui estão algumas coisas que tenho observado nos últimos 20 anos de encorajamento desse tipo de atividade.

 

  1. Reconheça a sua necessidade para a comunidade.

 

Quando as pessoas começam a pensar em se mudar para o exterior com seus empregos para os propósitos do evangelho, alguns imaginam um trabalho pioneiro em lugares não-alcançados. Em vez disso, a maioria deve pensar em se unir a igrejas já estabelecidas no exterior, e não em fazer experimentos novos entre os não-alcançados. Todos precisam da comunidade, de prestação de contas e de ajuda no ministério. Estruturas de apoio da comunidade há 16.000 quilômetros de distância não são exatamente ideais. Em vez disso, você deve ir a um lugar onde haja uma boa igreja local em uma língua que você entende, ou pelo menos uma equipe missionária local muito forte que possa preencher essa lacuna. É uma raridade que alguém consiga trabalhar mais de 40 horas por semana, em uma nova cultura, e sustentar a si mesmo e sua família sem uma igreja.

 

  1. Reconheça que uma igreja local é uma plataforma para o ministério em todos os lugares.

 

Você não somente deveria considerar mudar para um lugar com uma igreja local saudável em uma língua que você entende, mas ainda melhor, você deveria apoiar essa igreja como o foco principal do seu ministério. Os profissionais cristãos mais nitidamente frutíferos que tenho observado fazem exatamente isso.

 

Muitas vezes, é difícil ver como tanto ministério frutífero vem pela comunhão, cooperação e testemunho de uma congregação local de crentes. Mas esses frutos podem se tornar evidentes em uma nova cultura. O ensino, as interações e o testemunho público coletivo de uma congregação local é uma representação do evangelho ainda mais poderosa do que a nossa conduta privada no trabalho. É verdade que pode haver lugares onde ainda não exista uma igreja com a qual vincular-se, e pode haver lugares onde os profissionais cristãos precisarão se reunir com algumas famílias missionárias. Porém, a maioria das pessoas florescem espiritualmente quando há uma igreja local que funciona como o centro de suas vidas e ministério. E há pequenas igrejas assim em todo o mundo.

 

  1. Tenha expectativas otimistas e realistas.

 

A maioria dos cristãos não deseja ou se sente capacitada para ser um membro da equipe de tempo integral de uma igreja local. E a maioria deles está muito feliz no estilo de vida e relacionamentos que Deus lhes deu. Eu, pessoalmente, passei quase 20 anos da minha vida como um empresário ou um empregado e encontrei uma grande alegria como um cristão naquela época. E, no entanto, essas pessoas geralmente terão muito menos tempo livre para oferecer ao ministério do que uma pessoa em tempo integral na equipe da igreja.

 

O mesmo é verdade quanto às pessoas que se mudam para o exterior com um trabalho paralelo à obra do evangelho. Eles não terão a mesma quantidade de tempo para estudar a língua ou para apoiar muitos aspectos do ministério, como um missionário de tempo integral terá. A boa notícia é que o que eles fazem pode ser mais estratégico se estiverem em um lugar onde os cristãos bíblicos são poucos e infrequentes.

 

  1. Entenda por que isso não é o mesmo que ser enviado como missionário.

 

Em 3 João, o apóstolo João descreve o tipo de pessoa a quem os cristãos têm se referido historicamente como missionário. Trata-se de alguém que foi enviado por uma igreja para fazer o nome de Cristo conhecido, e ele ou ela confia na igreja (não nos pagãos) para o seu apoio. E João ordena aos cristãos (ele usa a insistente palavra “devemos”) para apoiar essas pessoas e se associar a elas na verdade do evangelho.

 

Em outras palavras, mudar-se para o exterior com um trabalho para estar ao lado de uma igreja ou de uma equipe missionária não é a mesma coisa que ser um missionário, mas é absolutamente valioso. Percebo que algumas pessoas ficarão ofendidas por essa distinção. Mas eu acho que a maioria de nós entende isso. Nem todos são mestres ou presbíteros na igreja, mas cada um ainda tem um papel valioso a desempenhar (1 Coríntios 12.12-31). “Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve”. Você não precisa ter um título ou um cargo específico para ser uma bênção para a obra de Cristo.

 

  1. Entenda por que negócios em prol de missões é algo tão bom.

 

A maioria de nós precisa se sustentar com um trabalho. A maioria de nós nunca desfrutará dos benefícios (e fardos) de trabalhar em tempo integral na obra do evangelho. Tanto 1 como 2 Tessalonicenses retratam muito claramente a normalidade e bondade da vida cristã comum e que se autossustenta. Porém, muitos de nós podem escolher onde vivem. E aqui, a liberdade cristã nos dá uma grande variedade de escolhas. Alguns podem escolher deixar uma igreja que amam para ajudar na plantação de uma igreja no outro lado da sua cidade. Alguns se enraizarão profundamente e permanecerão na mesma igreja, mesmo à custa de novos e estimulantes empregos ou oportunidades. E alguns podem optar por desarraigar sua vida e mudar-se para um país diferente para incentivar a obra do evangelho onde os trabalhadores são poucos. Todas são ótimas opções. Todas são partes dos modos normais pelos quais Deus pretende que suas igrejas cresçam em maturidade e seu evangelho seja propagado. Então, pense sobre o que seria possível para você e onde sua vida poderia ser gasta de modo mais frutífero.

 

  1. Obtenha ajuda para avaliar a si mesmo e analisar opções.

 

Os cristãos devem pensar muito cuidadosamente antes de mudarem de emprego e se afastarem de uma igreja onde estão prosperando atualmente. A saúde espiritual não é algo a ser tratado tão levemente. Mas isso é especialmente verdadeiro para os cristãos que pensam em se mudar especificamente para se unirem a um testemunho local em outra cultura. Nem todo mundo deve fazer isso. Precisamos estar abertos para ouvirmos amigos de confiança nos dizerem para ficarmos. Os bons candidatos para se mudar para o exterior são os cristãos que serão ajudadores do ministério, não os cristãos cujas necessidades ou desafios exigem muito cuidado pastoral. É necessária muita humildade para ouvir esse tipo de opinião. Alguns de nós podem ser mais estratégicos ao permanecerem e continuarem a crescer, por enquanto.

 

Para aqueles que consideram mudança focada no evangelho, a humildade pode significar obter ajuda pensando em poucos lugares em vez de ver o mundo inteiro como sua ostra. Comece por considerar os locais no exterior onde sua igreja já está envolvida. Existe uma igreja internacional ou uma equipe missionária firme em uma cidade onde você pode considerar se mudar? Como você poderia unir-se e encorajar os líderes como um membro daquela congregação? Essa pode não ser a sua primeira escolha, mas eventualmente você perceberá que trabalhar com as pessoas certas é quase sempre mais importante do que encontrar o lugar perfeito.

 

Considere também qualquer organização missionária com a qual sua igreja coopere e se eles têm algum recurso. Minha própria igreja trabalha com o Conselho Internacional de Missões da Convenção Batista do Sul. Essa organização missionária tem uma Iniciativa Global de Cidades destinada a ajudar as igrejas a considerarem como ajudar os membros a usarem seus empregos para ajudar missionários de tempo integral em algumas cidades específicas. Seus próprios missionários ou organizações podem ser capazes de fornecer suporte semelhante.

 

  1. Negócios em prol de missões não é uma “chave de ouro”; mas o que é?

 

Muitos que começam o processo de mudança de lugar logo descobrem que encontrar um emprego e atravessar o mundo dá muito trabalho! E uma vez lá, as pessoas ficam, por vezes, decepcionadas por descobrir quão semelhante é a sua vida em relação ao que era em seu país de origem. Você cuida das crianças, vai para o trabalho, conhece os vizinhos, fala sobre o evangelho quando pode, ajuda o ministério de uma igreja local, continua semeando e espera com esperança. Mas, agora, as barreiras da linguagem e da cultura podem tornar tudo mais lento do que em casa.

 

Negócios em prol de missões não são uma “chave de ouro” para as missões, como se essa estratégia revolucionasse as missões e tornasse tudo mais fácil.

 

Mas apenas porque algo não garante um caminho para o fruto evangélico rápido e fácil, isso não o torna ruim. Em vez disso, apenas o torna real, normal e algo que, segundo a Bíblia, devemos esperar.

 

Enquanto manifestamos a Palavra e valorizamos o evangelho, enquanto vivemos vidas de santidade e amor, enquanto proclamamos o evangelho ao mundo e discipulamos pessoas na igreja, enquanto treinamos pastores e enviamos missionários e plantamos novas igrejas e incentivamos vidas fiéis entre todos, Deus promete que nossos esforços comuns resultarão em um fim extraordinário. Na mão de Deus, a fidelidade pequena e comum alcança a eternidade.

 

Então, talvez você ou alguém em sua igreja seja capaz de viver a vida comum entre os irmãos em um lugar onde cristãos fiéis são um em um milhão, em vez de um em cada dez. O que você acha?

 

Seus dons e talentos comuns podem ser um tesouro para uma congregação na Malásia, Londres, Istambul ou Dubai. Sim, ainda haverá uma enorme necessidade de missionários pioneiros em tempo integral e enviados pela igreja. Sim, essa não será a única ferramenta para abrir o mundo para Cristo. Certamente, essa não é a estratégia para lugares totalmente não-alcançados ou longínquos. Mas pode ser uma maneira maravilhosa de muitos cristãos aproveitarem as suas vidas como uma parte pequena e gloriosa do sábio plano que Cristo tem de usar a fidelidade simples, comum e mesmo secular do seu povo para mostrar a sua glória ao universo (Efésios 3.10). E esse não é um modo ruim de fazer o seu trabalho e gastar a sua vida.

 

 

 

#1: N.T.: O termo original, “Tentmakers”, provavelmente faz uma referência ao apóstolo Paulo e aos seus cooperadores, Priscila e Áquila, que faziam tendas enquanto tinham como o seu principal objetivo propagar o evangelho de Jesus Cristo (Atos 18.1-5).

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: Take Your Job Overseas—Introducing Business for Missions

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Dica para complementar

http://sepal.org.br/blog-sepal/podcast-sepal-17-negocios-em-missao/

Podcast sobre Negócios em Missões