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Como ter certeza que todos são pastoreados em uma igreja grande?

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No último texto, eu tratei de como um pastor pode ter certeza de que está pastoreando regularmente todos em  sua igreja. Nele eu expliquei um sistema para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja em um mês. Isso é baseado nos esforços de pastoreio de uma igreja menor; logo, naturalmente, posso antecipar a pergunta:

 

“Isso é ótimo, mas e aqueles que são pastores de uma igreja maior?”

 

Bem, a resposta rápida a essa pergunta de como você pode realizar esse sistema em uma igreja maior é: você não pode. Pelo menos, não por si mesmo. Outros devem pastorear com você. Ainda assim, depois de passar algum tempo servindo na equipe de duas igrejas diferentes, cada uma com mais de 1.500 membros, estou convencido de que cada membro ainda pode ser cuidado, ser conhecido e ser motivo de oração de forma individual pelos pastores e líderes, bem como contatado de alguma forma a cada mês.

 

Penso que a tabela de 28 dias que eu propus anteriormente pode ser feita na proporção de 1:100. Um pastor/presbítero/equipe para cada 100 membros da igreja. Isso se resume a menos de 5 pessoas ou famílias por dia pelas quais é preciso orar e com as quais é preciso contatar. Assim, se você está em uma igreja de 500 membros, você só precisa de 5 pastores que estejam dispostos a dedicar cerca de 30 minutos por dia para realizar isso. Se você está em uma igreja de 1.200 membros, só precisa de 12 pastores para orar e entrar em contato com todos os membros da igreja.

 

Lembre-se, você não vai simplesmente se precipitar nesse tipo de esforço intencional, especialmente em uma grande igreja. Na verdade, talvez seja necessário reestruturar o modo como sua equipe está formada e funciona. Mas se você fizer o compromisso e crer que é possível pastorear cada membro da igreja em algum nível em uma base regular, independentemente do tamanho, sua alegria aumentará e as almas do seu povo se sentirão mais fielmente cuidadas por seus líderes (Hebreus 13.17).

 

Pastores, não creio que nós seremos desculpados do nosso chamado para prestar contas de cada alma (Hebreus 13.17) apenas por causa do tamanho da nossa igreja. Peçam a Deus que lhes conceda graça e discernimento sobre como isso pode ser realizado em sua igreja através do serviço dos seus pastores, diáconos, equipe e outros líderes. Deus honrará seus esforços para serem fiéis nesse aspecto.

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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Brian Croft

Brian Croft é o pastor efetivo da Auburndale Baptist Church em Louisville, Kentucky. Ele também é autor de “Visit the Sick: Ministering…

 

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5 Prioridades para o seu Primeiro Dia como Pastor

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Ontem a congregação “instalou” você como o pastor da igreja. (Isso soa como algo que você faz a uma máquina de lavar louça, não é mesmo?). Houve orações, abraços, sorrisos, música, comida, fotos e agora é segunda-feira. Por onde você começa? Você sabe que precisa preparar excelentes sermões, discipular membros da igreja e fazer evangelismo. Mas como você de fato começa? O que você deveria fazer no seu primeiro dia?

Em certo sentido, você não deveria fazer absolutamente nada. Não, não fique em casa assistindo futebol. Só não pense que você precisa mudar tudo em três meses. Você pode ter o título, mas a posição de pastor é tanto conquistada quanto concedida. Há muito o que aprender a respeito da sua igreja antes de começar a fazer mudanças. Além do mais, Cristo prometeu que ele edificaria a sua igreja. Você não precisa tentar fabricar crescimento.

Com isso em mente, aqui estão cinco prioridades que você deve trazer para o seu primeiro dia de ministério.

Prioridade 1 – Aprenda tudo o que você puder sobre as suas ovelhas (Envolvimento – 1 Pedro 5.1-4).

Você é um pastor. Bons pastores são tão próximos às suas ovelhas, que cheiram a ovelhas, e eles as conhecem pelo nome. Sugestões: Leia as minutas de assembleias administrativas passadas. Aprenda tudo o que puder sobre a fundação da igreja. Qual era a declaração doutrinária original? Houve alguma revisão da declaração ou da confissão da igreja? Se sim, por quê? A igreja já sofreu divisão? Há alguma questão não resolvida?

Torne-se familiar dos “veteranos”. Eles podem dar a você grande ajuda. Questione-os sobre tradições, histórias, políticas, etc. Desenvolva perguntas para fazer a cada membro da congregação, a fim de avaliar a saúde espiritual deles. O envolvimento que você ganha — e a confiança que você conquista — pode até mesmo ser mais valioso do que a informação que você juntará.

Prioridade 2 – Gaste tempo com a sua liderança (Humildade – Filipenses 2.5-8).

Sugestões: Visite seus líderes em seus locais de trabalho. Descubra a respeito de suas famílias, sua história, seus dons e seus pontos fortes em liderança. Faça a eles as perguntas que você está planejando fazer à congregação. Pergunte a eles pelo que você pode orar, e como você pode melhor servir a igreja. Peça a avaliação deles sobre a saúde da congregação. Tenha uma lista de livros pronta para sugerir que eles leiam. Planeje um retiro com eles para que você aprenda mais sobre eles e eles sobre você. Diga a eles o que você espera aprender sobre a congregação. Discuta a história com eles. Quais eventos deveriam ser celebrados? Compartilhe as suas conversas evangelísticas. Envie e-mails para eles diariamente.

Servir os seus líderes servirá de modelo para eles sobre como servir a igreja. As primeiras pessoas que você tem de discipular são os seus líderes. Eles irão discipulá-lo também.

Prioridade 3 – Planeje a sua pregação (Os meios de Deus para o crescimento – Romanos 10.17).

Explicar e aplicar fielmente as Escrituras terá mais impacto na sua igreja do que qualquer outra coisa que você puder fazer. Pregar é a sua prioridade número 1, mas está listada aqui como número 3 por conta da progressão da linha de pensamento. A informação que você reunir influenciará no seu plano de pregação.

Visto que o evangelho é fundamental para louvor, evangelismo, discipulado, resolução de conflitos, casamentos e todas as outras situações com que a sua igreja lida, considere uma série inicial de exposições do Evangelho de Marcos ou 1 João. Esteja preparado todas as vezes que você pregar e pregue sermões excelentes.

Prioridade 4 – Encontre-se com pessoas que não estão na sua igreja (Considerar outros – Filipenses 2.4).

Encontre-se com pastores da região. Eles podem dar a você as impressões que têm da sua igreja e informações a respeito da comunidade. Considere orar publicamente por esse pastor e sua igreja no domingo seguinte.

Encontre-se com funcionários públicos da cidade. Quais mudanças estão acontecendo na comunidade? Quais são as necessidades que eles veem nela? Existe algo pelo que você possa orar? Existe algo que a sua igreja possa fazer?

Visite os vizinhos. Apresente-se às pessoas à sua volta. É impressionante o quanto você pode aprender, e ainda poderá conquistar muita confiança da qual vai precisar.

Embora as informações que você reunir desses indivíduos venham a ser úteis, procurá-los também proporcionará oportunidades evangelísticas.

Prioridade 5 – Plante uma árvore frutífera (ou um jardim) (Fidelidade – 1 Coríntios 4.2).

Coisas que produzem frutos precisam de cultivo e tempo, e observar uma árvore crescer lembrará você disso. Você começou uma maratona; mantenha o ritmo.

Exemplos:

Um pastor apresentou um plano ambicioso em seus primeiros dois meses para fazer a igreja crescer através de uma estratégia de alcance agressiva: mudar-se para um local mais visível e livrar o calendário de ministérios desgastados e inúteis. Nada do que ele propôs estava errado, mas sem conquistar a confiança para liderar, ele foi embora após nove meses. Por trás dele, estava um rebanho fraturado, ferido e castigado.

Outro pastor disse que não queria fazer nenhuma mudança por um ano enquanto não aprendesse o quanto pudesse sobre as pessoas. Agora, catorze anos mais tarde, ele os havia guiado por muitas mudanças que foram conquistadas por sua fidelidade publicamente no púlpito e, privadamente no ministério pessoal.

James Boice uma vez disse que normalmente superestimamos o que podemos fazer em um ano, mas subestimamos o que pode ser feito em dez. Se você é um pastor novinho em folha, defina agora as prioridades que, pela graça de Deus, darão frutos daqui a dez anos.

Tradução: Alan Cristie

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Autor
Bob Johnson
Robert “Bob” Johnson é pastor da Cornerstone Baptist Church em Roseville, Michigan

Uma biografia de John Huss

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“Se ele fosse profético, deve ter se referido a Martinho Lutero, que surgiu cerca de cem anos depois”. Assim escreveu John Foxe em seu Livro dos Mártires do século XVI, referindo-se a uma declaração atribuída ao reformador boêmio João Huss por ocasião de sua morte. Condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança, Huss — de acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato — voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: “Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar”.

 

Por que Huss se identificou como “um ganso”? E por que os comentaristas posteriores — nada menos que o próprio Lutero — acreditavam que a lendária profecia de Huss se referia ao monge alemão cujo protesto contra as indulgências iniciou a Reforma um século depois?

 

A primeira pergunta é mais fácil de responder do que a segunda. Huss, nascido por volta de 1372, era proveniente da cidade do sul da Boêmia, Husinec (literalmente, “Goosetown” [Cidade do ganso]), onde agora é a República Checa. Seu sobrenome, derivado do seu lugar de nascimento, significa “ganso” em tcheco. Compreender por que Lutero e os Protestantes mais tarde criam que Huss tinha antecipado, se não previsto, a Reforma é mais difícil e requer alguma consideração sobre a vida, doutrina e morte de Huss.

 

A vida de Huss

 

Em 1390, Huss, cujos primeiros anos permanecem desconhecidos, matriculou-se na Universidade de Praga com a intenção de treinar para o sacerdócio. Posteriormente, ele confessou que o ministério ordenado o atraiu por sua promessa de proporcionar uma vida confortável e estima mundana. Apesar de dedicar, por sua própria confissão, muito tempo para jogar xadrez, Huss se destacou em seus estudos e após receber o seu mestrado em 1396, vinculou-se à faculdade de filosofia da universidade.

 

Pouco depois de começar a ensinar, Huss experimentou, nas palavras de um biógrafo, uma “mudança radical e fundamental”, resultando em um compromisso mais profundo com Cristo. Essa “mudança” pode ter se originado da exposição ao pensamento de John Wycliffe, cujas ideias estavam começando a criar uma comoção em Praga. O programa de reforma de Wycliffe — que incluía críticas estridentes à imoralidade clerical, rejeição da doutrina medieval da transubstanciação e insistência sobre o acesso leigo à Escritura na língua vernácula — chegou à Boêmia graças, em grande parte, aos estudantes tchecos que estudaram na própria Universidade de Oxford de Wycliffe e voltaram para casa com as mentes repletas das ideias de Wycliffe e as mochilas cheias de livros de Wycliffe.

 

Em 1403, o conflito sobre as ideias de Wycliffe chegou ao ponto alto na Universidade de Praga. Embora Huss se opusesse à rejeição da transubstanciação de Wycliffe, concordou com muito do que o reformador inglês havia dito, e passou a defender o partido reformista pró-Wycliffe. Apenas um ano antes, Huss fora nomeado pregador da Capela de Belém, no centro de Praga. Seus sermões no púlpito de Belém refletiam cada vez mais a preocupação de Wycliffe com a corrupção no interior da igreja.

 

A pregação do “pequeno ganso de Deus”, como Huss veio a ser chamado, era imensamente popular, atraindo multidões de vários milhares. Huss estava desejoso de tornar as Escrituras e sua mensagem reformadora acessíveis ao povo. Ele não só pregou em tcheco, mas traduziu partes da liturgia, assim como vários hinos latinos para a língua vernácula. Ele mesmo aproveitou o espaço vazio na capela para promover a sua mensagem, colocando murais que contrastavam a humildade e simplicidade de Cristo com a vaidade e a ganância dos sacerdotes contemporâneos.

 

Em 1409, o papado, perturbado pela crescente fama de Huss, ordenou ao arcebispo de Praga que proibisse qualquer outra pregação na Capela de Belém. Huss se recusou a abandonar seu púlpito. No ano seguinte, o arcebispo excomungou Huss com base em heresia e logo depois fugiu da cidade por medo de represálias populares. Huss continuou pregando. Em 1411, o papado, que tinha então emitido uma segunda excomunhão de Huss (sem efeito), colocou toda a cidade de Praga sob interdito, proibindo, assim, o clero de Praga de oferecer sermões, casamentos, a eucaristia, ou outros serviços religiosos ao povo.

 

Inicialmente, o interdito do papa teve pouca força graças ao rei Wenceslaus IV, da Boêmia. Wenceslau (cujo nome desde o século décimo se tornaria depois o tema de um hino de Natal) apoiou Huss e ordenou ao clero de Praga que ignorasse o interdito. Em 1412, no entanto, as circunstâncias colocaram Huss e Wenceslau um contra o outro. O papado começou a vender indulgências na Boêmia para arrecadar dinheiro para uma campanha militar. Wenceslau não fez nenhuma objeção a isso, em grande medida porque recebeu uma parte dos ganhos. Mas Huss, que via a venda das indulgências como sinal da corrupção da igreja, protestou tanto do púlpito quanto da tribuna. O rei, ansioso para manter a sua renda recém-descoberta, proibiu a crítica das indulgências. Ele reforçou essa proibição ao decapitar vários homens que falaram contra as indulgências. A fim de enfraquecer ainda mais Huss, o rei agora mandou ao clero de Praga que cumprissem o interdito do papa.

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Huss, relutante em ver as pessoas privadas da Palavra e do sacramento, saiu de Praga em 1412. Passou os dois anos seguintes em exílio auto-imposto no sul da Boêmia, escrevendo obras que aprofundaram seus ideais reformadores. Em 1414, foi citado para comparecer perante o Concílio de Constança, para responder às acusações de heresia, e lhe foi prometido um retorno seguro do concílio pelo imperador Sigismundo, irmão do rei Wenceslaus. Huss concordou em participar do concílio, consciente de que ele não retornaria, mas esperançoso de que poderia ter oportunidade de promover sua visão para a reforma da igreja. Ao chegar em Constança, em novembro de 1414, ele foi aprisionado e permaneceu preso até o seu julgamento e execução no verão seguinte.

 

A teologia de Huss

 

Huss não era mero imitador de Wycliffe, como alguns estudiosos têm sugerido. Nem, como outros têm indicado, ele antecipou o protestantismo em todos os aspectos. Contra ambos, Wycliffe e os reformadores, ele defendeu a doutrina da transubstanciação, embora negasse que os sacerdotes por si mesmos têm o poder de realizar a transformação do pão no corpo de Cristo. Contra a doutrina protestante de sola fide, ele cria que a caridade desempenha um papel instrumental na justificação dos pecadores.

 

Contudo, Huss antecipou uma série de convicções-chave do protestantismo. Ele criticou a veneração idólatra dos seus contemporâneos de Maria e dos santos. Ele também criticou a prática medieval de reter o cálice do povo comum (por temor, ostensivamente, para que não lidassem de modo indevido com o sangue de Cristo) e oferecer-lhes apenas o pão na eucaristia. A insistência de Huss de que os leigos recebessem pão e vinho veio a marcar os seus seguidores de modo que, quando forçados a se defenderem militarmente após a morte de Huss, incorporaram um cálice no brasão.

 

Ele também antecipou os reformadores — e revelou a extensão de sua dívida com Wycliffe — em sua doutrina da igreja. Huss identificou a verdadeira igreja com aquele corpo invisível de crentes no passado, presente e futuro que foram eternamente eleitos por Deus para a salvação e incorporados em Cristo como a sua cabeça. Nem todos os membros da igreja visível, argumentou ele, pertencem à igreja invisível, e quando o clero em particular prova ser reprovado por suas ações, sua autoridade é suspeita. Essa doutrina baseou as severas críticas de Huss a sacerdotes e papas como “anticristo” e sua disposição em desconsiderar as bulas papais quando claramente contradiziam as Escrituras.

 

 

 

Intimamente relacionada com sua doutrina da igreja, estava a doutrina de Huss sobre as Escrituras. Huss rejeitou qualquer alegação de que a igreja visível, que em qualquer momento poderia ser mais povoada pelos réprobos do que pelos eleitos, exercia a infalibilidade em suas decisões ou interpretações da Escritura. Ele mantinha as vozes tradicionais na igreja, especialmente os pais da igreja, em alta consideração; na verdade, ele privilegiava a interpretação das Escrituras por parte dos pais da igreja sobre a interpretação de qualquer indivíduo, incluindo a sua própria. Mas Huss admitiu que até os pais poderiam errar. Assim, ele reconheceu a Sagrada Escritura como a única regra infalível da fé e prática cristã, uma visão que os reformadores expressariam com o slogan sola Scriptura.

 

A morte de Huss

 

Huss teve oportunidade limitada de defender sua doutrina no Concílio de Constança, e ele acabou sendo condenado por uma mistura de afirmações legítimas e espúrias sobre suas crenças. Ele foi chamado a negar os ensinamentos falsamente atribuídos a ele. Huss recusou-se a fazê-lo, embora selasse seu destino, porque não queria perjurar-se admitindo crenças que não possuía.

 

Em 6 de julho de 1415, Huss foi despojado das suas vestes clericais, enfeitado com um chapéu de burro com desenhos de demônios, amarrado a uma estaca, e queimado até a morte. De acordo com um relato de testemunhas oculares, ele confiou a sua alma a Deus e cantou um hino a Cristo enquanto as chamas o envolviam. Uma vez morto, as autoridades trituraram seus restos mortais e os jogaram no rio Reno para impedir que fossem venerados por seus seguidores. Ironicamente, Huss provavelmente teria apreciado esse gesto final.

 

Huss nunca pronunciou realmente a famosa profecia atribuída a ele na ocasião de sua morte. Ele expressou, numa carta que escreveu durante a sua prisão, a esperança de que “pássaros” mais fortes do que ele surgiriam para continuar seu trabalho. De fato, foi Lutero, em escritos da década de 1530, que transformou as palavras de Huss em um oráculo que encontrou sua realização nele. Seja como for, acredita-se que Huss se alegraria ao ver o dia de Lutero e ficaria feliz em reconhecer a obra de Lutero e os subsequentes esforços para reformar a igreja de acordo com a Palavra de Deus como uma continuação digna dos seus próprios labores.

 

 

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: The Goose

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

 

Aaron Denlinger

Dr. Aaron C. Denlinger é diretor de departamento em latim na Academia Arma Dei em Highlands Ranch, Colo., Professor adjunto de história da igreja.

Material complementar (Com Podcast e Filme)

http://bibotalk.com/podcast/btcast-033-john-huss/

 

Qual é o propósito de apresentar bebês na igreja?

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Minha esposa e eu escolhemos um vestido alegre e especial para nossa bebê de três meses de idade. Estávamos esperando por esse dia com grande alegria e, finalmente, veio: o dia da sua apresentação na igreja. Ela era tão fofa e é uma linda lembrança.
Esta questão é muito relevante para mim e muito perto do meu coração. Talvez tenha participado de uma dessas dedicações, seja na assembleia ou como pai com seu filho.
Tudo o que fazemos e desejamos deve estar sujeito à autoridade da Bíblia. Então, quero abordar dois pontos sobre esta questão: qual o suporte bíblico que encontramos para a apresentação de nossos filhos? E como podemos praticar a apresentação de crianças na igreja? Através dessas perguntas, quero mostrar que apresentar os bebês na igreja é um ato de humilde obediência e dependência de Deus tanto dos pais como da congregação.

Portanto, o propósito de apresentar bebês na igreja é reconhecer quem Deus é como Criador e Senhor da vida, e quem somos como receptores do presente que os bebês são.
Antes de ver alguns versos na Bíblia, tenho que deixar claro que não temos nenhum mandato bíblico que nos peça para apresentar nossos filhos na igreja. Então, os versos que vou mencionar não são mandatos para as apresentações, mas eles são um apoio bíblico para fazer essas apresentações um momento em que Deus é glorificado, Cristo exaltado e onde tanto os pais quanto a congregação se comprometem com o poder do Espírito Santo para Orar, ensinar e guiar esses bebês no conhecimento de Deus.

No Antigo Testamento
Gênesis 1-2 nos conta a história da criação de nosso Deus trino e o comando para se multiplicar (Gênesis 1: 21-22, 26-28). Então podemos começar dizendo que reproduzir-nos tendo bebês – sempre que possível – é um ato de obediência ao que Deus ordenou desde o início até Adão e Eva. Isso nos ajuda e nos encoraja a ver essas apresentações como fruto do trabalho de Deus em benção aos casais com a graça de ter filhos.
Mais tarde, vemos que Deus chama o povo de Israel a amá-lo com todo o seu ser como o único Deus, porque o Senhor é um. E manter as palavras de Sua lei em seus corações e dar frutos. Este fruto deve olhar especificamente sobre como os pais amam a Deus e ensinam seus filhos: “E você deve ensiná-los diligentemente aos seus filhos, e você deve falar deles quando você se sentar em sua casa, e quando você anda pelo caminho, quando você se deita e quando surgir “(Deut 6: 7).
Em outras palavras, em todos os momentos, devemos ensinar aos nossos filhos quem Deus é, quão precioso ele é, quão poderoso e soberano ele é, como ele providenciou a salvação na pessoa de Cristo por seu sacrifício na cruz e como ele nos encheu de sua  presença através do Espírito Santo. Na sabedoria de Deus, somos chamados a levar nossos filhos a ver sua necessidade de se arrependerem do pecado e colocar sua fé no Salvador.

Na apresentação de nossos filhos, estamos apontando para cada uma dessas coisas desde uma idade muito precoce. Estamos lhes dizendo que não podemos estar sozinhos, não somos seus salvadores, não somos perfeitos, não somos fortes em nós mesmos e precisamos de Deus. Ao apresentar nossos filhos, o foco está em nosso compromisso como pais para com Deus e no compromisso como corpo de Cristo para apoiar os pais em seu chamado para modelar e ensinar a Deus aos nossos filhos.

Na apresentação de bebês, damos testemunho de que Deus é quem formou e criou cada parte do corpo de nossos filhos e todos os dias de suas vidas estão em suas mãos soberanas (Salmos 139: 15-17). Ver também 1 Samuel 1.

 

No Novo Testamento

Um dos versículos mais utilizados na apresentação de bebês na igreja é Marcos 10: 13-16. Aqui vemos Jesus corrigindo a idéia desse contexto de que as crianças não eram úteis para a sociedade porque não tinham nada para oferecer. Jesus – sendo seu Criador (Col. 1: 15-17) – mostra que eles foram criados à Sua imagem e os usa como um exemplo de como devemos nos aproximar dele.

Quando apresentamos nossos bebês, estamos dizendo: “Você precisa uma atitude de arrependimento e fé em Jesus para a salvação que somente ele pode dar a você e a quem você deve responder “. Mas como eles entenderão se eles são apenas bebês? Não importa a idade, nosso chamado é criar nossos filhos na disciplina e instrução do Senhor (Efésios 6: 4) e fazemos isso ajudando-os a ver essa necessidade do Bom e Amoroso Salvador Jesus. Se a sua idade não o permite naquele momento, certamente será algo para lembrar a partir de agora! E também nos lembraremos disso.

Da mesma forma, dizemos à congregação que chegar a Deus não é através do que trazemos ou podemos fazer, mas confiando no que Cristo fez na cruz e faz como nosso intercessor ao Pai para Seus filhos. A congregação desempenha um papel importante na apresentação, porque os membros afirmam que ambos os pais e eles se comprometem a orar, ensinar e orientar as crianças ao conhecimento de Deus. A congregação ora pelos pais e os envia na tarefa de discípuladores de seus filhos, lembrando-os de que, embora seja sua responsabilidade, a igreja está lá para encorajar, sustentar e unir forças, dependendo da graça de Deus em Cristo e através do Espírito Santo.
Reconhecendo nossa tarefa e nosso Deus.

O propósito de apresentar bebês na igreja é reconhecer quem Deus é como Criador e Senhor e quem somos como vasos do presente que são bebês. Nossa tarefa como pais é apontar nossos filhos desde uma idade precoce ao Salvador e ao Senhor Jesus e orar por eles dia a dia para que Deus lhes dê Sua graça para que possam ver a beleza de Cristo através do Espírito Santo. A congregação apoia os pais para que juntos possamos assumir a responsabilidade de ensinar nossos filhos sobre o nosso Deus e participar de ver Deus trabalhando Seu trabalho de salvação em nossos filhos. Muitos pais têm ansiedade e medo de como levar seus filhos ao Senhor e, como congregação, podemos ajudar juntos a nos humilharmos sob a poderosa mão de Deus, lançando toda a ansiedade sobre Ele e por quê? Porque Ele cuida de nós, (1 Pedro 5: 6-7).

 

# CoaliciónResponde é uma série onde pastores e líderes da igreja respondem às preocupações que chegam à Coalizão pelo Evangelho através de vários meios e que fazem parte das preocupações que caracterizam a igreja em nossa região.

Autor
Michel Galeano é colombiano, casado com Gaby e com o pai de Priscilla. Ele obteve o diploma de bacharel em ministério cristão e pastoral do Seminário Teológico Batista de Nova Orleans e um mestrado em divindade no Seminário de Belém, em Minneapolis. No momento, Michel está plantando uma igreja no sul do estado da Flórida. Você pode segui-lo no Twitter.

Link para o artigo original em espanhol

https://www.thegospelcoalition.org/coalicion/article/cual-es-el-proposito-de-presentar-bebes-en-la-iglesia-coalicionresponde

5 Características de um Líder Servo

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Todos os que professam ser cristãos concordam que um líder cristão deve ser um líder que serve. Jesus não podia ser mais claro:

“E disse-lhes Jesus: Os reis dos gentios são o senhor sobre eles; E aqueles que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não é assim com você; Mas o mais velho entre vocês, deixe-o ser como o mais novo, e aquele que dirige como alguém que serve, “Lucas 22: 25-26.

Sempre que o acordo não é alcançado, é em como a liderança do serviço deve ser vista em uma determinada situação. Às vezes, os líderes servos lavam os pés dos outros, por assim dizer (João 13: 1-17), mas outras vezes repreendem (Mt 16:23), e até disciplinam (Mt 18: 15-20). Às vezes, eles servem às suas próprias custas (1 Coríntios 9: 7), mas outras vezes emitem comandos fortes (1 Coríntios 5: 2; 11:16).

Entrando na água enlameada

Outros fatores nublam ainda mais as águas para nós. Para começar, todos os líderes cristãos têm pecado que habita neles, o que significa que mesmo no auge de sua maturidade, eles ainda permanecerão servos defeituosos. Adicione a isso o fato de que a maioria dos líderes ainda não chegou à maturidade. Adicione a isso o fato de que todos os seguidores cristãos também têm pecado que habita neles e a maioria ainda não alcançou nosso grau de maturidade.

Adicione a isso o fato de que diferentes temperamentos, experiências, presentes e chamadas influenciam a forma como certos líderes tendem a servir e como certos seguidores tendem a perceber essa liderança; A tentativa genuína de servir como líder poderia ser interpretada por um seguidor genuíno como uma tentativa de “controlar a fé” (2 Coríntios 1:24). E então, há líderes que são lobos e egoístas que, ao enganar seus seguidores, parecem se comportar por um tempo de maneira semelhante aos líderes  servos.

Então, determinar se um líder está agindo com um coração de serviço semelhante a Cristo requer discernimento compreensivo, paciente e humilde. Não é simples. Não há descrição de um líder servo que se aplica a todos. As necessidades e os contextos da igreja em geral são muito amplos e variados e exigem diferentes tipos de líderes e liderados. Devemos cuidar dos nossos próprios preconceitos na avaliação dos corações dos líderes. Cada um de nós é mais ou menos atraído por certos tipos de líderes, mas nossas preferências podem ser padrões pouco confiáveis ​​e até mesmo sem piedade.

As marcas de um líder servo

Mesmo assim, o Novo Testamento nos ensina a agir com a devida diligência no discernimento da aptidão de um líder cristão (veja, por exemplo, 1 Timóteo 3: 1-13). Que características procuramos em um líder que sugere que sua orientação fundamental é um serviço de Cristo? Esta lista não é de forma alguma exaustiva, mas aqui estão cinco indicadores-chave.

1. Um líder servo busca a glória de seu Mestre.

E seu Mestre não é sua reputação ou a circunscrição de seu ministério; É Deus. Jesus disse: “Quem fala de si mesmo procura a sua própria glória; Mas aquele que busca a glória daquele que o enviou, Ele é verdadeiro e não há injustiça nele “(João 7:18). Um líder cristão é servo de Cristo (Efésios 6: 6), e mostra ao longo do tempo que Cristo – não aprovação pública, posição ou segurança financeira – tem sua lealdade primária. Nisto ele “jura a si mesmo e não muda” (Salmo 15: 4).

2. Um líder servo procura sacrificialmente a maior alegria daqueles a quem serve.

Isso não entra em conflito com a busca da glória de seu Mestre. Jesus disse: “Quem entre vós quiser ser grande, deverá ser servo … tal como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:26 28). Seja qual for o seu temperamento, mistura de talentos e qualidades, habilidades, ou esfera de influência, vai fazer os sacrifícios necessários a fim de obter “progresso e alegria na fé” de pessoas, resultando na glória de Deus (Fil. 1 25: 2: 9-11).

3. Um líder servo renunciará aos seus direitos em vez de obscurecer o evangelho.

Paulo disse assim: “Eu me tornei um escravo de todos os homens para ganhar o máximo que puder” (1 Coríntios 9:19). O que isso significava para ele? Isso significava que às vezes se absteve de certos alimentos e bebidas, ou recusou o apoio financeiro de quem serviu, ou trabalhou com as próprias mãos para cuidar de si mesmo, com fome ou humildemente vestido, ou foi espancado ou estava sem Casa, ou sofreu desrespeito dentro e fora da igreja (1 Cor. 4: 11-13; 9: 4-7). E decidiu não se casar (1 Coríntios 9: 5). Tudo isso antes de ser martirizado. A barra de serviço de Paulo pode ter sido extraordinariamente alta, mas todos os líderes servos renderão seus direitos se eles acreditam que mais ganhará para Cristo como resultado.

4. Um líder servo não se preocupa em ter visibilidade ou reconhecimento pessoal.

Como João Batista, um líder servo vê-se como um “amigo do noivo” (João 3:29), e não se preocupa com a visibilidade de seu próprio papel. Ele não considera aqueles com funções menos visíveis como menos importantes, nem os papéis da ganância mais visíveis e mais significativos (1 Cor. 12: 12-26). Ele procura administrar a posição que recebeu da melhor maneira possível e, voluntariamente, deixa a atribuição de papéis a Deus (João 3:27).

5. Um líder servo antecipa e aceita gentilmente o momento de sua descida.

Todos os líderes servem apenas por uma temporada. Algumas temporadas são longas, algumas curtas; Alguns são abundantes, alguns austero; Alguns são gravados e lembrados, a maioria não é. Mas todas as estações acabaram. Quando João Batista reconheceu o fim de sua temporada, ele disse: “E então, essa alegria é completa. Ele deve aumentar e, eu devo diminuir “(João 3: 29-30).

Às vezes, um líder é o primeiro a reconhecer o fim de sua temporada, às vezes os outros o reconhecem primeiro, e às vezes Deus permite que uma estação termine injustamente para fins que o líder não pode entender naquele momento. No entanto, um líder servo renuncia voluntariamente ao seu papel por causa da causa de Cristo, porque sua identidade e confiança não estão em seu chamado, mas em Cristo.

Seja misericordioso com os seus líderes

Nenhum líder cristão terrestre é a encarnação perfeita dessas cinco marcas fundamentais de um servo. Somente Jesus possui essa distinção. A grande maioria de nossos líderes são servos imperfeitos que tentam ser fiéis.

Assim, alguns dos maiores dons que podemos dar aos nossos líderes são:

1) o nosso espírito explícito quando vemos qualquer uma dessas graças neles (liberar nossas línguas),

2) mantê-los pacientemente em silêncio quando tropeçam (segure nossas línguas) E

3) o nosso julgamento simpático e nosso amplo feedback sobre as decisões que suscitam questões e preocupações (restrição do idioma). E os três podem ser aplicados tão facilmente falando sobre nossos líderes como falando com eles.

Se um líder precisa de ajuda para reconhecer o fim de sua temporada, seus amigos fiéis possam dar-lhe um apoio amoroso, gentil e paciente, e, se necessário, uma repreensão.

Mas às vezes, como Diótrefes (3 João 9), os defeitos pecaminosos de um líder são muito prejudiciais, ou como Judas (Lucas 6:16), eles provam ser um lobo. Naquele ponto, uma resposta misericordiosa seria que os seguidores apropriados, piedosos e maduros tomassem a útil iniciativa de repreender (Mateus 16:23), e até disciplinar (Mt 18: 15-20). Saberemos que alcançamos esse ponto porque, depois de uma temporada de observação, ficará claro que essas cinco marcas estão notoriamente ausentes desse líder.

Originalmente publicado em Desing God.

Jon Bloom atua como autor, membro do conselho e co-fundador de Desiring God. Ele mora em Minnesota com sua esposa, Pam, seus cinco filhos e seu cachorro.

Discipulado: o que é, o que fazer e como começar

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Texto de Bobby Jamieson

Nota do editor: Este é um folheto que a liderança da Capitol Hill Baptist Church distribui a novos membros. Pensamos que pode ser útil também a outras igrejas, embora você precise alterar os detalhes necessários.

 

Novos membros de igreja têm muitas perguntas. Uma muito comum é: Como eu me envolvo em um relacionamento de discipulado?

 

Que importante pergunta! Discipulado é crucial para o nosso crescimento cristão enquanto indivíduos, assim como para tornar o evangelho visível em nossa vida comunitária como igreja. Assim, nós fazemos todo o possível para cultivar uma cultura de discipulado em nossa igreja.

 

  1. O que queremos dizer por “discipulado”?

 

Em certo sentido, quase tudo o que fazemos como igreja local é sobre ser e fazer discípulos. Os cânticos cantados, as orações oradas e, certamente, os sermões pregados todos almejam nos edificar para sermos discípulos que glorifiquem a Deus.

 

Mas, neste folheto, temos algo mais específico em mente ao usarmos a palavra “discipulado”. Estamos pensando particularmente em relacionamentos individuais. Mais formalmente, estamos falando sobre o encorajamento intencional e o treinamento de discípulos de Jesus com base em relacionamentos deliberadamente amorosos.

 

Jesus nos diz para acompanharmos uns aos outros deste modo: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15.12). Como Jesus amou os seus discípulos de maneiras que possam ser imitadas? Ele os amou intencional, propositada, humilde, alegre e normalmente. Vamos pensar nessas descrições.

 

Intencional: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros […]” (João 15.16a). Jesus não simplesmente esbarrou em seus discípulos; ele tomou uma amorosa iniciativa. Ele os escolheu. O amor semelhante ao de Cristo não é passivo; ele toma iniciativa. Amar outros cristãos como Cristo nos amou significa tomar a iniciativa.

 

Propositado: “e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15.16b). O amor de Cristo por seus discípulos é propositado. Ele os chamou a darem fruto para a glória de Deus. Em outras palavras, o seu amor não é meramente sentimental, mas tem o compromisso maravilhoso de glorificar a Deus. Se havemos de amar uns aos outros como Cristo nos amou, certamente iremos compartilhar os objetivos de Jesus para conosco, isto é, o bem espiritual dos nossos amigos e a glória de Deus por meio da alegria deles no evangelho.

 

Humilde: Jesus diz: “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (João 15.9) e “Já não vos chamo servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (João 15.15a). Jesus condescende em ser nosso amigo, muito embora esteja ele infinitamente acima e além de nós em majestade, santidade e honra. Certamente, então, nós devemos nos relacionar com toda a humildade com nossos irmãos e irmãs com quem compartilhamos a queda. Nós os tratamos como amigos a quem amamos, não como “projetos” ou “inferiores”. Nós não nos colocamos por cima, antes honramos e cuidamos.

 

Alegre: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós” (João 15.11, ARC). Jesus nos ordena a amarmos uns aos outros a fim de conhecermos a sua alegria. Cuidar de outros cristãos e encorajar o seu crescimento na graça pode ser trabalho árduo. Mas é um trabalho maravilhoso e Jesus diz que é um trabalho que traz alegria!

 

Normal: Jesus torna esse tipo de discipulado amoroso o seu mandamento básico para todo o seu povo e, assim, algo normal para todos os cristãos. Ouça novamente: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Não é surpreendente que você encontre essa conversa sobre o discipulado cristão básico ao longo da Palavra de Deus:

 

“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3.13).

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10).

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1 Tessalonicenses 5.11).

O Novo Testamento está cheio de tais exortações. Jesus e os apóstolos não desejavam que o discipulado entre cristãos fosse excepcional, e sim normal.

 

Como um membro de nossa igreja, nós desejamos que você seja

 

intencional,

proposital,

humilde

e alegre

à medida que nós trabalhamos juntos para tornar normal esse tipo de relacionamento entre indivíduos.

 

Faça isso deixando que as pessoas o conheçam. Faça isso trabalhando para conhecê-las. De fato, todo o nosso trabalho consiste em cultivar uma cultura de discipulado neste lugar.

 

  1. O que queremos dizer por uma “cultura de discipulado”?

 

Você provavelmente ouvirá bastante essa expressão entre nós. A maioria dos dicionários define “cultura” mais ou menos como “os valores, objetivos e práticas compartilhados que caracterizam um grupo”. É basicamente isso o que temos em mente no que se refere ao discipulado em nossa igreja. Nós não queremos apenas um programa, queremos que o amor e o encorajamento mútuos sejam um valor, um objetivo e uma prática que caracterizem cada um de nós de maneira crescente.

 

Programas formais não são necessariamente ruins, mas nós queremos ter certeza de que não nos desviamos do ideal bíblico. E o ideal bíblico, como dissemos, é nos tornarmos um lugar em que seja normal tomar a iniciativa de fazer o bem espiritual uns aos outros. Nós não precisamos nos inscrever em nada nem obter permissão alguma para começarmos a amar nossos companheiros de membresia dessa maneira. Tampouco você deseja uma igreja na qual o discipulado ocorre apenas quando sustentado pela liderança. Essa não é uma igreja saudável! Não, nós queremos que você ore e pense em como pode se envolver. E então converse com um presbítero ou algum outro membro sobre suas oportunidades e mordomias peculiares.

 

  1. O que eu devo fazer em um relacionamento de discipulado?

 

O aspecto mais significativo de qualquer relacionamento de discipulado, com frequência, não é exatamente o que vocês fazem ao se encontrarem, mas o fato de vocês edificarem um relacionamento que tenha a verdade bíblica em seu âmago. Desse modo, não há um “programa estabelecido” para relacionamentos de discipulado em nossa igreja. Os membros fazem uma variedade de coisas:

 

Reúnem-se semanalmente para discutir o sermão de domingo, um livro cristão ou um livro da Bíblia.

Participam juntos de um Seminário Essencial[1] e discutem aplicações específicas para a vida uns dos outros.

Convidam membros solteiros para se ajuntarem às devoções familiares.

Acompanham mães com crianças pequenas em suas caminhadas.

Ajudam pais no trabalho de jardinagem e buscam conselhos.

Agendam “dias de jogos” para as crianças e conversam sobre o sermão dominical da noite.

Os exemplos abundam e os locais de encontro são flexíveis. O que é importante, de novo, é que você busque uma ocasião na qual tenha tempo para se relacionar com outro membro com o alvo intencional de encorajar e ser encorajado pela verdade da Palavra de Deus.

 

Então, seja criativo! Mas seja intencional com respeito a amar uns aos outros do melhor modo, o mais elevado e mais bíblico – almejando fazer o bem espiritual a outra pessoa.

 

Se você necessitar de ainda mais ajuda para pensar em relacionamentos de discipulado, nós temos um Seminário Essencial de treze semanas a respeito de discipulado. Participe dele na próxima vez que for oferecido, nas manhãs de domingo, às 9h30min. Ou baixe a apostila da aula sobre discipulado em www.capitolhillbaptist.org.[2]

 

  1. Como eu posso entrar em um relacionamento de discipulado?

 

Há três maneiras de estabelecer um relacionamento de discipulado em nossa igreja. Primeiro, tome a iniciativa pessoal de tentar construir um relacionamento de discipulado com qualquer outro membro (do mesmo gênero seu, por favor). Não é preciso nenhuma permissão da liderança! Em vez disso, chegue cedo à igreja. Fique até tarde. Participe das refeições após os cultos nas noites de domingo. E comece a conhecer outras pessoas. Com o tempo, esperamos que você começará a construir o tipo de relacionamento no qual essas coisas acontecem naturalmente.

 

Segundo, peça ao líder do seu pequeno grupo sugestões e auxílio, se você participar de um pequeno grupo (o que não é obrigatório). Eles podem não estar livres para se encontrar com você regularmente, mas, à medida que o conhecerem melhor, possivelmente eles poderão ajudá-lo a se conectar com outro membro que possa fazê-lo.

 

Terceiro, se nenhum desses caminhos resultarem num relacionamento de discipulado regular, sinta-se livre para contatar um dos líderes da igreja para obter ajuda. Sempre há um número de membros que, por causa da agenda, da geografia ou de outras razões, têm dificuldade em se conectarem individualmente a outros membros. Nesses casos, a liderança da igreja tem o prazer de ajudar. Apenas ligue para o gabinete e agende com um dos pastores auxiliares.

 

Nós o encorajamos, de fato, a começar por sua própria iniciativa. Isso pode levá-lo a alongar, ou até mesmo desenvolver, os músculos da disciplina e do evangelismo que irão servir a você mesmo e a outros por anos a fio. Você pode descobrir que fazer isso é uma das experiências mais satisfatórias em sua vida como cristão. E você pode se ver compreendendo mais claramente o que Jesus pretendia ao dizer: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

 

Notas:

[1] N.T.: Seminários Essenciais (Core Seminars) são classes de escola dominical para adultos, oferecidas na Capitol Hill Baptist Church, com o objetivo de ajudar os membros a compreenderem “as sutis complexidades e as abrangentes verdades do nosso Deus e da teologia, do ministério e da história que ele escreveu”.

[2] N.T.: Em inglês.

 

Tradução: Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

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